14/07/12

Quercus aplaude meta de 95gCO2/km para novos ligeiros de passageiros em 2020



Comissão Europeia aprovou dia 11 deste mês em Bruxelas legislação para veículos mais eficientes
Quercus aplaude meta de 95gCO2/km para novos ligeiros de passageiros em 2020

A Comissão Europeia (CE) aprovou hoje, em Bruxelas, uma proposta que vai obrigar as marcas automóveis a reduzir as emissões médias dos veículos ligeiros de passageiros novos vendidos na União Europeia (UE) para 95 gCO2/km em 2020. Esta proposta revê, assim, a meta de emissões do anterior Regulamento(1) de 2009 que estabelecia que estes veículos não deveriam emitir mais de 130 gCO2/km em 2015. Estando estas emissões diretamente relacionadas com o consumo de combustível, esta decisão da CE vai também resultar em carros mais eficientes nos próximos anos, sendo por isso benéfica não só para o ambiente mas também para os consumidores e para a economia dos países que importam petróleo.
A nível europeu, as organizações não governamentais de ambiente mostram-se satisfeitas com esta decisão da CE, porque com veículos mais eficientes colocados no mercado europeu será possível reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de CO2 no sector dos transportes. O transporte rodoviário é responsável por 15% das emissões totais de COna Europa e o automóvel corresponde a mais de metade das emissões totais dos transportes. Para além disso, os custos relacionados com o automóvel correspondem a cerca de 13% do orçamento anual das famílias europeias (sobretudo com combustíveis).
Numa altura em que os preços dos combustíveis continuam a bater recordes, um estudo da Greenpeace European Unit - com dados para vários países da União Europeia, incluindo Portugal, e que a Quercus divulgou recentemente - estimou que a meta de emissões de 95 gCO2/km em 2020, agora aprovada pela CE, vai permitir aos condutores portugueses poupar mais de 400 euros em combustível em 2020 e 800 euros em 2030.
As organizações não governamentais europeias apelaram à CE para que esta fosse mais firme e ambiciosa face às pressões da indústria automóvel, que se opunha a estas medidas de redução de emissões deste 2009. Uma meta faseada de emissões médias de CO2 - 80 gCO2/km em 2020 e 60gCO2/km em 2025 – seria possível e tangível, tendo em conta a rápida evolução tecnológica da indústria automóvel verificada nos últimos anos. Com esta meta faseada, os condutores portugueses  poderiam alcançar poupanças em combustível na ordem dos 500 euros anuais em 2020 e mais de 1200 euros em 2030. 
A legislação europeia que regula as emissões de CO2 dos novos veículos apresenta graves lacunas, ao autorizar que, por cada veículo de baixas emissões (incluindo elétricos) vendido, os fabricantes automóveis beneficiem de “super créditos”, ou seja, a permissão de venda de veículos altamente poluentes, sem que as emissões desses veículos sejam contabilizadas no cálculo das emissões médias desse fabricante (usadas para efeito de cumprimento dos limites de emissão).
A Quercus considera também que a CE deveria incentivar as marcas automóveis a colocarem no mercado veículos mais leves, uma vez que a diminuição do seu peso é uma das medidas mais eficazes para a redução do consumo de combustível, com impacto direto nas emissões de CO2.
Para Francisco Ferreira, da Quercus, “este é o momento certo para a indústria automóvel investir em tecnologias mais eficientes, acompanhando o compromisso político assumido pela União Europeia para a redução das emissões de CO2 nos transportes, e será um passo fundamental para cumprir a meta de redução de gases de efeito de estufa dos transportes em 60%, até 2050.”
O representante da Quercus acrescenta ainda que “depois de ter sido apresentado recentemente o Roteiro Nacional de Baixo Carbono onde se prometem medidas para descarbonizar o sector dos transportes, a Ministra do Ambiente deve agora manifestar o seu apoio a esta proposta, já que esta medida é fundamental para melhorar o desempenho ambiental dos veículos automóveis.”