07/02/14

Comunicado | Quercus lamenta mau exemplo do Estado em oferecer automóveis topo de gama no concurso 'Fatura da Sorte'

COMUNICADO DE IMPRENSA


Automóveis topo de gama - Quercus considera lamentável o exemplo do Estado

5 razões contra uma insustentável 'Fatura da Sorte'


Foi anunciado ontem, dia 6 de fevereiro, pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, que o prémio do concurso “Fatura da Sorte”, para os contribuintes que peçam fatura, consistirá num automóvel novo topo de gama.

A Quercus considera que o prémio escolhido, independentemente do atual contexto de dificuldades económicas que atinge a população portuguesa, dá precisamente um sinal oposto ao que seria desejável num quadro de sensibilização para um consumo mais amigo do ambiente. Em primeiro lugar, a Quercus aproveita para alertar para o facto das compras públicas estarem longe de refletir escolhas sustentáveis (não se obrigando por exemplo à aquisição de papel reciclado ou lâmpadas das mais eficientes).

Em segundo lugar, e há menos de dez dias (a 29 de Janeiro), os Ministros de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, Jorge Moreira da Silva, bem como o já referido Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, deram posse à comissão para a reforma fiscal verde, em Lisboa. É do mais contraditório possível o mesmo Estado que pretende estimular uma fiscalidade mais correta do ponto de vista ambiental, acenar agora com um prémio que, pelo que simboliza e pelo seu efetivo impacte, transmite uma imagem errada, sendo uma oportunidade perdida de apelar a um desenvolvimento mais sustentável.

5 razões insustentáveis de um automóvel topo de gama como prémio

- um automóvel é sempre um estímulo à mobilidade rodoviária individual, uma das causas principais de problemas ambientais do país: demasiadas estradas - muitas delas dispendiosas e desnecessárias, ruído, qualidade do ar, emissões de gases de efeito e estufa, entre outros impactes;
- um automóvel de alta gama simboliza um desnecessário consumo de recursos;
- quando comparado com veículos mais pequenos, um automóvel de alta gama tem uma pegada ecológica muito maior em termos de construção;
- o consumo de combustíveis fósseis de um carro de alta gama é muito mais elevado, com implicações nas emissões de dióxido de carbono (precisamente um fator muito ponderado do ponto de vista ambiental na fiscalidade automóvel);
- caso se trate de um veículo importado, dá o sinal contrário ao que o Estado está a fazer com outras iniciativas de estímulo ao uso nacional de recursos e emprego.

Porque não um veículo elétrico? Finanças deviam pelo menos olhar para escolhas eficientes no site da Quercus:www.topten.pt 

Estando ainda a ser ponderadas algumas decisões quanto às características do automóvel a oferecer, a Quercus sugere que pelo menos se aproveite a oportunidade para que o prémio seja antes um veiculo elétrico. Apesar de se tratar de uma forma de mobilidade individual, tem impactes ambientais muito menores e poderá ser um incentivo ao estímulo da mobilidade elétrica, projeto que está em completa estagnação e já com forte investimento público, devendo no futuro ter um importante papel na sustentabilidade do país em termos de redução de emissões poluentes, em particular nas áreas urbanas.

Mais ainda, a Quercus deixa desde já a sugestão para a escolha de pequenos carros ou de veículos elétricos, entre os dez modelos mais eficientes presentes no mercado português (e que podem ser consultados em www.topten.pt), o que pelo menos pode tornar a escolha do prémio um pouco menos insustentável.

Lisboa, 7 de fevereiro de 2014

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


Para mais informações contactar:
Nuno Sequeira, Presidente da Direção Nacional
937 788 474 | nunosequeira@quercus.pt

Francisco Ferreira, Coordenador do Grupo Energia e Alterações Climáticas
937 788 470 | franciscoferreira@quercus.pt