08/02/14

Formação Arcgis, Gestão florestal sustentável, Planos de gestão florestal, e Ecologia, florestal

O Núcleo Regional da Guarda em parceria com a Regibio vai promover 4 ações de formação do programa PRODER no Instituto Politécnico da Guarda a saber:

- Arcgis (14h): 1 e 8 de Março;
- Gestão Florestal Sustentável (30h): 07 a 18 de Março;
- e Planos de Gestão Florestal (25 horas): 19 a 27 de Março.

Os documentos necessários são os seguintes:
- fotocópia do cartão do cidadão ou do BI e cartão de contribuinte;
- certificado de habilitações;
- currículo;
- NIB (onde conste o nome do titular);
- e ficha de inscrição (em anexo).

Os formando têm direito a:
- certificado profissional;
- manuais de formação;
- subsídio de alimentação;
- e subsídio de transporte.

Os interessados devem formalizar a sua inscrição para o email guarda@quercus.pt ao cuidado de Patrícia Gonçalves.
Para mais informações e/ou dúvidas podem contactar através do mesmo e-mail.





A rolha de cortiça é o vosso vedante preferido?



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Um voto a favor da rolha de cortiça!
Cleveland.com é um jornal online do estado de Ohio nos EUA. Recentemente editou umartigo sobre as vantagens e desvantagens de todos os vedantes de vinho conhecidos. O artigo está em inglês e descreve brevemente a rolha de cortiça, a de plástico ou de aglomerado, e os vedantes de metal.
Com o artigo estão a realizar uma sondagem para descortinar se o consumidor está ou não receptivo a beber vinho engarrafado com o vedante artificial screwcap ou tampa de rosca.
A questão que colocam é: Are you disappointed when the bottle of wine you ordered at a restaurant comes with a screw cap?
Neste sentido, apelamos a todos para clicarem aqui para acederem ao artigo e votarem na opção1 - Yes, it ruins the presentation.
Contamos convosco para não sermos surpreendidos com vinhos que não venham tapados com rolha de cortiça.

Comunicado | Quercus denuncia abate de milhares de árvores devido a receio do temporal

Abate de milhares de árvores devido a receio do temporal



A Quercus tem recebido várias denúncias relatando o abate de milhares de árvores que tem ocorrido nos últimos dias junto de diversas estradas, alegadamente por razões de proteção civil, devido ao receio de agravamento das condições meteorológicas.

Estradas de Portugal abatem árvores no litoral alentejano

A empresa Estradas de Portugal está a promover o corte de centenas de pinheiros-mansos de grande dimensão na Estrada Nacional 261 entre Melides e Santiago do Cacém, no litoral alentejano, sem que as árvores apresentassem problemas fitossanitários. O risco de queda de árvores para a Estrada Nacional 261 era reduzido, o que se confirma por aquilo que aconteceu no último inverno dado que, mesmo com as condições meteorológicas adversas que se registaram, as árvores resistiram.

A Quercus questiona qual a fundamentação técnica para a decisão do abate de tantas árvores em bom estado fitossanitário, sem que estas estivessem a pender para a estrada, e apela ao bom senso com a suspensão do abate indiscriminado. 

Corte de árvores também em estradas municipais
 
Existem diversos casos de abates de árvores junto também a estradas municipais, pelo País. A situação que preocupa mais ocorre na Quinta do Conde, município de Sesimbra onde estão a cortar milhares de pinheiros alegadamente por motivos de protecção civil, mas que constitui um exagero dada a falta de fundamentação.

Também na Estrada Nacional 356 junto da Zona Industrial do Casal dos Frades, no concelho de Ourém foram cortados cerca de uma dezena de choupos-brancos e pinheiros-bravos de grande porte, alguns que não apresentavam risco evidente, mas que foram abatidos apenas por prevenção.

A Quercus alerta para a necessidade de ponderação da decisão de abate de árvores públicas com a necessária fundamentação técnica relativa ao estado fitossanitário e análises de risco, por parte das entidades gestoras, sejam as Estradas de Portugal, concessionárias ou municípios, dado que o argumento da protecção civil não justifica decisões sem a devida fundamentação.


Lisboa, 7 de fevereiro de 2014

A Direção Nacional da Quercus – ANCN
A Direção do Núcleo Regional do Litoral Alentejano da Quercus


Para mais esclarecimentos contactar:

Domingos Patacho - Coordenador do Grupo de Trabalho das Florestas da Quercus
Telm: 937 515 218

Dário Cardador - Presidente do Núcleo Regional do Litoral Alentejano da Quercus
Telm: 925 403 833 

07/02/14

Comunicado | Quercus exige a suspensão imediata da construção das barragens nos Rios Tua, Tâmega, Mondego e Vouga

COMUNICADO DE IMPRENSA


Prejuízos no Litoral – Efeitos Nefastos das Barragens
Quercus exige a suspensão imediata da construção das barragens nos Rios Tua, Tâmega, Mondego e Vouga



A Quercus, bem como numerosos especialistas, vêm alertando ao longo dos anos para o efeito negativo das barragens na perda de areia no litoral arenoso e consequente erosão costeira. Infelizmente, os acontecimentos das últimas semanas no litoral português vieram comprovar que é bem visível na costa marítima portuguesa o avanço do processo de erosão. Esta erosão é provocada, em grande parte, pela retenção dos sedimentos (principalmente areias) nas barragens que existem nos nossos rios, impedindo o seu normal curso até ao mar.(1)

Portugal tem já centenas de barragens nos seus rios e a situação actual resulta dos efeitos cumulativos destas barragens que retiveram as areias durante décadas. Na opinião de especialistas, uma parte significativa do litoral arenoso está a entrar num processo de ruptura, pois é insuficiente a quantidade de sedimentos transportados pelos rios, de modo a compensar a areia que é levada pelo mar. Este fenómeno é público e notório e é confirmado pela diminuição drástica dos areais e pelos muitos milhões de euros que têm sido gastos pelo Estado Português a repor artificialmente as areias nas situações mais críticas ou de maior impacto mediático. Nesse sentido, a construção de novas barragens só vai fazer com que a quantidade de areia que chega ao litoral ainda vá diminuir mais.

Os sucessivos governos têm ignorado os avisos dos peritos(2) e dos ambientalistas e defendido os interesses das companhias eléctricas, como a EDP e a IBERDROLA. Se o problema não for atacado pela base, ou seja, se não forem travadas as construções de novas barragens - previstas ou em construção – nos rios Tua, Tâmega, Mondego e Vouga, em apenas uma década o valor gasto na minimização da erosão do litoral ultrapassará de longe os valores das indemnizações a pagar pela não construção das mesmas barragens. Nos últimos três anos, Portugal gastou centenas de milhões de euros na defesa costeira, mas, por outro lado, os resultados operacionais da exploração das barragens continuam apenas a reflectir os lucros imediatos das empresas e a não acomodarem os prejuízos que causam ao país e os custos em que oneram as contas públicas e os contribuintes.

A Quercus advoga pois que seja aumentada de forma significativa a taxa de recursos hídricos para os produtores de energia hidroeléctrica das barragens já existentes, actualmente situada em 0,00002 euros/metro cúbico, de forma a que o Estado possa acomodar o aumento das despesas com a mitigação dos impactes associados à erosão costeira e possa devolver faseadamente pela EDP, pela IBERDROLA e pela ENDESA os valores pagos pelas concessões de novas barragens.

O Governo também está longe de contabilizar as perdas no turismo e no comércio das economias locais de certos municípios, nem está a contabilizar o custo de reparação de edificações e infra-estruturas destruídas pelo mar ao longo de toda a costa.

A Quercus apela aos autarcas e cidadãos dos municípios afectados pela escassez de areia nas praias que façam pressão sobre o Governo de Portugal e exijam o cancelamento imediato da construção das barragens dos Rios Tua, Tâmega, Mondego e Vouga, já que o turismo balnear é gerador de um incremento económico anual de grande relevância local, e mesmo nacional, que não pode ser destruído ao sabor dos interesses das empresas produtoras de energia.

Face à gravidade da situação e ao valor das perdas e prejuízos - já verificados e futuros -, a Quercus exige ao Governo de Portugal a suspensão imediata de todas as barragens previstas ou em construção.

Lisboa, 7 de fevereiro de 2014

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


Para mais informações contactar:
Carla Graça – Vice-presidente da Direção Nacional da Quercus | 93 16 03 256
João Branco – Vice-presidente da Direção Nacional da Quercus | 93 77 88 472


Notas para os editores:

(1) Existe um vídeo produzido pela Quercus, onde se aborda o problema da erosão costeira.
Link: http://vimeo.com/85561849

(2) Avisos dos peritos:
a.    Já em 2009 foi publicado um estudo encomendado pela Comissão Europeia a especialistas internacionais, denominado “Final Report - Technical assessment of the Portuguese National Programme for Dams with High Hydropower Potential (PNBEPH) Phase I and II” (conhecido por relatório ARCADIS), que refere claramente que a construção das novas barragens pode “contribuir significativamente para o processo de erosão costeira”.
Link: http://pt.scribd.com/doc/62703615/Relatorio-da-ARCADIS-sobre-o-Programa-Nacional-das-Barragens

b.    Em declarações à Lusa, o professor Adriano Bordalo e Sá, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, referiu que "o rio Douro tem na sua bacia hidrográfica em Portugal e em Espanha mais de 50 barragens. Há 60 anos estima-se que a quantidade de areia transportada era na ordem dos dois milhões de toneladas por ano e agora, 60 anos depois, com mais de 50 grandes barragens, o caudal sólido está reduzido a 250 mil toneladas. Falta-nos areia vinda de terra para o mar", acrescentou, explicando que as barragens "interrompem o caudal natural da água, mas também dos sedimentos" e que, "ao contrário do que tentam vender, a hidro-electricidade não é verde".
Link: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3214992&page=-1

c.    Em declarações à Antena 1, o cientista Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, apontou as barragens como grande causa do avanço do mar: “A erosão costeira que afecta grande parte da costa portuguesa e que obriga todos os anos a grandes investimentos públicos, é provocada, essencialmente, pelas barragens. Só 20 por cento desse fenómeno é atribuído à subida do nível do mar e às alterações climáticas.”
Link: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=635754&tm=8&layout=123&visual=61

d.    Mais recentemente Carlos Coelho, investigador do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro referiu que: “as alterações climáticas agravam a erosão em apenas cerca de 10%. O principal problema prede-se com a falta de areias por redução de transporte fluvial. A causa não são tanto os molhes, mas as barragens que retêm as areias que vêm dos rios.”
in Jornal de Leiria - 23 de Janeiro de 2014

Comunicado | Quercus lamenta mau exemplo do Estado em oferecer automóveis topo de gama no concurso 'Fatura da Sorte'

COMUNICADO DE IMPRENSA


Automóveis topo de gama - Quercus considera lamentável o exemplo do Estado

5 razões contra uma insustentável 'Fatura da Sorte'


Foi anunciado ontem, dia 6 de fevereiro, pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, que o prémio do concurso “Fatura da Sorte”, para os contribuintes que peçam fatura, consistirá num automóvel novo topo de gama.

A Quercus considera que o prémio escolhido, independentemente do atual contexto de dificuldades económicas que atinge a população portuguesa, dá precisamente um sinal oposto ao que seria desejável num quadro de sensibilização para um consumo mais amigo do ambiente. Em primeiro lugar, a Quercus aproveita para alertar para o facto das compras públicas estarem longe de refletir escolhas sustentáveis (não se obrigando por exemplo à aquisição de papel reciclado ou lâmpadas das mais eficientes).

Em segundo lugar, e há menos de dez dias (a 29 de Janeiro), os Ministros de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, Jorge Moreira da Silva, bem como o já referido Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, deram posse à comissão para a reforma fiscal verde, em Lisboa. É do mais contraditório possível o mesmo Estado que pretende estimular uma fiscalidade mais correta do ponto de vista ambiental, acenar agora com um prémio que, pelo que simboliza e pelo seu efetivo impacte, transmite uma imagem errada, sendo uma oportunidade perdida de apelar a um desenvolvimento mais sustentável.

5 razões insustentáveis de um automóvel topo de gama como prémio

- um automóvel é sempre um estímulo à mobilidade rodoviária individual, uma das causas principais de problemas ambientais do país: demasiadas estradas - muitas delas dispendiosas e desnecessárias, ruído, qualidade do ar, emissões de gases de efeito e estufa, entre outros impactes;
- um automóvel de alta gama simboliza um desnecessário consumo de recursos;
- quando comparado com veículos mais pequenos, um automóvel de alta gama tem uma pegada ecológica muito maior em termos de construção;
- o consumo de combustíveis fósseis de um carro de alta gama é muito mais elevado, com implicações nas emissões de dióxido de carbono (precisamente um fator muito ponderado do ponto de vista ambiental na fiscalidade automóvel);
- caso se trate de um veículo importado, dá o sinal contrário ao que o Estado está a fazer com outras iniciativas de estímulo ao uso nacional de recursos e emprego.

Porque não um veículo elétrico? Finanças deviam pelo menos olhar para escolhas eficientes no site da Quercus:www.topten.pt 

Estando ainda a ser ponderadas algumas decisões quanto às características do automóvel a oferecer, a Quercus sugere que pelo menos se aproveite a oportunidade para que o prémio seja antes um veiculo elétrico. Apesar de se tratar de uma forma de mobilidade individual, tem impactes ambientais muito menores e poderá ser um incentivo ao estímulo da mobilidade elétrica, projeto que está em completa estagnação e já com forte investimento público, devendo no futuro ter um importante papel na sustentabilidade do país em termos de redução de emissões poluentes, em particular nas áreas urbanas.

Mais ainda, a Quercus deixa desde já a sugestão para a escolha de pequenos carros ou de veículos elétricos, entre os dez modelos mais eficientes presentes no mercado português (e que podem ser consultados em www.topten.pt), o que pelo menos pode tornar a escolha do prémio um pouco menos insustentável.

Lisboa, 7 de fevereiro de 2014

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


Para mais informações contactar:
Nuno Sequeira, Presidente da Direção Nacional
937 788 474 | nunosequeira@quercus.pt

Francisco Ferreira, Coordenador do Grupo Energia e Alterações Climáticas
937 788 470 | franciscoferreira@quercus.pt

29/01/14

Newsletter Ecocasa


 

 

Projeto EcoCasa - 10 anos de sensibilização

Foi há 10 anos que o projeto EcoCasa deu os seus primeiros passos, com o objetivo de, por um lado, sensibilizar os cidadãos para a questão das alterações climáticas e, por outro, incentivá-los a um consumo mais racional dos recursos no quotidiano, atuando ao nível da modificação de comportamentos nem áreas como a eficiência energética, a construção sustentável e as energias renováveis.
Atualmente, o projeto alargou o seu âmbito de atuação a outras temáticas, em que se inclui o consumo de água, a mobilidade, o consumo sustentável e a gestão de resíduos.


Ao longo de uma década de existência, o projeto EcoCasa esteve presente em 188 eventos; realizou 185 ações de sensibilização para escolas (abrangendo 9100 alunos e 605 professores); 27 ações para entidades e público em geral, bem como campanhas de alerta para as questões ambientais, quer para a população quer para as entidades governamentais.
Foi ainda motor de outros projetos associados às suas temáticas, dando origem ao Grupo de Energia e Alterações Climáticas da Quercus.
Ao longo deste ano, vamos celebrar os 10 anos do projeto EcoCasa, recordando algumas iniciativas, campanhas e projetos que este grupo de trabalho desenvolveu, bem como iniciativas em que colaborou com outras entidades.



 

Conselho EcoCasa

Consumo de standby e off-mode

Reduza a sua fatura da eletricidade de forma simples, anulando os consumos de standby e off-mode dos seus eletrodomésticos. Desligue os equipamentos sempre no botão em vez de o fazer no comando e, à noite, desligue-os na tomada com botão de corte de corrente, de forma a anular todos os consumos que o equipamento possa ainda ter.
Caso não precise de deixar a box da televisão em modo de gravação, pode também desligá-la da corrente. Atualmente, este é dos equipamentos mais consumidores nas nossas habitações quando não está a ser utilizado.



 

Próximos Eventos

AcquaLiveExpo e EnergyLiveExpo
5 a 7 de Março 2014, Lisboa
Semana da Reabilitação Urbana
19 a 26 de março 2014, Lisboa
 



 Parceiro em Destaque


Parceira desde o início do projeto EcoCasa, a Sapa actua no sector do alumínio, na concepção, desenvolvimento e comercialização de sistemas e soluções para arquitectura e construção, disponibilizando uma ampla gama de produtos para Janelas, Portas, Fachadas, Protecção Solar e Soluções Solares.

 
 www.facebook.com/EcoCasaQuercus      
www.ecocasa.pt

18/01/14

07/01/14

Higro


0. EXPO HIGRO_Viana do Castelo
Projecto HIGRO – Acções demonstrativas para a conservação de habitatsprioritários de montanha no Norte de Portugal
VERSO Folheto desdobrável HIGRO - BR_VF_br
O projecto HIGRO tem como objectivo definir uma metodologia para a recuperação e a conservação activa de dois habitats prioritários da Rede Natura 2000: urzais-tojais [4020 (*Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris Erica tetralix)] e cervunais higrófilos [6230 (*Formações herbáceas de Nardus, ricas em espécies, em substratos siliciosos das zonas montanas (e das zonas submontanas da Europa continental)].  Para verificar quais os métodos que melhor promovem a diversidade de plantas vasculares endémicas/localizadas (e.g. Genista berberidea Gentiana pneumonanthe) e invertebrados ameaçados (e.g. Phengaris alcon), serão executadas várias acções: controle da vegetação arbustiva e herbácea, restauro da hidrologia natural, instalação de vedações amovíveis e promoção do pastoreio de percurso.
Deste modo, pretende-se alcançar um equilíbrio vantajoso do ponto de vista ecológico entre os dois habitats, de forma a manter ou aumentar a sua área de ocupação total e, por conseguinte, contribuir para a implementação da Rede Natura 2000 que visa a conservação a longo prazo de espécies e habitats ameaçados na União Europeia.
O projecto teve início em Setembro de 2010 e termina em Junho de 2014.
    

02/01/14

BALANÇO AMBIENTAL 2013

logo



[-] Projectos turístico-imobiliários, novas obras em Parques Naturais, desinvestimento nas energias renováveis

[+] Recuo no Terminal de Contentores da Trafaria, SILiamb



O ano de 2013 foi marcado pela continuação da crise financeira e económica dos últimos anos e que tem atingido a Europa, e Portugal em particular. Apesar do desafio que uma situação deste tipo representa para a sociedade, num contexto da necessária alteração de comportamentos em prol de uma maior sustentabilidade ambiental, infelizmente, essa mensagem não tem passado de forma eficaz para opinião pública e para os decisores em particular.

A crise financeira que atravessamos actualmente, para além de ter como consequência a diminuição do bem-estar da maior parte da população, tem acabado também por desviar a atenção da opinião pública dos graves problemas ambientais que continuamos a viver, tanto a nível local, como global. Seguindo uma lógica centrada no curto prazo, e muitas vezes sob pressão dos organismos internacionais que condicionam as nossas políticas, tem-se vindo a assistir, também no plano ambiental, a várias decisões pautadas por objetivos imediatistas, ao invés de privilegiar ações com implicações positivas a médio e longo prazo.

Como tem acontecido em anos anteriores, a Quercus faz pois um balanço ambiental relativo ao ano de 2013, selecionando os melhores e os piores factos, e apresentando algumas perspetivas para o ano de 2014.


OS PIORES FACTOS AMBIENTAIS DE 2013


Projectos turístico-imobiliários
Continuam a proliferar intenções de projectos turísticos insustentáveis, um pouco por todo o País, do Litoral Alentejano (Vila Formosa) ao Algarve (Salgados), passando pela Península de Setúbal (Mata de Sesimbra). Estes projectos mais não são que empreendimentos verdadeiramente imobiliários que tentam ultrapassar as restrições impostas pela preservação ambiental, mascarando-se de projectos turísticos "inovadores", normalmente com várias centenas de moradias, para primeira ou segunda residência, e uns campos de golfe para valorizar o empreendimento. É a fórmula da construção civil desenfreada assim reinventada, mas que não consegue disfarçar os milhares de casas novas e por finalizar desocupadas ou devolutas que pululam por todo o Portugal.

Novas obras em áreas protegidas - Barragens de Veiguinhas (Bragança – PN Montesinho) e de Ribeira das Cortes (Covilhã – PN Serra da Estrela) e construção de nova estrada Lamas de Ôlo – Barreiro (Vila Real – PN Alvão)
O ano foi marcado pelo avanço de mais duas obras desnecessárias, decididas com critérios de favorecimento político em período pré-eleitoral autárquico: as Barragens de Veiguinhas e de Ribeira das Cortes, bem como a construção da nova estrada no Parque do Alvão, obras situadas, respectivamente, nos concelhos de Bragança, Covilhã e Vila Real. Todas elas estão situadas em Áreas Protegidas e irão destruir valores naturais significativos, sem que haja qualquer justificação quanto à sua necessidade, e utilizando verbas públicas de forma irresponsável. A Barragem de Veiguinhas possuía alternativas adequadas, como o abastecimento a partir da já existente Albufeira de Azibo situada em Macedo de Cavaleiros, ou realizando o alteamento da barragem de Serra Serrada, em Bragança, evitando assim impactes na zona de vida selvagem mais importante do Parque de Montesinho. A Barragem da Ribeira das Cortes é totalmente dispensável face aos cenários que apontam para uma futura diminuição da população no concelho da Covilhã e também no caso da estrada Lamas de Ôlo – Barreiro, no concelho de Vila Real, poderia ser encontrada uma solução de compromisso para servir as populações locais sem comprometer os valores naturais do Parque Natural do Alvão.

Desinvestimento nas energias renováveis
Portugal tem um enorme potencial para o aproveitamento de diversas formas de produção de energia renovável num futuro onde o peso da energia elétrica na energia final será cada vez maior. Apoiar investimentos descentralizados, com menores impactes ambientais, que gerem economias de escala e a preços mais reduzidos, é fundamental para o país. O Governo, com contas mal feitas e uma lógica de curto prazo, provocou em 2013 a estagnação do sector com consequências ambientais, económicas e sociais negativas para o futuro.

Declaração de Impacte Ambiental favorável ao Projecto de Exploração Mineira da Boa Fé, Évora no Sítio de Importância Comunitária de Monfurado (Rede Natura 2000)
O Governo decidiu viabilizar a instalação de um complexo de exploração de depósitos mineralizados auríferos numa área total de 99,56 hectares na freguesia de Nossa Senhora da Boa Fé, concelho de Évora, estando parte da área projectada dentro do Sítio de Importância Comunitária de Monfurado (Rede Natura 2000). As incertezas próprias das flutuações da cotação do ouro nos mercados internacionais e a falta de garantia da assunção dos riscos e custos associados à implementação de todas as medidas previstas para a requalificação da área, bem como para a prevenção, monitorização e controlo de eventuais situações de acidentes futuros, demonstram que se trata de uma iniciativa arriscada que só poderá vir a trazer, como o histórico da atividade mineira em Portugal tem comprovado, mais custos para os contribuintes num futuro próximo. A crise económica que o país atravessa não deve ser motivo para deixarmos de ser exigentes com a preservação do Ambiente e apostarmos em atividades económicas compatíveis com a conservação dos recursos naturais renováveis, o que certamente não é o caso deste tipo de projetos com grandes riscos e impactes muito consideráveis no património natural do País.

Declaração de Impacte Ambiental favorável ao Plano de Pormenor da Praia Grande (Lagoa dos Salgados)
Mais uma decisão que coloca em causa o desempenho da Secretaria de Estado do Ambiente, ao decidir favoravelmente a pretensão da Finalgarve – uma empresa do que resta da Sociedade Lusa de Negócios – no sentido de permitir a construção do empreendimento turístico da Praia Grande (concelho de Silves), junto à Lagoa dos Salgados. Esta é uma decisão política totalmente errada, criando condições para a destruição de valores naturais importantes de uma das nossas lagunas costeiras mais valiosas, ainda para mais num contexto de excesso de oferta turística na região do Algarve que já está provocar preços baixos e desemprego

Revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional
O processo de revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional é outra má notícia para os que defendem a conservação dos valores naturais em Portugal, já que a decisão do Governo vai permitir a navegação sem regras durante todo o ano nos rios Ponsul e Tejo, em áreas essenciais à reprodução da Cegonha-preta. Tratando-se de um capricho do anterior presidente do Município de Castelo Branco, a Quercus não compreende como é que o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas não se terá mostrado intransigente perante esta ameaça sem precedentes à conservação de uma espécie ameaçada, símbolo do Parque Natural do Tejo Internacional, optando por uma suposta “compatibilização”, que se sabe ser impraticável.

Aprovação do Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização 
Com a aprovação do Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização, em Conselho de Ministros de 30 de Maio, e publicação no DR através do D.L. nº 96/2013, de 19 de Julho, é revogada legislação desde o início do século passado, como o regime florestal, retirando-se condicionantes à plantação de espécies florestais de rápido crescimento próximo de nascentes e terrenos agrícolas cultivados. Este novo Regime vai dificultar a plantação de espécies naturais da floresta portuguesa e facilitar as arborizações de monoculturas de eucaliptal, constituindo-se assim como um retrocesso civilizacional da acção dos serviços florestais.

Incapacidade do Governo para gerir questões dos resíduos
Continuam-se a verificar grandes problemas ao nível da Secretaria de Estado do Ambiente e da Agência Portuguesa do Ambiente na gestão de várias questões ligadas aos resíduos, nomeadamente no enorme atraso nas licenças para as entidades gestoras de embalagens e de outros fluxos, na incapacidade total de controlar a gestão dos Resíduos de Equipamento Eléctrico e Electrónico, na continuação das graves ilegalidades na gestão dos Veículos em Fim de Vida e na definição de metas de reciclagem de resíduos urbanos demasiado baixas para a Lipor e a Valorsul. Continua também a existir uma falta de controlo considerável dos destinos dos resíduos, que tem sobretudo a ver com o enorme atraso na introdução das guias electrónicas.

Poluição do rio Noéme (Guarda) continua
Também ao nível local, várias situações lesivas ao Ambiente continuaram infelizmente a ocorrer em Portugal. O ano de 2013 termina sem que as descargas poluentes, bem visíveis, no troço final do rio Diz (afluente do rio Noéme) tenham chegado ao fim. Foram várias as entidades contactadas ao longo do ano – Câmara Municipal da Guarda, Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Guarda, Águas do Zêzere e Côa, SEPNA, Administração Regional Hidrográfica do Norte, Tribunal Judicial da Comarca da Guarda, Fábrica Tavares – sem que o problema tenha fim. A troca de acusações e de responsabilidades entre a Câmara Municipal da Guarda e a Fábrica Tavares parece ser a principal razão para o problema persistir.

Alteração da legislação de proteção ambiental
O Governo anunciou e tem levado a cabo a alteração de um conjunto muito significativo de alterações legislativas em matéria ambiental, parte das quais já concretizadas ao longo do ano de 2013. Trata-se de uma mudança de fundo no panorama legislativo ambiental e de ordenamento do território, mudança essa à qual tem sido vedada a participação da sociedade civil em geral e, em particular, das diversas ONGA. Não se entende de que forma a articulação entre os vários regimes jurídicos e as alterações que se lhes adivinham poderão ser efetuadas através de um processo transparente e eficaz entre as diversas entidades públicas e privadas, se apenas são ouvidos organismos públicos, com manifesta preterição do princípio da democracia participativa, constitucionalmente consagrado.

Transcrição da Directiva comunitária sobre a utilização de pesticidas
Péssima transcrição da Diretiva 2009/128CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 21/10/2009, que estabelece  um quadro  de  ação  a  nível  comunitário  para  uma  utilização sustentável dos pesticidas, transposta para a ordem jurídica nacional através da Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril. Os objetivos principais da Diretiva são a redução dos riscos do uso dos pesticidas e a implementação da Proteção Integrada por todos os utilizadores de pesticidas até 1/1/2014. Ora, entre outras alterações, foram retiradas quase todas as referências ao modo de proteção integrada, deturpando de forma inaceitável o próprio espírito da Diretiva.


OS MELHORES FACTOS AMBIENTAIS DE 2013


Terminal de Contentores da Trafaria
Após um desastroso processo de imposição de um projecto que ninguém verdadeiramente sabia de que se tratava, dos autarcas envolvidos aos deputados nacionais, eis que o Governo, na pessoa do Secretário de Estado dos Transportes aparenta desistir de um dos maiores erros para o ordenamento do território da Área Metropolitana de Lisboa e para a estratégia portuária nacional. Falta agora definir esta última no quadro do Ordenamento do Espaço Marítimo.

SILiAmb – Sistema Integrado de Licenciamento do Ambiente
O SILiAmb teve origem num sistema anteriormente desenvolvido para os licenciamentos dos recursos hídricos a nível regional, tendo sido expandido a todo o país e a outros contextos, como o dos resíduos. A APA - Agência Portuguesa do Ambiente, I.P num contexto de fusão e de integração dos vários Sistemas de Informação, disponibilizou esta excelente plataforma SILiAmb, a qual permite maior rapidez, eficiência, transparência e simplicidade na relação com os cidadãos e empresas, provando que a legislação ambiental não é um constrangimento e que os problemas existem quase sempre quando as entidades públicas estão mal organizadas e criam burocracias inconcebíveis numa era de desmaterialização.

Água Segura
Segundo o último Relatório Anual dos Serviços de Água e Resíduos em Portugal (RASARP 2012), publicado pela ERSAR, a entidade reguladora do sector, 98% da água fornecida pelos sistemas públicos de abastecimento tem boa qualidade e é segura. A reestruturação do sector da água que agora se prepara deverá ter em conta as diferentes realidades do país e ser implementada de forma a salvaguardar os investimentos feitos e a assegurar a sustentabilidade do sector, não apenas económica, mas também social e ambiental.

60% da energia elétrica consumida em Portugal Continental resultou de produção por fontes renováveis no país
Portugal recolhe os frutos de uma política de investimentos iniciada no princípio do século, que apesar de alguns impactes ambientais reconhecidos, é uma das principais razões para a redução da nossa dependência económica externa, de redução de emissões de gases com efeito de estufa, para além de geradora de emprego. O papel decisivo das renováveis permitiu a Portugal o 3º lugar no índice de desempenho climático dos países desenvolvidos.

Excelente temporada de reprodução do Lince-ibérico em Silves
No Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico, em Silves, nasceram 17 crias, 15 das quais estão neste momento a adquirir comportamentos necessários à sua sobrevivência no meio natural, para assim ficarem aptas para as acções de reintrodução. De salientar que o centro português foi o que teve melhor desempenho no conjunto dos cinco centros de cria da espécie existentes no Programa Ibérico. Tendo em conta que as áreas a seleccionar devem reunir condições suficientes para potencialmente albergar uma população de lince viável no futuro, nomeadamente disponibilidade de alimento e habitat adequado, situação que está longe de acontecer neste momento, parece-nos prematura e despropositada a intenção política de realizar a primeira reintrodução já em 2014.

Plano dos Resíduos Urbanos (PERSU) prevê reciclagem de 50% em 2020
O novo Plano dos Resíduos Urbanos para 2020 prevê metas ambiciosas de reciclagem, mas perfeitamente exequíveis, uma vez que pela primeira vez um plano deste género reconhece a importância do Tratamento Mecânico e Biológico para se aumentar a reciclagem. Também reforça a importância da recolha seletiva porta-a-porta e do sistema PAYT (pagar em função dos resíduos produzidos).


PERSPETIVAS AMBIENTAIS PARA 2014


Plano de Mobilidade Nacional
Continua a não existir um plano de mobilidade nacional, que se centre nas questões graves por resolver nos grandes centros urbanos e nas áreas metropolitanas e também na ligação com o interior. O País continua a deriva para o transporte rodoviário individual, agravando a sua dependência energética do exterior e falhando rotundamente a necessidade de uma adaptação a uma realidade pós-petróleo. Urge o reforço e a reinvenção da ferrovia e do transporte marítimo de passageiros e de formas de transporte alternativo e ligeiro nas grandes cidades. Há iniciativas tímidas, mas muito ainda a fazer.

Convénio de Albufeira no novo ciclo de planeamento
Encontramo-nos agora em pleno segundo ciclo de planeamento na área dos recursos hídricos. Os segundos Planos de Gestão de Região Hidrográfica encontram-se em elaboração e deverão ser em breve colocados em discussão pública. Simultaneamente, Espanha delibera unilateralmente proceder ao reforço do Transvase Tejo-Segura, de forma expedita e sem inclusão nos seus Planos. Como será então possível uma gestão partilhada das bacias hidrográficas comuns - Minho, Douro, Tejo e Guadiana? É urgente renegociar o Convénio de Albufeira e impor caudais ecológicos, urgência tão mais premente quanto as disponibilidades hídricas tendem a diminuir significativamente face às alterações climáticas.

Entrada em vigor do novo Quadro Comunitário de apoio a Portugal
Encontrando-se na recta final as negociações em relação ao Acordo de Parceria para os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento 2014-2020, entre Portugal e a Comissão Europeia, o qual definirá as principais linhas orientadoras, compromissos assumidos e resultados pretendidos para a utilização dos fundos, a Quercus espera que esta não seja mais uma oportunidade perdida para debelar alguns dos problemas que continuam inexplicavelmente a subsistir no nosso país. Alguns desses problemas ambientais que urge resolver passam pela ausência de tratamento de águas residuais de aglomerados populacionais e pelos passivos ambientais resultantes da actividade industrial, mas também pela falta de investimentos na ferrovia e na mobilidade sustentável, nas energias renováveis e na eficiência energética, na promoção da reciclagem de resíduos a níveis aceitáveis, e na conservação dos valores naturais, com especial enfoque na conservação das Áreas Classificadas (Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Sítios RAMSAR), evitando também o financiamento público de projectos lesivos para o Ambiente.

Crise, energia e clima
Em contexto de crise, as emissões poluentes, nomeadamente de gases com efeito de estufa, têm vindo a diminuir, desde o setor dos transportes ao setor industrial e também doméstico. Porém, é vital que em 2014, com uma eventual retoma económica, estejamos preparados para promover um desenvolvimento apostado na redução de consumos, na eficiência energética, em simultâneo com a melhoria da qualidade de vida. 2014 será também um ano fundamental para um futuro acordo climático em 2015, e é crucial que Portugal assuma as posições políticas mais adequadas a um desenvolvimento sustentável.

Acompanhamento efetivo da fase de pós-avaliação dos projectos sujeitos a AIA por parte das autoridades públicas.
O acompanhamento da fase de pós-avaliação de projectos sujeitos a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) por parte das autoridades públicas, em particular por parte da APA – Agência Portuguesa do Ambiente e do ICNF – Instituto da Conservação Natureza e das Florestas, tem sido confrangedor. A Quercus desconhece mesmo se existe ou não algum tipo de acompanhamento regular das medidas de monitorização, minimização e compensação previstas aquando de Declarações de Impacte Ambiental favoráveis ou favoráveis condicionadas a projectos com implicações negativas no ambiente, e em especial na biodiversidade. Espera-se pois que, com a publicação da nova legislação que estabelece o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental, em Outubro último, haja uma maior preocupação por parte das autoridades públicas com uma das áreas mais importantes da política pública de Ambiente.

Estabilidade e firmeza das políticas ambientais em Portugal
Cerca de dois anos e meio após este Governo ter iniciado funções, os resultados conseguidos na área do Ambiente estão aquém das expectativas. Levaram-se dois anos na preparação, reestruturação e adaptação numa aposta num MAMAOT que não foi ganha, não só devido a questões logísticas e burocráticas, mas também devido a várias decisões tomadas em sentido errado. Se juntarmos a isto, toda a instabilidade política e técnica que marcou a primeira metade do mandato do Governo na área do Ambiente, percebemos facilmente que este tema não se conseguiu assumir como um tema estruturante, com a força que seria necessária e de acordo com o prometido inicialmente. Depois do Governo, em Julho último, ter introduzido alterações orgânicas significativas na área do Ambiente, dividindo as competências do anterior MAMAOT pelos actuais Ministério da Agricultura e do Mar e Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia espera-se que seja finalmente possível encontrar alguma estabilidade e soluções mais robustas e eficazes, que devolvam o peso necessário às temáticas ambientais na nossa sociedade e, sobretudo, garantam acções mais firmes e eficazes em torno destas questões.

Floresta e incêndios
Com a aprovação do novo Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização, as perspectivas do desenvolvimento sustentável da floresta portuguesa ao nível das políticas públicas são quase inexistentes, com a provável expansão das monoculturas do eucalipto, e a ausência de faixas de contenção ao fogo com outras espécies mais resistentes, sendo assim de prever que os impactes ambientais dos incêndios florestais continuem a ser preocupantes.

Privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF)
Apesar da determinação do Governo em avançar para a privatização da EGF, sub-holding da Águas de Portugal para o negócio dos resíduos sólidos urbanos, espera-se que em 2014 possa imperar o bom senso e que a proposta seja melhor avaliada, na medida em que para além da incapacidade demonstrada pelo Ministério do Ambiente em gerir o dossier, existem riscos ambientais consideráveis associados a uma privatização deste tipo.

Ano Internacional da Agricultura Familiar
Naquele que será o Ano Internacional da Agricultura Familiar, espera-se em 2014 conseguir aumentar a visibilidade da agricultura familiar e dos pequenos agricultores, e sensibilizar a população mundial para alguns aspectos tão importantes deste tipo de agricultura, que passam pelo papel relevante que desempenha na erradicação da fome e pobreza, pela melhora dos meios de subsistência das populações, pela correcta gestão dos recursos naturais, e pela proteção do Ambiente e do desenvolvimento sustentável.

Reforço da produção agrícola nacional mas de forma sustentável
De acordo com as intenções anunciadas pelo Governo, 2014 deverá ser um ano em que a produção agrícola nacional deverá continuar a ter um incremento, como forma do país ultrapassar muitas das carências que revela ao nível da produção de alimentos e aumentar as nossas exportações. Sendo esta sem dúvida umas das áreas onde podemos e devemos investir, é contudo fundamental acautelar impactes no Ambiente, tanto a curto como a médio/longo prazo e como tal adotar critérios exigentes ao nível daquilo que deverá ser a produção a desenvolver, com produtos de qualidade, respeitadores do Ambiente e de preferência em modos de produção menos intensivos e mais sustentáveis, nome
adamente o modo de produção biológico.

Lisboa, 30 de dezembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza



Para mais esclarecimentos contactar:

Nuno Sequeira, Presidente da Direção Nacional, 93 778 84 74
Carla Graça, Vice-Presidente da Direção Nacional, 93 160 32 56

01/01/14

Comunicado fim de ano do Núcleo Regional da Guarda da Quercus – A.N.C.N. - Poluição do rio Noéme continua

O ano de 2013 termina sem que as descargas poluentes, bem visíveis, no troço final do rio Diz (afluente do rio Noéme) tenham chegado ao fim.

Recordemos aqui as palavras do ex-presidente da Câmara Municipal da Guarda numa reunião com a Quercus em meados de Abril deste ano “(…) até final de Abril deste ano o problema
estará resolvido (…)”. É caso para perguntar Abril de que ano?

A queixa apresentada junto do SEPNA em Maio teve por parte deste organismo uma resposta imediata, deslocando-se uma equipa ao local das sucessivas descargas e bem conhecido de todos. No entanto o auto encaminhado para a Administração da Região Hidrográfica do Norte, no final de Maio, ainda não obteve até ao momento qualquer resposta. E não foi por falta de insistência. Em Agosto esta entidade foi contactada por telefone ao que responderam que até ao momento estavam a tratar de casos de 2012. Em Outubro foi dirigida à mesma entidade uma carta sem que houvesse resposta até ao momento. É caso para perguntar pode o ambiente continuar à espera?

Em Agosto houve uma tentativa de diálogo com a empresa Tavares. No entanto não chegamos a receber qualquer resposta ao ofício enviado levando-nos a deslocar pessoalmente em Outubro à fábrica e conversar com um dos representantes da fábrica que entretanto acabava de chegar. Foi-nos dito que o problema não é da fábrica mas sim da Câmara Municipal.

Em 2013 foi construída nas imediações da fábrica Tavares uma estação elevatória – aparentemente a solução do problema – no entanto chegados a Dezembro continuamos a ser informados pela empresa Águas do Zêzere e Côa que a estação ainda não está terminada pelo que os efluentes ainda não são encaminhados para a ETAR de S. Miguel para correcto tratamento. É caso para perguntar o que falta?

Que novidades haverá em 2014 do rio Noéme?

Guarda, 30 de Dezembro de 2013

A Direcção do Núcleo Regional da Guarda da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Contactos: Bruno Almeida – 931 104 568
 

26/12/13

Postais e Objectos de Natal Reciclados em Exposição

 


Está patente na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira uma exposição de postais de Natal e objetos de natal reciclados produzidos por escolas e entidades do concelho de Gouveia.
A exposição é o resultado do concurso Postal de Natal Ecológico e da atividade Objetos de Natal reciclados promovida pelo Município de Gouveia, em parceria com o Planalto Beirão e Quercus. Estão expostos 39 postais de natal reciclados, produzidos por alunos e escolas do concelho de Gouveia, e 27 objetos de natal.

O objetivo destas iniciativas visam, para alem de publicitar os trabalhos, incentivar a separação de resíduos, promover a criatividade na conceção de “trabalhos” artísticos, estimular a reutilização de resíduos e promover a proteção do meio ambiente. A exposição pode ser apreciada na sala infantil da Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira até ao dia 15 de Janeiro de 2014.

23/12/13

Quercus presente no Espaço dos Sentidos

A Quercus esteve presente na loja "Espaço dos Sentidos" no Vivaci no âmbito da iniciativa promovida pela Câmara Municipal da Guarda "Guarda Ar de Natal". Este espaço fechou hoje as suas portas não sem antes entregar aos vários participantes e artesãos da região um certificado de participação e o montante angariado pelas suas vendas.

Ficam algumas fotografias do workshop dinamizado no passado dia 18 de Dezembro de reutilização de construção de eco-enfeites.















Fica também a fotografia de parte da direcção do Núcleo que estiveram presentes hoje na sessão de encerramento.




18/12/13

COMUNICADO DE IMPRENSA




Anúncio ocorreu hoje em Bruxelas no final do Ano Europeu do Ar
Quercus considera que Pacote Europeu sobre Ar não é um presente de Natal antecipado



A Comissão Europeia propôs hoje, com grande atraso, o seu pacote legislativo para melhorar a qualidade do ar na Europa[1]. A Quercus e o Secretariado Europeu de Ambiente (EEB), federação da qual a Quercus é membro, acolheram favoravelmente a proposta destinada a lidar com o maior problema de saúde ambiental da atualidade, apesar de lamentarem a falta geral de ambição deste pacote.


A proposta de revisão da Diretiva relativa aos tetos nacionais de emissões, que estabelece limites de emissão globais por país para diversos poluentes atmosféricos (como dióxido de enxofre, óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis, amónia, responsáveis por fenómenos como acidificação, eutrofização e ozono troposférico), tipifica essa abordagem sem brilho. 

Apesar da Quercus/EEB saudarem em particular as propostas de ação sobre as emissões de amónia e metano, todas as novas metas propostas aplicam-se apenas a partir de 2030 e comprometem os Estados-Membros a fazer apenas uma parte do que é possível e necessário para atingir a qualidade do ar aceitável.

Louise Duprez do EEB considera que "este é um primeiro passo na direção certa, mas é um paradoxo que todo o ano tenha sido marcado por repetidos apelos de cientistas para uma ação urgente. A resposta da Comissão é ‘sim’, mas não antes de 2030. Este atraso vai resultar num grande número de mortes prematuras na Europa, completamente evitáveis."

A revisão da legislação da qualidade do ar é há muito aguardada e extremamente necessária. A poluição do ar causa mais de 400 000 mortes prematuras por ano e 2013 foi o ano em que a Organização Mundial da Saúde (OMS)[2] incluiu a poluição do ar no grupo dos grandes fatores de risco do cancro, especialmente cancro do pulmão.

A poluição do ar também afeta os ecossistemas da Europa, com dois terços dos locais protegidos da rede Natura 2000 da UE atualmente sob ameaça grave[3]. Em 2010, os custos económicos da poluição do ar foram estimados entre 330 e 940 mil milhões de euros.[4]

Um estudo publicado na revista The Lancet, na semana passada, identificou que existe um elevado risco de mortalidade precoce, mesmo dentro dos limites estabelecidos pela UE[5]. Isso é extremamente preocupante - 90% das pessoas que vivem nas cidades estão expostas a níveis de poluentes que os especialistas consideram perigosos, nomeadamente partículas finas (PM2.5) e ozono. Ainda assim, a Comissão Europeia não considerou necessário alinhar os limites de qualidade do ar da UE com as mais recentes recomendações da ciência, nem definir um cronograma claro para fazê-lo.

Em outras áreas, não é apenas o nível de ambição que decepciona, mas também o alcance. Embora sejam bem-vindas medidas propostas para lidar com as emissões provenientes de instalações de combustão de média dimensão entre 1 e 50 MW, outros setores, como o transporte marítimo, automóveis e máquinas não rodoviárias, permanecem negligenciados.

Mafalda Sousa da Quercus concluiu que “resta agora ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros, como Portugal, melhorar esta legislação para alcançar níveis mais baixos de poluição que são necessários para proteger a saúde dos portugueses, dos europeus e do ambiente."

Para Portugal, os limites fixados para 2030 são muito exigentes no que respeita particularmente aos óxidos de azoto e partículas finas, o que significa que os setores da produção de energia elétrica (com a necessidade de mais renováveis) e dos transportes (com a promoção de uma mobilidade mais sustentável) serão decisivos para conseguirmos atingir o proposto.

Lisboa/Bruxelas, 18 de dezembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza



Para mais informações:

Mafalda Sousa | +351 213 462 210 | mafaldasousa@quercus.pt

16/10/13

Comunicado | Governo prepara legislação que diminui proteção legal do sobreiro - Quercus exige explicações

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COMUNICADO DE IMPRENSA

Quercus quer explicações do Ministério da Agricultura e do Mar

Governo prepara legislação que diminui proteção legal do sobreiro



O Sobreiro (Quercus suber) – árvore nacional de Portugal – tem grande importância ecológica pois forma ecossistemas com elevada biodiversidade como os sobreirais e o montado de sobro. É também sobejamente conhecida a importância económica do sector suberícola, com impactos muito positivos no PIB e nas exportações.

É em Portugal que se encontra o ótimo ecológico do sobreiro e esta espécie aparece distribuída por todo o território continental nacional, exceto em altitudes elevadas e zonas com temperaturas muito baixas no Inverno.

A Quercus mostra-se bastante preocupada com a possível alteração da legislação de proteção do sobreiro, atualmente em preparação pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Conforme veiculado na imprensa, uma das questões em causa é a simplificação do processo de autorização de corte, bastando uma comunicação ao ICNF, sempre que os sobreiros não estejam integrados em povoamentos.

A Quercus considera que esta alteração da legislação põe em causa uma percentagem substancial dos sobreiros adultos que se encontram em plena produção, principalmente nas regiões do Alentejo, Ribatejo e Trás-os-Montes e Alto Douro.

O Sobreiro é uma espécie florestal autóctone de crescimento lento e só começa a dar cortiça com maior valor económico cerca dos 40 anos de idade. Facilitar o corte de sobreiros adultos em produção é desbaratar a herança que nos foi deixada pelas gerações anteriores.

A Quercus já solicitou esclarecimentos ao ICNF sobre a proposta de alteração da legislação há cerca um mês, não tendo obtido até à data qualquer resposta por parte deste organismo.

O Decreto-Lei n.º169/2001, de 25 de Maio, reconhece a importância ambiental e económica dos sobreiros e das azinheiras. Os povoamentos destas espécies, nomeadamente os sistemas com aproveitamento agro-silvopastoril, conhecidos vulgarmente por “montados” incluem alguns dos habitats mais importantes de Portugal Continental em termos de conservação da natureza, desempenhando, pela sua adaptação às condições edafoclimáticas do Sul do País, uma importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água.

Esta alteração na legislação, a confirmar-se, contribuiria para a degradação de um ecossistema de elevada importância ambiental colocando em risco uma atividade económica em que Portugal é líder mundial – a cortiça.

A Quercus teme que esta legislação esteja a ser preparada para facilitar a instalação de monoculturas agrícolas e florestais intensivas como os eucaliptais, que são já os povoamentos que maior área ocupam em Portugal.

Por tudo isto, a Quercus exige do Governo as necessárias explicações.

Lisboa, 16 de outubro de 2013

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Apresentação do projecto CASAS | 2.ª feira dia 21 de Outubro | Café Martuccis

Irá decorrer na próxima 2.ª feira, dia 21 de Outubro  a partir das 19h30 no café Martuccis, a apresentação do projecto CASAS (Clube de Alimentação Saudável e de Agricultura Sustentável).
Trata-se de um projecto sediado na Covilhã que se dá a conhecer à Guarda.
O projecto tem por base promover a economia local, a protecção do meio ambiente e a coesão das comunidades.


“Enquanto consumidores, todos nós temos um poder de decisão sobre o que comprar. Como a nossa sociedade actual está muito estruturada sobre a economia, as nossas escolhas nas compras têm um impacto enorme sobre a qualidade do meio ambiente, sobre o número de empregos nas regiões, sobre a coesão das comunidades locais, etc.

Quando seleccionamos as nossas compras damos poder a quem produz e à forma como se produz. Assim, ao preferir produtos locais estamos a decidir que o nosso dinheiro fica na nossa região, de forma a não ocorrer uma drenagem de riqueza. Ao optarmos por produtos provenientes de modos de produção mais sustentáveis estamos a contribuir para um melhor meio ambiente. Podemos fazer isto individualmente, mas o impacto será muito reduzido, ao fazermos de uma forma coordenada com outras pessoas, o efeito sobre a economia e o ecossistema será muito maior.

Assim o CASAS permite criar uma procura coordenada por produtos agrícolas locais, com efeito positivo no ambiente e nas comunidades locais. Coloca em contacto produtores e consumidores, eliminando os intermediários, obtendo-se assim melhores preços.

Este projecto teve início em Novembro de 2012 na Covilhã, com as encomendas a serem efectuadas por mail. Agora o Clube vai entrar numa nova fase, com a abertura de uma loja nesta cidade. Este modelo poderá ser implementado em qualquer outro local.”

01/10/13

Próximas actividades do Núcleo Regional da Guarda

2 workshops com Dr.ª Isabel Costa
05/10/2013 | 10h00 - 13h00 e 15h00 - 18h00 
Quinta da Maúnça 


7.ª Caminhada pela Quercus + fim-de-semana Europeu de observação de aves
06/10/2013 | 8h30 - 14h00 
Sabugal 


Workshop de cozinha vegetariana
12/10/2013 | 14h30 - 20h00 
Quinta da Maunça 

Inscrições/informações através do e-mail guarda@quercus.pt ou do tlm. 931 104 568.