15/03/13

Comunicado | Dia Internacional de Luta pelos Rios e Contra as Barragens: organizações alertam para impacto social, económico e ambiental se Portugal insistir na construção de barragens‏

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Dia Internacional de Luta pelos Rios e Contra as BarragensOrganizações signatárias alertam para impacto social, económico e ambiental se Portugal insistir na construção de barragens


Lisboa, 14 de Março de 2013: No Dia Internacional de Luta pelos Rios e Contra as Barragens, as organizações signatárias alertam para as consequências sociais, económicas e ambientais inerentes à construção de novas barragens, que os sucessivos governos têm vindo a ignorar, ao insistir na promoção de barragens caras e comprovadamente inúteis.

No âmbito do Programa Nacional de Barragens têm sido muitos os atentados ambientais já denunciados e comunicados ao Governo, que insiste em ignorar o impacte ambiental irreversível provocado pelas novas grandes barragens: degradação da qualidade da água, destruição de solos agrícolas, alteração de paisagens únicas e de ecossistemas raros. 

Não obstante as supostas vantagens alegadas pela EDP, principal beneficiária deste Programa, este representará um acréscimo mínimo de 10% na factura da electricidade do consumidor. Do ponto de vista energético, o resultado é irrelevante: acrescenta somente 0,5% à energia já produzida no país, a um custo 10 vezes superior ao de medidas equivalentes de eficiência energética. Com os reforços de potência já aprovados, sem nenhuma nova barragem, ultrapassa-se a meta de potência de hidroeléctrica instalada: 7000 MW.

O Programa de Barragens pressupunha um crescimento de consumo por tempo indeterminado, de cerca de 2% ao ano; mas o actual contexto económico e o início da aplicação de medidas de eficiência fizeram com que o consumo de electricidade de 2012 igualasse o de 2007; só em 2012 o consumo caiu 3% e esta tendência persiste em 2013.

Impõe-se destacar a construção da barragem de Foz Tua e o iminente despovoamento da região, já de si empobrecida. Se esta barragem avançar, serão destruídos valores com um potencial turístico e patrimonial inestimável, nomeadamente no Vale e linha do Tua. Parar a construção da barragem de Foz Tua agora é 30 (trinta) vezes mais barato do que deixá-la avançar e pagar à posteriori os custos de uma electricidade inútil e caríssima. Se a construção de barragens trouxesse de facto desenvolvimento, a região Norte e o Alto Douro seriam já hoje uma das regiões mais desenvolvidas no país. 

Neste dia de luta, as Associações signatárias anunciam um conjunto de acções que visam parar a construção da barragem de Foz Tua:  


- Intentar uma acção em tribunal reafirmando a inutilidade deste investimento e o atentado ambiental directo desta obra;

- Renovar o pedido de audiência com o Primeiro-Ministro;

- Demonstrar perante a UNESCO que o Estado português não vai cumprir os compromissos no caso de Foz Tua e do Alto Douro Vinhateiro;

- Submeter as petições em curso às instituições nacionais e comunitárias;

- Realizar uma actividade de canoagem/rafting nos rios Sabor e Tua, entre 25 e 28 de Abril.