02/01/14

BALANÇO AMBIENTAL 2013

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[-] Projectos turístico-imobiliários, novas obras em Parques Naturais, desinvestimento nas energias renováveis

[+] Recuo no Terminal de Contentores da Trafaria, SILiamb



O ano de 2013 foi marcado pela continuação da crise financeira e económica dos últimos anos e que tem atingido a Europa, e Portugal em particular. Apesar do desafio que uma situação deste tipo representa para a sociedade, num contexto da necessária alteração de comportamentos em prol de uma maior sustentabilidade ambiental, infelizmente, essa mensagem não tem passado de forma eficaz para opinião pública e para os decisores em particular.

A crise financeira que atravessamos actualmente, para além de ter como consequência a diminuição do bem-estar da maior parte da população, tem acabado também por desviar a atenção da opinião pública dos graves problemas ambientais que continuamos a viver, tanto a nível local, como global. Seguindo uma lógica centrada no curto prazo, e muitas vezes sob pressão dos organismos internacionais que condicionam as nossas políticas, tem-se vindo a assistir, também no plano ambiental, a várias decisões pautadas por objetivos imediatistas, ao invés de privilegiar ações com implicações positivas a médio e longo prazo.

Como tem acontecido em anos anteriores, a Quercus faz pois um balanço ambiental relativo ao ano de 2013, selecionando os melhores e os piores factos, e apresentando algumas perspetivas para o ano de 2014.


OS PIORES FACTOS AMBIENTAIS DE 2013


Projectos turístico-imobiliários
Continuam a proliferar intenções de projectos turísticos insustentáveis, um pouco por todo o País, do Litoral Alentejano (Vila Formosa) ao Algarve (Salgados), passando pela Península de Setúbal (Mata de Sesimbra). Estes projectos mais não são que empreendimentos verdadeiramente imobiliários que tentam ultrapassar as restrições impostas pela preservação ambiental, mascarando-se de projectos turísticos "inovadores", normalmente com várias centenas de moradias, para primeira ou segunda residência, e uns campos de golfe para valorizar o empreendimento. É a fórmula da construção civil desenfreada assim reinventada, mas que não consegue disfarçar os milhares de casas novas e por finalizar desocupadas ou devolutas que pululam por todo o Portugal.

Novas obras em áreas protegidas - Barragens de Veiguinhas (Bragança – PN Montesinho) e de Ribeira das Cortes (Covilhã – PN Serra da Estrela) e construção de nova estrada Lamas de Ôlo – Barreiro (Vila Real – PN Alvão)
O ano foi marcado pelo avanço de mais duas obras desnecessárias, decididas com critérios de favorecimento político em período pré-eleitoral autárquico: as Barragens de Veiguinhas e de Ribeira das Cortes, bem como a construção da nova estrada no Parque do Alvão, obras situadas, respectivamente, nos concelhos de Bragança, Covilhã e Vila Real. Todas elas estão situadas em Áreas Protegidas e irão destruir valores naturais significativos, sem que haja qualquer justificação quanto à sua necessidade, e utilizando verbas públicas de forma irresponsável. A Barragem de Veiguinhas possuía alternativas adequadas, como o abastecimento a partir da já existente Albufeira de Azibo situada em Macedo de Cavaleiros, ou realizando o alteamento da barragem de Serra Serrada, em Bragança, evitando assim impactes na zona de vida selvagem mais importante do Parque de Montesinho. A Barragem da Ribeira das Cortes é totalmente dispensável face aos cenários que apontam para uma futura diminuição da população no concelho da Covilhã e também no caso da estrada Lamas de Ôlo – Barreiro, no concelho de Vila Real, poderia ser encontrada uma solução de compromisso para servir as populações locais sem comprometer os valores naturais do Parque Natural do Alvão.

Desinvestimento nas energias renováveis
Portugal tem um enorme potencial para o aproveitamento de diversas formas de produção de energia renovável num futuro onde o peso da energia elétrica na energia final será cada vez maior. Apoiar investimentos descentralizados, com menores impactes ambientais, que gerem economias de escala e a preços mais reduzidos, é fundamental para o país. O Governo, com contas mal feitas e uma lógica de curto prazo, provocou em 2013 a estagnação do sector com consequências ambientais, económicas e sociais negativas para o futuro.

Declaração de Impacte Ambiental favorável ao Projecto de Exploração Mineira da Boa Fé, Évora no Sítio de Importância Comunitária de Monfurado (Rede Natura 2000)
O Governo decidiu viabilizar a instalação de um complexo de exploração de depósitos mineralizados auríferos numa área total de 99,56 hectares na freguesia de Nossa Senhora da Boa Fé, concelho de Évora, estando parte da área projectada dentro do Sítio de Importância Comunitária de Monfurado (Rede Natura 2000). As incertezas próprias das flutuações da cotação do ouro nos mercados internacionais e a falta de garantia da assunção dos riscos e custos associados à implementação de todas as medidas previstas para a requalificação da área, bem como para a prevenção, monitorização e controlo de eventuais situações de acidentes futuros, demonstram que se trata de uma iniciativa arriscada que só poderá vir a trazer, como o histórico da atividade mineira em Portugal tem comprovado, mais custos para os contribuintes num futuro próximo. A crise económica que o país atravessa não deve ser motivo para deixarmos de ser exigentes com a preservação do Ambiente e apostarmos em atividades económicas compatíveis com a conservação dos recursos naturais renováveis, o que certamente não é o caso deste tipo de projetos com grandes riscos e impactes muito consideráveis no património natural do País.

Declaração de Impacte Ambiental favorável ao Plano de Pormenor da Praia Grande (Lagoa dos Salgados)
Mais uma decisão que coloca em causa o desempenho da Secretaria de Estado do Ambiente, ao decidir favoravelmente a pretensão da Finalgarve – uma empresa do que resta da Sociedade Lusa de Negócios – no sentido de permitir a construção do empreendimento turístico da Praia Grande (concelho de Silves), junto à Lagoa dos Salgados. Esta é uma decisão política totalmente errada, criando condições para a destruição de valores naturais importantes de uma das nossas lagunas costeiras mais valiosas, ainda para mais num contexto de excesso de oferta turística na região do Algarve que já está provocar preços baixos e desemprego

Revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional
O processo de revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional é outra má notícia para os que defendem a conservação dos valores naturais em Portugal, já que a decisão do Governo vai permitir a navegação sem regras durante todo o ano nos rios Ponsul e Tejo, em áreas essenciais à reprodução da Cegonha-preta. Tratando-se de um capricho do anterior presidente do Município de Castelo Branco, a Quercus não compreende como é que o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas não se terá mostrado intransigente perante esta ameaça sem precedentes à conservação de uma espécie ameaçada, símbolo do Parque Natural do Tejo Internacional, optando por uma suposta “compatibilização”, que se sabe ser impraticável.

Aprovação do Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização 
Com a aprovação do Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização, em Conselho de Ministros de 30 de Maio, e publicação no DR através do D.L. nº 96/2013, de 19 de Julho, é revogada legislação desde o início do século passado, como o regime florestal, retirando-se condicionantes à plantação de espécies florestais de rápido crescimento próximo de nascentes e terrenos agrícolas cultivados. Este novo Regime vai dificultar a plantação de espécies naturais da floresta portuguesa e facilitar as arborizações de monoculturas de eucaliptal, constituindo-se assim como um retrocesso civilizacional da acção dos serviços florestais.

Incapacidade do Governo para gerir questões dos resíduos
Continuam-se a verificar grandes problemas ao nível da Secretaria de Estado do Ambiente e da Agência Portuguesa do Ambiente na gestão de várias questões ligadas aos resíduos, nomeadamente no enorme atraso nas licenças para as entidades gestoras de embalagens e de outros fluxos, na incapacidade total de controlar a gestão dos Resíduos de Equipamento Eléctrico e Electrónico, na continuação das graves ilegalidades na gestão dos Veículos em Fim de Vida e na definição de metas de reciclagem de resíduos urbanos demasiado baixas para a Lipor e a Valorsul. Continua também a existir uma falta de controlo considerável dos destinos dos resíduos, que tem sobretudo a ver com o enorme atraso na introdução das guias electrónicas.

Poluição do rio Noéme (Guarda) continua
Também ao nível local, várias situações lesivas ao Ambiente continuaram infelizmente a ocorrer em Portugal. O ano de 2013 termina sem que as descargas poluentes, bem visíveis, no troço final do rio Diz (afluente do rio Noéme) tenham chegado ao fim. Foram várias as entidades contactadas ao longo do ano – Câmara Municipal da Guarda, Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Guarda, Águas do Zêzere e Côa, SEPNA, Administração Regional Hidrográfica do Norte, Tribunal Judicial da Comarca da Guarda, Fábrica Tavares – sem que o problema tenha fim. A troca de acusações e de responsabilidades entre a Câmara Municipal da Guarda e a Fábrica Tavares parece ser a principal razão para o problema persistir.

Alteração da legislação de proteção ambiental
O Governo anunciou e tem levado a cabo a alteração de um conjunto muito significativo de alterações legislativas em matéria ambiental, parte das quais já concretizadas ao longo do ano de 2013. Trata-se de uma mudança de fundo no panorama legislativo ambiental e de ordenamento do território, mudança essa à qual tem sido vedada a participação da sociedade civil em geral e, em particular, das diversas ONGA. Não se entende de que forma a articulação entre os vários regimes jurídicos e as alterações que se lhes adivinham poderão ser efetuadas através de um processo transparente e eficaz entre as diversas entidades públicas e privadas, se apenas são ouvidos organismos públicos, com manifesta preterição do princípio da democracia participativa, constitucionalmente consagrado.

Transcrição da Directiva comunitária sobre a utilização de pesticidas
Péssima transcrição da Diretiva 2009/128CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 21/10/2009, que estabelece  um quadro  de  ação  a  nível  comunitário  para  uma  utilização sustentável dos pesticidas, transposta para a ordem jurídica nacional através da Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril. Os objetivos principais da Diretiva são a redução dos riscos do uso dos pesticidas e a implementação da Proteção Integrada por todos os utilizadores de pesticidas até 1/1/2014. Ora, entre outras alterações, foram retiradas quase todas as referências ao modo de proteção integrada, deturpando de forma inaceitável o próprio espírito da Diretiva.


OS MELHORES FACTOS AMBIENTAIS DE 2013


Terminal de Contentores da Trafaria
Após um desastroso processo de imposição de um projecto que ninguém verdadeiramente sabia de que se tratava, dos autarcas envolvidos aos deputados nacionais, eis que o Governo, na pessoa do Secretário de Estado dos Transportes aparenta desistir de um dos maiores erros para o ordenamento do território da Área Metropolitana de Lisboa e para a estratégia portuária nacional. Falta agora definir esta última no quadro do Ordenamento do Espaço Marítimo.

SILiAmb – Sistema Integrado de Licenciamento do Ambiente
O SILiAmb teve origem num sistema anteriormente desenvolvido para os licenciamentos dos recursos hídricos a nível regional, tendo sido expandido a todo o país e a outros contextos, como o dos resíduos. A APA - Agência Portuguesa do Ambiente, I.P num contexto de fusão e de integração dos vários Sistemas de Informação, disponibilizou esta excelente plataforma SILiAmb, a qual permite maior rapidez, eficiência, transparência e simplicidade na relação com os cidadãos e empresas, provando que a legislação ambiental não é um constrangimento e que os problemas existem quase sempre quando as entidades públicas estão mal organizadas e criam burocracias inconcebíveis numa era de desmaterialização.

Água Segura
Segundo o último Relatório Anual dos Serviços de Água e Resíduos em Portugal (RASARP 2012), publicado pela ERSAR, a entidade reguladora do sector, 98% da água fornecida pelos sistemas públicos de abastecimento tem boa qualidade e é segura. A reestruturação do sector da água que agora se prepara deverá ter em conta as diferentes realidades do país e ser implementada de forma a salvaguardar os investimentos feitos e a assegurar a sustentabilidade do sector, não apenas económica, mas também social e ambiental.

60% da energia elétrica consumida em Portugal Continental resultou de produção por fontes renováveis no país
Portugal recolhe os frutos de uma política de investimentos iniciada no princípio do século, que apesar de alguns impactes ambientais reconhecidos, é uma das principais razões para a redução da nossa dependência económica externa, de redução de emissões de gases com efeito de estufa, para além de geradora de emprego. O papel decisivo das renováveis permitiu a Portugal o 3º lugar no índice de desempenho climático dos países desenvolvidos.

Excelente temporada de reprodução do Lince-ibérico em Silves
No Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico, em Silves, nasceram 17 crias, 15 das quais estão neste momento a adquirir comportamentos necessários à sua sobrevivência no meio natural, para assim ficarem aptas para as acções de reintrodução. De salientar que o centro português foi o que teve melhor desempenho no conjunto dos cinco centros de cria da espécie existentes no Programa Ibérico. Tendo em conta que as áreas a seleccionar devem reunir condições suficientes para potencialmente albergar uma população de lince viável no futuro, nomeadamente disponibilidade de alimento e habitat adequado, situação que está longe de acontecer neste momento, parece-nos prematura e despropositada a intenção política de realizar a primeira reintrodução já em 2014.

Plano dos Resíduos Urbanos (PERSU) prevê reciclagem de 50% em 2020
O novo Plano dos Resíduos Urbanos para 2020 prevê metas ambiciosas de reciclagem, mas perfeitamente exequíveis, uma vez que pela primeira vez um plano deste género reconhece a importância do Tratamento Mecânico e Biológico para se aumentar a reciclagem. Também reforça a importância da recolha seletiva porta-a-porta e do sistema PAYT (pagar em função dos resíduos produzidos).


PERSPETIVAS AMBIENTAIS PARA 2014


Plano de Mobilidade Nacional
Continua a não existir um plano de mobilidade nacional, que se centre nas questões graves por resolver nos grandes centros urbanos e nas áreas metropolitanas e também na ligação com o interior. O País continua a deriva para o transporte rodoviário individual, agravando a sua dependência energética do exterior e falhando rotundamente a necessidade de uma adaptação a uma realidade pós-petróleo. Urge o reforço e a reinvenção da ferrovia e do transporte marítimo de passageiros e de formas de transporte alternativo e ligeiro nas grandes cidades. Há iniciativas tímidas, mas muito ainda a fazer.

Convénio de Albufeira no novo ciclo de planeamento
Encontramo-nos agora em pleno segundo ciclo de planeamento na área dos recursos hídricos. Os segundos Planos de Gestão de Região Hidrográfica encontram-se em elaboração e deverão ser em breve colocados em discussão pública. Simultaneamente, Espanha delibera unilateralmente proceder ao reforço do Transvase Tejo-Segura, de forma expedita e sem inclusão nos seus Planos. Como será então possível uma gestão partilhada das bacias hidrográficas comuns - Minho, Douro, Tejo e Guadiana? É urgente renegociar o Convénio de Albufeira e impor caudais ecológicos, urgência tão mais premente quanto as disponibilidades hídricas tendem a diminuir significativamente face às alterações climáticas.

Entrada em vigor do novo Quadro Comunitário de apoio a Portugal
Encontrando-se na recta final as negociações em relação ao Acordo de Parceria para os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento 2014-2020, entre Portugal e a Comissão Europeia, o qual definirá as principais linhas orientadoras, compromissos assumidos e resultados pretendidos para a utilização dos fundos, a Quercus espera que esta não seja mais uma oportunidade perdida para debelar alguns dos problemas que continuam inexplicavelmente a subsistir no nosso país. Alguns desses problemas ambientais que urge resolver passam pela ausência de tratamento de águas residuais de aglomerados populacionais e pelos passivos ambientais resultantes da actividade industrial, mas também pela falta de investimentos na ferrovia e na mobilidade sustentável, nas energias renováveis e na eficiência energética, na promoção da reciclagem de resíduos a níveis aceitáveis, e na conservação dos valores naturais, com especial enfoque na conservação das Áreas Classificadas (Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Sítios RAMSAR), evitando também o financiamento público de projectos lesivos para o Ambiente.

Crise, energia e clima
Em contexto de crise, as emissões poluentes, nomeadamente de gases com efeito de estufa, têm vindo a diminuir, desde o setor dos transportes ao setor industrial e também doméstico. Porém, é vital que em 2014, com uma eventual retoma económica, estejamos preparados para promover um desenvolvimento apostado na redução de consumos, na eficiência energética, em simultâneo com a melhoria da qualidade de vida. 2014 será também um ano fundamental para um futuro acordo climático em 2015, e é crucial que Portugal assuma as posições políticas mais adequadas a um desenvolvimento sustentável.

Acompanhamento efetivo da fase de pós-avaliação dos projectos sujeitos a AIA por parte das autoridades públicas.
O acompanhamento da fase de pós-avaliação de projectos sujeitos a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) por parte das autoridades públicas, em particular por parte da APA – Agência Portuguesa do Ambiente e do ICNF – Instituto da Conservação Natureza e das Florestas, tem sido confrangedor. A Quercus desconhece mesmo se existe ou não algum tipo de acompanhamento regular das medidas de monitorização, minimização e compensação previstas aquando de Declarações de Impacte Ambiental favoráveis ou favoráveis condicionadas a projectos com implicações negativas no ambiente, e em especial na biodiversidade. Espera-se pois que, com a publicação da nova legislação que estabelece o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental, em Outubro último, haja uma maior preocupação por parte das autoridades públicas com uma das áreas mais importantes da política pública de Ambiente.

Estabilidade e firmeza das políticas ambientais em Portugal
Cerca de dois anos e meio após este Governo ter iniciado funções, os resultados conseguidos na área do Ambiente estão aquém das expectativas. Levaram-se dois anos na preparação, reestruturação e adaptação numa aposta num MAMAOT que não foi ganha, não só devido a questões logísticas e burocráticas, mas também devido a várias decisões tomadas em sentido errado. Se juntarmos a isto, toda a instabilidade política e técnica que marcou a primeira metade do mandato do Governo na área do Ambiente, percebemos facilmente que este tema não se conseguiu assumir como um tema estruturante, com a força que seria necessária e de acordo com o prometido inicialmente. Depois do Governo, em Julho último, ter introduzido alterações orgânicas significativas na área do Ambiente, dividindo as competências do anterior MAMAOT pelos actuais Ministério da Agricultura e do Mar e Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia espera-se que seja finalmente possível encontrar alguma estabilidade e soluções mais robustas e eficazes, que devolvam o peso necessário às temáticas ambientais na nossa sociedade e, sobretudo, garantam acções mais firmes e eficazes em torno destas questões.

Floresta e incêndios
Com a aprovação do novo Regime Jurídico das Acções de Arborização e Rearborização, as perspectivas do desenvolvimento sustentável da floresta portuguesa ao nível das políticas públicas são quase inexistentes, com a provável expansão das monoculturas do eucalipto, e a ausência de faixas de contenção ao fogo com outras espécies mais resistentes, sendo assim de prever que os impactes ambientais dos incêndios florestais continuem a ser preocupantes.

Privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF)
Apesar da determinação do Governo em avançar para a privatização da EGF, sub-holding da Águas de Portugal para o negócio dos resíduos sólidos urbanos, espera-se que em 2014 possa imperar o bom senso e que a proposta seja melhor avaliada, na medida em que para além da incapacidade demonstrada pelo Ministério do Ambiente em gerir o dossier, existem riscos ambientais consideráveis associados a uma privatização deste tipo.

Ano Internacional da Agricultura Familiar
Naquele que será o Ano Internacional da Agricultura Familiar, espera-se em 2014 conseguir aumentar a visibilidade da agricultura familiar e dos pequenos agricultores, e sensibilizar a população mundial para alguns aspectos tão importantes deste tipo de agricultura, que passam pelo papel relevante que desempenha na erradicação da fome e pobreza, pela melhora dos meios de subsistência das populações, pela correcta gestão dos recursos naturais, e pela proteção do Ambiente e do desenvolvimento sustentável.

Reforço da produção agrícola nacional mas de forma sustentável
De acordo com as intenções anunciadas pelo Governo, 2014 deverá ser um ano em que a produção agrícola nacional deverá continuar a ter um incremento, como forma do país ultrapassar muitas das carências que revela ao nível da produção de alimentos e aumentar as nossas exportações. Sendo esta sem dúvida umas das áreas onde podemos e devemos investir, é contudo fundamental acautelar impactes no Ambiente, tanto a curto como a médio/longo prazo e como tal adotar critérios exigentes ao nível daquilo que deverá ser a produção a desenvolver, com produtos de qualidade, respeitadores do Ambiente e de preferência em modos de produção menos intensivos e mais sustentáveis, nome
adamente o modo de produção biológico.

Lisboa, 30 de dezembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza



Para mais esclarecimentos contactar:

Nuno Sequeira, Presidente da Direção Nacional, 93 778 84 74
Carla Graça, Vice-Presidente da Direção Nacional, 93 160 32 56

01/01/14

Comunicado fim de ano do Núcleo Regional da Guarda da Quercus – A.N.C.N. - Poluição do rio Noéme continua

O ano de 2013 termina sem que as descargas poluentes, bem visíveis, no troço final do rio Diz (afluente do rio Noéme) tenham chegado ao fim.

Recordemos aqui as palavras do ex-presidente da Câmara Municipal da Guarda numa reunião com a Quercus em meados de Abril deste ano “(…) até final de Abril deste ano o problema
estará resolvido (…)”. É caso para perguntar Abril de que ano?

A queixa apresentada junto do SEPNA em Maio teve por parte deste organismo uma resposta imediata, deslocando-se uma equipa ao local das sucessivas descargas e bem conhecido de todos. No entanto o auto encaminhado para a Administração da Região Hidrográfica do Norte, no final de Maio, ainda não obteve até ao momento qualquer resposta. E não foi por falta de insistência. Em Agosto esta entidade foi contactada por telefone ao que responderam que até ao momento estavam a tratar de casos de 2012. Em Outubro foi dirigida à mesma entidade uma carta sem que houvesse resposta até ao momento. É caso para perguntar pode o ambiente continuar à espera?

Em Agosto houve uma tentativa de diálogo com a empresa Tavares. No entanto não chegamos a receber qualquer resposta ao ofício enviado levando-nos a deslocar pessoalmente em Outubro à fábrica e conversar com um dos representantes da fábrica que entretanto acabava de chegar. Foi-nos dito que o problema não é da fábrica mas sim da Câmara Municipal.

Em 2013 foi construída nas imediações da fábrica Tavares uma estação elevatória – aparentemente a solução do problema – no entanto chegados a Dezembro continuamos a ser informados pela empresa Águas do Zêzere e Côa que a estação ainda não está terminada pelo que os efluentes ainda não são encaminhados para a ETAR de S. Miguel para correcto tratamento. É caso para perguntar o que falta?

Que novidades haverá em 2014 do rio Noéme?

Guarda, 30 de Dezembro de 2013

A Direcção do Núcleo Regional da Guarda da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Contactos: Bruno Almeida – 931 104 568
 

26/12/13

Postais e Objectos de Natal Reciclados em Exposição

 


Está patente na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira uma exposição de postais de Natal e objetos de natal reciclados produzidos por escolas e entidades do concelho de Gouveia.
A exposição é o resultado do concurso Postal de Natal Ecológico e da atividade Objetos de Natal reciclados promovida pelo Município de Gouveia, em parceria com o Planalto Beirão e Quercus. Estão expostos 39 postais de natal reciclados, produzidos por alunos e escolas do concelho de Gouveia, e 27 objetos de natal.

O objetivo destas iniciativas visam, para alem de publicitar os trabalhos, incentivar a separação de resíduos, promover a criatividade na conceção de “trabalhos” artísticos, estimular a reutilização de resíduos e promover a proteção do meio ambiente. A exposição pode ser apreciada na sala infantil da Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira até ao dia 15 de Janeiro de 2014.

23/12/13

Quercus presente no Espaço dos Sentidos

A Quercus esteve presente na loja "Espaço dos Sentidos" no Vivaci no âmbito da iniciativa promovida pela Câmara Municipal da Guarda "Guarda Ar de Natal". Este espaço fechou hoje as suas portas não sem antes entregar aos vários participantes e artesãos da região um certificado de participação e o montante angariado pelas suas vendas.

Ficam algumas fotografias do workshop dinamizado no passado dia 18 de Dezembro de reutilização de construção de eco-enfeites.















Fica também a fotografia de parte da direcção do Núcleo que estiveram presentes hoje na sessão de encerramento.




18/12/13

COMUNICADO DE IMPRENSA




Anúncio ocorreu hoje em Bruxelas no final do Ano Europeu do Ar
Quercus considera que Pacote Europeu sobre Ar não é um presente de Natal antecipado



A Comissão Europeia propôs hoje, com grande atraso, o seu pacote legislativo para melhorar a qualidade do ar na Europa[1]. A Quercus e o Secretariado Europeu de Ambiente (EEB), federação da qual a Quercus é membro, acolheram favoravelmente a proposta destinada a lidar com o maior problema de saúde ambiental da atualidade, apesar de lamentarem a falta geral de ambição deste pacote.


A proposta de revisão da Diretiva relativa aos tetos nacionais de emissões, que estabelece limites de emissão globais por país para diversos poluentes atmosféricos (como dióxido de enxofre, óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis, amónia, responsáveis por fenómenos como acidificação, eutrofização e ozono troposférico), tipifica essa abordagem sem brilho. 

Apesar da Quercus/EEB saudarem em particular as propostas de ação sobre as emissões de amónia e metano, todas as novas metas propostas aplicam-se apenas a partir de 2030 e comprometem os Estados-Membros a fazer apenas uma parte do que é possível e necessário para atingir a qualidade do ar aceitável.

Louise Duprez do EEB considera que "este é um primeiro passo na direção certa, mas é um paradoxo que todo o ano tenha sido marcado por repetidos apelos de cientistas para uma ação urgente. A resposta da Comissão é ‘sim’, mas não antes de 2030. Este atraso vai resultar num grande número de mortes prematuras na Europa, completamente evitáveis."

A revisão da legislação da qualidade do ar é há muito aguardada e extremamente necessária. A poluição do ar causa mais de 400 000 mortes prematuras por ano e 2013 foi o ano em que a Organização Mundial da Saúde (OMS)[2] incluiu a poluição do ar no grupo dos grandes fatores de risco do cancro, especialmente cancro do pulmão.

A poluição do ar também afeta os ecossistemas da Europa, com dois terços dos locais protegidos da rede Natura 2000 da UE atualmente sob ameaça grave[3]. Em 2010, os custos económicos da poluição do ar foram estimados entre 330 e 940 mil milhões de euros.[4]

Um estudo publicado na revista The Lancet, na semana passada, identificou que existe um elevado risco de mortalidade precoce, mesmo dentro dos limites estabelecidos pela UE[5]. Isso é extremamente preocupante - 90% das pessoas que vivem nas cidades estão expostas a níveis de poluentes que os especialistas consideram perigosos, nomeadamente partículas finas (PM2.5) e ozono. Ainda assim, a Comissão Europeia não considerou necessário alinhar os limites de qualidade do ar da UE com as mais recentes recomendações da ciência, nem definir um cronograma claro para fazê-lo.

Em outras áreas, não é apenas o nível de ambição que decepciona, mas também o alcance. Embora sejam bem-vindas medidas propostas para lidar com as emissões provenientes de instalações de combustão de média dimensão entre 1 e 50 MW, outros setores, como o transporte marítimo, automóveis e máquinas não rodoviárias, permanecem negligenciados.

Mafalda Sousa da Quercus concluiu que “resta agora ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros, como Portugal, melhorar esta legislação para alcançar níveis mais baixos de poluição que são necessários para proteger a saúde dos portugueses, dos europeus e do ambiente."

Para Portugal, os limites fixados para 2030 são muito exigentes no que respeita particularmente aos óxidos de azoto e partículas finas, o que significa que os setores da produção de energia elétrica (com a necessidade de mais renováveis) e dos transportes (com a promoção de uma mobilidade mais sustentável) serão decisivos para conseguirmos atingir o proposto.

Lisboa/Bruxelas, 18 de dezembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza



Para mais informações:

Mafalda Sousa | +351 213 462 210 | mafaldasousa@quercus.pt

16/10/13

Comunicado | Governo prepara legislação que diminui proteção legal do sobreiro - Quercus exige explicações

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COMUNICADO DE IMPRENSA

Quercus quer explicações do Ministério da Agricultura e do Mar

Governo prepara legislação que diminui proteção legal do sobreiro



O Sobreiro (Quercus suber) – árvore nacional de Portugal – tem grande importância ecológica pois forma ecossistemas com elevada biodiversidade como os sobreirais e o montado de sobro. É também sobejamente conhecida a importância económica do sector suberícola, com impactos muito positivos no PIB e nas exportações.

É em Portugal que se encontra o ótimo ecológico do sobreiro e esta espécie aparece distribuída por todo o território continental nacional, exceto em altitudes elevadas e zonas com temperaturas muito baixas no Inverno.

A Quercus mostra-se bastante preocupada com a possível alteração da legislação de proteção do sobreiro, atualmente em preparação pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Conforme veiculado na imprensa, uma das questões em causa é a simplificação do processo de autorização de corte, bastando uma comunicação ao ICNF, sempre que os sobreiros não estejam integrados em povoamentos.

A Quercus considera que esta alteração da legislação põe em causa uma percentagem substancial dos sobreiros adultos que se encontram em plena produção, principalmente nas regiões do Alentejo, Ribatejo e Trás-os-Montes e Alto Douro.

O Sobreiro é uma espécie florestal autóctone de crescimento lento e só começa a dar cortiça com maior valor económico cerca dos 40 anos de idade. Facilitar o corte de sobreiros adultos em produção é desbaratar a herança que nos foi deixada pelas gerações anteriores.

A Quercus já solicitou esclarecimentos ao ICNF sobre a proposta de alteração da legislação há cerca um mês, não tendo obtido até à data qualquer resposta por parte deste organismo.

O Decreto-Lei n.º169/2001, de 25 de Maio, reconhece a importância ambiental e económica dos sobreiros e das azinheiras. Os povoamentos destas espécies, nomeadamente os sistemas com aproveitamento agro-silvopastoril, conhecidos vulgarmente por “montados” incluem alguns dos habitats mais importantes de Portugal Continental em termos de conservação da natureza, desempenhando, pela sua adaptação às condições edafoclimáticas do Sul do País, uma importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água.

Esta alteração na legislação, a confirmar-se, contribuiria para a degradação de um ecossistema de elevada importância ambiental colocando em risco uma atividade económica em que Portugal é líder mundial – a cortiça.

A Quercus teme que esta legislação esteja a ser preparada para facilitar a instalação de monoculturas agrícolas e florestais intensivas como os eucaliptais, que são já os povoamentos que maior área ocupam em Portugal.

Por tudo isto, a Quercus exige do Governo as necessárias explicações.

Lisboa, 16 de outubro de 2013

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Apresentação do projecto CASAS | 2.ª feira dia 21 de Outubro | Café Martuccis

Irá decorrer na próxima 2.ª feira, dia 21 de Outubro  a partir das 19h30 no café Martuccis, a apresentação do projecto CASAS (Clube de Alimentação Saudável e de Agricultura Sustentável).
Trata-se de um projecto sediado na Covilhã que se dá a conhecer à Guarda.
O projecto tem por base promover a economia local, a protecção do meio ambiente e a coesão das comunidades.


“Enquanto consumidores, todos nós temos um poder de decisão sobre o que comprar. Como a nossa sociedade actual está muito estruturada sobre a economia, as nossas escolhas nas compras têm um impacto enorme sobre a qualidade do meio ambiente, sobre o número de empregos nas regiões, sobre a coesão das comunidades locais, etc.

Quando seleccionamos as nossas compras damos poder a quem produz e à forma como se produz. Assim, ao preferir produtos locais estamos a decidir que o nosso dinheiro fica na nossa região, de forma a não ocorrer uma drenagem de riqueza. Ao optarmos por produtos provenientes de modos de produção mais sustentáveis estamos a contribuir para um melhor meio ambiente. Podemos fazer isto individualmente, mas o impacto será muito reduzido, ao fazermos de uma forma coordenada com outras pessoas, o efeito sobre a economia e o ecossistema será muito maior.

Assim o CASAS permite criar uma procura coordenada por produtos agrícolas locais, com efeito positivo no ambiente e nas comunidades locais. Coloca em contacto produtores e consumidores, eliminando os intermediários, obtendo-se assim melhores preços.

Este projecto teve início em Novembro de 2012 na Covilhã, com as encomendas a serem efectuadas por mail. Agora o Clube vai entrar numa nova fase, com a abertura de uma loja nesta cidade. Este modelo poderá ser implementado em qualquer outro local.”

01/10/13

Próximas actividades do Núcleo Regional da Guarda

2 workshops com Dr.ª Isabel Costa
05/10/2013 | 10h00 - 13h00 e 15h00 - 18h00 
Quinta da Maúnça 


7.ª Caminhada pela Quercus + fim-de-semana Europeu de observação de aves
06/10/2013 | 8h30 - 14h00 
Sabugal 


Workshop de cozinha vegetariana
12/10/2013 | 14h30 - 20h00 
Quinta da Maunça 

Inscrições/informações através do e-mail guarda@quercus.pt ou do tlm. 931 104 568.

28/09/13

Comunicado | Primeiras chuvas de outono provocam erosão e contaminação das águas após os incêndios florestais

COMUNICADO DE IMPRENSA



Primeiras chuvas de outono provocam erosão e contaminação das águas após os incêndios florestais 

Quercus alerta que a erosão de solos pode ultrapassar as 50 toneladas por hectare



A Quercus alerta para o aumento do risco de erosão após a precipitação elevada ocorrida neste início de outono, com o arrastamento das cinzas e do solo para as linhas de água, provocando assoreamento e degradação da qualidade das águas nas áreas afectadas pelos grandes incêndios florestais.



A preocupação é maior nos casos em que foram afetadas grandes bacias hidrográficas, como no incêndio de Picões, Alfândega da Fé, onde cerca de 15.000 hectares (15 mil campos de futebol) do vale do rio Sabor (Sítio de Importância Comunitária dos Rios Sabor e Maçãs) ficaram reduzidos a cinzas, registando-se a destruição de habitats protegidos, o arrastamento das cinzas e a erosão dos solos, com impacte negativo na qualidade da água e no assoreamento dos rios.

Na Serra do Caramulo, dada a vasta área ardida e os declives acentuados sobre os rios Agadão e Águeda, onde já foram detetados problemas com as primeiras chuvas, as autoridades deverão estar alerta para as consequências do arrastamento das terras e cinzas, monitorizando a alteração da qualidade da água junto às captações de abastecimento público. Após as primeiras chuvas, o rio Agadão ficou com coloração negra como se pode verificar nas fotografias existentes.

Os impactes na qualidade da água, devido ao arrastamento das cinzas para as linhas de água, estão associados ao aumento de nutrientes (azoto, fósforo, potássio, etc.), metais pesados e hidrocarbonetos aromáticos policlínicos, compostos que são tóxicos, pelo que deve ser efetuada uma monitorização adequada dos diversos parâmetros que permita aumentar o conhecimento disponível, bem como informação adicional sobre as medidas a tomar para minimizar estes problemas.

De salientar que a erosão dos solos após incêndio, em termos médios relativos, pode atingir os 45 a 56 toneladas por hectare, de acordo com um estudo científico. Num caso de uma área de eucaliptal que ardeu na bacia do rio Águeda foram detetados 45 toneladas por hectare de solo arrastado em menos de um ano, o que representa um valor muito elevado e é revelador da outra vertente dos impactes ambientais dos incêndios, quando se escolhem espécies de crescimento rápido pouco adequadas ao nosso território.

Lisboa, 28 de setembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

27/09/13

Alterações climáticas um futuro dramático para Portugal e para o planeta, mas que ainda pode ser minimizado

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COMUNICADO DE IMPRENSA

5º Relatório de Avaliação do IPCC apresentado hoje em Estocolmo

Alterações climáticas: um futuro dramático para Portugal e para o planeta, mas que ainda pode ser minimizado



Hoje, às 9 horas (hora de Portugal), o Painel Intergovernamental de Cientistas para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) lançou, em conferência de imprensa, o mais importante relatório científico sobre a ciência climática. A conclusão é unanime: as alterações climáticas estão a acontecer, o maior causador são as atividades humanas. As previsões devem-nos deixar muito preocupados, mas ainda é possível evitar o pior.

Este 5º relatório foi elaborado por mais de 800 cientistas e beneficia de modelação mais avançada e de uma maior compreensão sobre as alterações climáticas por comparação com relatórios anteriores. Hoje foi lançado o relatório relativo ao grupo de trabalho sobre ciência climática. Durante 2014, serão lançados os relatórios relativos aos outros grupos de trabalho sobre impactes das alterações climáticas (em março 2014) e mitigação das alterações climáticas (abril de 2014). Em outubro de 2014, será lançado, por último, o relatório global de síntese.

O relatório sobre ciência climática, hoje divulgado, aborda diversos aspetos, entre eles a velocidade atual e futura a que o planeta está a aquecer, os impactes sobre as comunidades e biodiversidade e as principais medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.

Consequências graves

As principais conclusões apontadas pelo relatório e selecionadas pela Quercus são as seguintes:

- Devido aos avanços da ciência do clima e da modelação, estamos mais certo do que nunca que os seres humanos são responsáveis ​​pela maior parte do aquecimento global e seus impactos. As emissões de carbono são responsáveis por todo o aquecimento nos últimos 60 anos. O aumento da temperatura global poderá atingir 4,8 graus Celsius entre os períodos 1986-2005 e 2081-2100.

- As alterações climáticas estão a conduzir a mais fenómenos extremos: ondas de calor, chuvas intensas e subida do nível do mar (poderá atingir 98 cm entre 1986-2005 e 2100).

- Os impactes ambientais estão a acelerar: as camadas de gelo estão a derreter muito mais rapidamente, o aumento do nível do mar está a acelerar e o gelo do mar Ártico está a desaparecer a um ritmo surpreendente.

- Os oceanos têm absorvido uma grande quantidade de CO2, o que está a causar um aumento da acidez que pode perturbar de forma catastrófica toda a cadeia alimentar marinha.


Aspetos mais pertinentes para Portugal

Apesar de os dados mais precisos às escalas regionais só virem a ser divulgados oficialmente na próxima segunda-feira, sabe-se desde já que para países do Sul da Europa e da zona Mediterrânica, as perspetivas são dramáticas: menos chuvas mas mais concentradas no tempo e associadas a cheias, mais fogos, custos muito elevados para combater a subida do nível do mar, menor produção agrícola, maior pobreza, e uma enorme perda de biodiversidade.


Questões cruciais

Há uma pausa recente no aquecimento global?

Este relatório diz que o aquecimento global combinado de oceanos e atmosfera tem continuado a aumentar sem parar. O aquecimento do ar à superfície diminuiu recentemente, porque o calor foi antes absorvido pelo oceano mas irá voltar para a atmosfera em poucos anos. É um ciclo que ocorreu várias vezes ao longo das últimas décadas. A trajetória de longo prazo permanece a mesmo.

Os modelos usados não estão errados? Não houve uma sobrestimação do aquecimento recente?

Este relatório observa que os modelos estão certos no panorama e tendência globais. Por vezes, os modelos não preveem flutuações de curto prazo, como a recente desaceleração do aquecimento das temperaturas da superfície. Isto é eles consideram a lentidão do aquecimento em determinados períodos, mas podem não acertar no período exato em que tal acontece. O relatório diz-nos que, a longo prazo, os modelos correspondem à tendência observada a longo prazo no aquecimento das temperaturas à superfície.

O que dizer sobre a revisão da “sensibilidade climática”?

Infelizmente, a revisão da chamada “sensibilidade climática” é pequena e não muda o fundamental: as emissões estão a subir rapidamente para o cenário pior, que será catastrófico, não importando assim o nível exato de sensibilidade climática. Por outro lado, a boa notícia é que esta revisão não aumentar a nossa confiança de que podemos manter o aquecimento abaixo do limiar de 2 graus se tivermos no caminho certo, de que não estamos já se comprometeu a ultrapassar esse limite na próxima alguns anos.

Este relatório considera que não há nenhuma ligação entre a seca e a mudança climática?

O relatório observa que a seca tem aumentado em várias regiões. O relatório também constata que a precipitação aumentou noutras regiões. Essas mudanças anulam-se quando se toma uma visão global, sendo que a uma escala regional há um claro aumento na seca.

Conferência das Nações Unidas sobre clima em Varsóvia é próximo momento decisivo

O relatório agora divulgado lança para a discussão política que irá acontecer em novembro, em Varsóvia, um dado muito importante: há um limite à emissão de dióxido de carbono (CO2) para o aquecimento do planeta não exceder 2o Celsius. Neste momento, já usámos mais de metade do CO2 que podemos. O relatório traça um caminho claro para evitar alterações catastróficas. Temos que começar a diminuir as emissões, com cortes significativos nos próximos anos, eventualmente, baixando as emissões nas próximas décadas para zero.

A 11 de novembro de 2014, em Varsóvia, os líderes mundiais estarão reunidos na Cimeira anual convocada pelo secretário-geral da ONU Ban Ki Moon para enfrentar a atual "ameaça ao desenvolvimento, à estabilidade dos países e economias e à saúde do planeta”.

Os governos devem criar mais fundos para aumentar a resiliência e o apoio às comunidades vulneráveis ​​que já sofrem os impactes das alterações climáticas. Mais recursos estariam disponíveis se os governos eliminassem os subsídios atribuídos aos combustíveis fósseis e, em vez disso, estimulassem o acesso às energias limpas e renováveis para todos.

A garantia por um futuro climático seguro será possível se os governos desviarem os investimentos de desenvolvimento tecnológico de novos processos de extração de combustíveis fósseis (gás de xisto e areias betuminosas) para a energia limpa e renovável, bem como para soluções inovadoras sobre formas mais eficientes de utilização de energia. As soluções existem e tomar medidas faz sentido, proporcionando importantes benefícios para as comunidades, economias e ambiente que delas dependem.

A Quercus estará em Varsóvia e já está a acompanhar as discussões e trabalhos preparativos através do Blog http://varsovia.blogs.sapo.pt/.


Lisboa, 27 de setembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Comunicado | Aprovada a construção da barragem da Ribeira das Cortes
 em pleno Parque Natural da Serra da Estrela

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COMUNICADO DE IMPRENSA


Aprovada a construção da barragem da Ribeira das Cortes
 em pleno Parque Natural da Serra da Estrela

Governo beneficia autarcas da Covilhã a poucos dias das eleições



O Governo Português, através do Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, aprovou, no passado dia 20 de setembro, a construção da barragem da Ribeira das Cortes. A Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada viabiliza um empreendimento desnecessário em pleno Parque Natural da Serra da Estrela.

Mesmo a tempo das eleições autárquicas, é escandalosa a forma como o Governo Português favorece os autarcas da Covilhã e permite que interesses económicos locais se sobreponham aos compromissos de preservação da integridade do Parque Natural da Serra da Estrela e do Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, num processo de discussão inquinado à partida pela aprovação prévia da obra junto do QREN, violando legislação nacional e comunitária.

Este é mais um exemplo de que os processos de Avaliação de Impacto Ambiental se tornaram meros expedientes burocráticos, que visam validar decisões políticas já tomadas previamente, quase sempre em sintonia com os autarcas locais, sem que seja feita uma ponderação séria dos aspectos positivos e negativos da implantação de determinados projetos. Na situação em concreto, a Quercus, durante o processo de consulta pública, referiu a existência de incongruências e análises tendenciosas quanto à avaliação das necessidades de água no presente e no futuro, considerando os dados apresentados à discussão pública. De nada serve a DIA favorável condicionada referir a necessidade de avaliação de volumes anuais relativos às necessidades de água do concelho, por setor e por utilizador dependentes do sistema global de adução, quando a barragem já estiver construída.

Em relação ao levantamento dos valores naturais, a Quercus alertou para o facto de os estudos de base sobre a flora e fauna para a segunda alternativa de localização serem insuficientes, pois tiveram a duração de 13 dias, com dois dias de campo, subvertendo totalmente o procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental e servindo apenas para formalizar a necessidade do estudo de alternativas para viabilizar a localização previamente escolhida. A DIA favorável condicionada chega ao ridículo de solicitar que sejam feitos estudos específicos relativos à situação base, no âmbito da vegetação e flora vascular, briófitos, líquenes, comunidades de vertebrados, onde se inclui a Toupeira-de-água (uma espécie de conservação prioritária, que tem nesta área o seu mais importante reduto), estudos esses que deveriam ter sido efetuados num Estudo de Impacte Ambiental minimamente sério.

Esta constitui a primeira grande decisão errada e gravosa para o Ambiente por parte do novo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, ainda para mais aprovando um projeto que afeta a integridade do Parque Natural da Serra da Estrela, contraria os instrumentos de gestão territorial existentes e que colocará em risco os compromissos perante a União Europeia, já que a área em causa integra a Rede Natura 2000, está classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa (Planalto Central da Serra da Estrela), e também é Sítio Ramsar (Planalto Superior da Serra da Estrela e troço superior do rio Zêzere).


Lisboa, 27 de setembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


26/09/13

Comunicado | Plataforma Salvar o Tua considera uma farsa o processo de criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua

COMUNICADO DE IMPRENSA
26 de Setembro de 2013



Plataforma Salvar o Tua considera uma farsa o processo de criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua


Plataforma Salvar o Tua – Associação de Defesa do Ambiente contesta a publicação do Regulamento do Parque Natural Regional do Vale do Tua escassos dias após o fim da discussão pública deste processo, dado que não existiu divulgação sobre proposta de Regulamento nem um relatório de ponderação sobre os pareceres da consulta pública.

A discussão pública para a criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua, decorreu até ao passado dia 19 de Setembro, mas apesar de não ter sido apresentada uma proposta de Regulamento, nem efectuada qualquer ponderação sobre o processo, foi ontem publicado em Diário da República, o Regulamento n.º 364-A/2013, de 24 de Setembro, o qual cria o Parque Natural Regional do Vale do Tua.

A Plataforma Salvar o Tua – Associação de Defesa do Ambiente elaborou um parecer crítico na discussão pública, dado que considera que a criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua pretende apenas compensar impactes da construção da barragem de Foz-Tua, promovida pela EDP, apesar desta barragem destruir o mais importante património natural e cultural do Vale do Tua.

O Regulamento do Parque Natural Regional no Vale do Tua refere claramente no artigo 6.º que o “O regime aplicável no PNRVT é o estabelecido nos respectivos planos municipais de ordenamento o território.” Ou seja, não existe qualquer regra específica para conservar a natureza na área do Parque Natural Regional, situação que configura uma enorme farsa. Acresce a gravidade de que a fiscalização será feita apenas pelos respectivos municípios.

Este Parque Natural Regional no Vale do Tua apenas serve os interesses da EDP e dos municípios da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua. Destacamos que só “os custos da estrutura de gestão do PNRVT, os quais se cifram em aproximadamente 1.070.241 €.”, o que é um escândalo.

A Plataforma Salvar o Tua repudia todo o processo de criação do Parque Natural Regional no Vale do Tua.

Lisboa, 25 de Setembro de 2013

A Direcção da Plataforma Salvar o Tua

25/09/13

Comunicado | Quercus acompanha o lançamento, esta sexta-feira, do mais importante relatório científico sobre alterações climáticas

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COMUNICADO DE IMPRENSA


5º Relatório de Avaliação do IPCC será lançado na sexta-feira, dia 27/set.

Como vão as alterações climáticas afetar Portugal e o planeta?

Quercus acompanha o lançamento do mais importante relatório científico


Na próxima sexta-feira de manhã, 27 de setembro, o Painel Intergovernamental de Cientistas para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) publica o 5º relatório sobre a ciência climática, também conhecido por relatório do Grupo 1. Com base na melhor análise científica e pelo que já foi divulgado, uma das principais conclusões do relatório será que agora estamos mais certos do que nunca que os seres humanos são os principais causadores das alterações climáticas.

Em cada relatório de avaliação, um grupo de cientistas de todo o mundo analisa a mais recente investigação científica sobre alterações climáticas. Este 5º relatório foi elaborado por mais de 800 cientistas e beneficia, ainda, de modelação mais avançada e de uma maior compreensão sobre as alterações climáticas. Esta sexta-feira, 27 de setembro, será lançado o relatório relativo ao grupo de trabalho sobre ciência climática. Durante 2014, serão lançados os relatórios relativos aos outros grupos de trabalho sobre impactes das alterações climáticas (em março 2014) e mitigação das alterações climáticas (abril de 2014). Em outubro de 2014, será lançado, por último, o relatório global de síntese.

O 4º relatório de avaliação do IPCC, publicado em 2007, foi um catalisador importante para a ação climática a nível nacional e internacional. Este relatório forneceu a base científica para as negociações internacionais no período que antecedeu à Cimeira das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em Copenhaga, em 2009.

Já se sabe que o 5º relatório mostrará, com maior clareza que nunca, que as alterações climáticas são reais, são causadas pelas atividades humanas e requerem medidas urgentes. O nível do mar está a subir, os padrões da precipitação estão a mudar, o gelo no mar está a diminuir e os oceanos estão a acidificar – todos estes impactes têm consequências graves para as nossas comunidades, economias e biodiversidade.

Neste momento, o resumo deste relatório para os decisores políticos está a ser negociado linha por linha entre o IPCC e os delegados governamentais de todo o mundo. Esta negociação significa que todos os países aceitam que o que está escrito no relatório é rigoroso. Após a divulgação do relatório sobre a ciência climática, os líderes de todo o mundo devem ser lembrados de que concordaram que as alterações climáticas estão a acelerar mais rapidamente do que nunca, que os seres humanos são a causa dessas mudanças e que é, portanto, hora dos mesmos corrigirem a sua trajetória de desenvolvimento. Não deve haver qualquer líder no mundo que não tenha já observado os dramáticos impactes das alterações climáticas têm ocorrido nos últimos anos.

As alterações climáticas são um problema complexo, tal como mostram as mais de duas mil páginas do relatório. Mas a maior barreira para a solução do problema é política – as soluções já as temos na mão.

Se queremos ficar abaixo de 2º Celsius de aquecimento global, já usámos mais de metade do nosso orçamento global de carbono. Na reunião de Cancún, em 2010, os líderes concordaram que era necessário agir imediatamente. Na reunião de Doha, em 2011, voltaram a reafirmá-lo.

A 11 de novembro de 2014, em Varsóvia, os líderes mundiais estarão reunidos na Cimeira anual convocada pelo secretário-geral da ONU Ban Ki Moon para enfrentar a atual "ameaça ao desenvolvimento, à estabilidade dos países e economias, à saúde do planeta." Em Varsóvia, serão conhecidos, e como tal incontornáveis, os resultados completos do 5º relatório do IPCC sobre a ciência climática.

Os governos devem criar mais fundos para aumentar a resiliência e o apoio às comunidades vulneráveis que já sofrem os impactes das alterações climáticas. Mais recursos estariam disponíveis se os governos eliminassem os subsídios atribuídos aos combustíveis fósseis e, em vez disso, estimulassem o acesso às energias limpas e renováveis para todos.

A garantia por um futuro climático seguro será possível se os governos desviarem os investimentos de desenvolvimento tecnológico dos novos combustíveis fósseis (gás de xisto e areias betuminosas) para a energia limpa e renovável, bem como para soluções inovadoras sobre formas mais eficientes de utilização de energia. As soluções existem e tomar medidas faz sentido, proporcionando importantes benefícios para as comunidades, economias e meio ambiente que delas dependem.


A Quercus estará em Varsóvia e já está a acompanhar as discussões e trabalhos preparativos através do Bloghttp://varsovia.blogs.sapo.pt/.
 

Lisboa, 25 de setembro de 2013


A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


22/09/13

Comunidade | Quercus alerta para expansão de monoculturas em Portugal e no Mundo

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21 de Setembro - Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores 


Quercus alerta para expansão de monoculturas em Portugal e no Mundo



A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza alia-se a outras organizações internacionais na divulgação do Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores, assinalado amanhã, 21 de Setembro. A data pretende alertar para a contínua expansão de monoculturas verificada por todo o mundo, em particular nas regiões tropicais. No entanto, a situação é também preocupante em Portugal.

Neste Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais volta a denunciar os graves impactes decorrentes das plantações em grande escala de eucaliptos e outras espécies, bem como para a necessidade de salvaguardar as florestas tropicais naturais.

Entende-se por “monocultura” a produção agrícola ou florestal de uma só espécie. A prática monocultural é altamente lesiva para a biodiversidade, promovendo o aparecimento de novas pragas e o empobrecimento e erosão dos solos em larga escala.

Também tem efeitos sociais nocivos, uma vez que as monoculturas estão muito expostas às variações dos mercados, sendo vulgar a afetação de vastas áreas do planeta quando as condições de mercado se tornam desfavoráveis à monocultura praticada nessa região, provocando o êxodo populacional e miséria nas áreas afetadas.

À destruição dos recursos de flora e fauna, soma-se a degradação dos recursos hídricos locais, como resultado da ação combinada do uso massivo de agroquímicos, do consumo excessivo de água por parte das monoculturas, de obras de drenagem e de processos de erosão do solo.

Está ainda na memória de todos a recente destruição da floresta tropical em São Tomé e Príncipe - rica em diversas espécies de fauna e flora, endémicas e criticamente ameaçadas de extinção - para plantação de monoculturas de palmeira-dendém, destinadas à produção de óleo de palma.

Também em Portugal é por demais evidente a expansão de monoculturas, das quais se destaca a expansão desenfreada do eucalipto.
O eucalipto é já a espécie que mais área ocupa em Portugal, com cerca de 812 mil hectares de povoamentos instalados.



Os eucaliptais, além dos efeitos perversos que exercem sobre os solos e a biodiversidade, promovem a propagação de fogos de modo descontrolado, como se verificou este ano na Serra do Caramulo, que pode ser dada como um exemplo de região com monocultura de eucalipto.

A Quercus considera negativa a nova vaga de expansão das monoculturas de eucaliptos, devido aos impactes sobre os ecossistemas, como a destruição da biodiversidade, sendo um fator crítico na propagação dos grandes incêndios. Como tal, devem ser tomadas medidas que imponham condicionantes de ordenamento do território florestal às monoculturas, as quais é essencial estarem associadas a áreas com outras espécies de folhosas mais resistentes ao fogo.

Com o novo regime de arborização em Portugal, que entrará em vigor em Outubro de 2013, a Quercus prevê um aumento das monoculturas com os previsíveis efeitos negativos ao nível da conservação da biodiversidade, dos solos, das águas e da propagação dos incêndios.


Lisboa, 20 de Setembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Semana Europeia da Mobilidade dedicada à qualidade do ar

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COMUNICADO DE IMPRENSA


Semana Europeia da Mobilidade dedicada à qualidade do ar

Falta de prioridade, crise e eleições conduzem a enorme decréscimo na adesão dos municípios



Em pleno ‘Ano Europeu do Ar’ - iniciativa da Comissão Europeia que visa sensibilizar cidadãos e governos europeus para a poluição atmosférica e os seus impactes na saúde – a Semana Europeia da Mobilidade (SEM), assinalada entre 16 e 22 de Setembro, adotou em 2013 o lema “Ar Limpo – Está nas tuas mãos”.

Pretende-se alertar para o impacte dos transportes na qualidade do ar que se respira nas cidades e encorajar os cidadãos a mudar a forma como se deslocam no seu dia-a-dia para melhorar a sua saúde e bem-estar. A Quercus considera a iniciativa necessária para sensibilizar as populações, mas é crucial a adopção de medidas de carácter permanente para melhorar a qualidade do ar nas cidades, como um maior incentivo ao uso dos transportes públicos em detrimento do automóvel.

Semana Europeia da Mobilidade e o Dia Europeu Sem Carros

Na Semana Europeia da Mobilidade (SEM), que se encontra a decorrer até amanhã, 22 de setembro, participam ao todo 48 municípios e 58 localidades portuguesas (1). Este ano, o número de municípios aderentes ficou bastante abaixo das edições anteriores de 2011 e 2012, com 66 e 64 respetivamente. Já em relação às localidades, as edições anteriores evidenciaram um aumento (de 74 em 2011 para 78 em 2012), uma tendência, no entanto, que não se manteve em 2013.

A SEM pretende incentivar, através de medidas permanentes e/ou iniciativas pontuais, os cidadãos para uma maior utilização dos transportes públicos, da bicicleta, dos veículos elétricos e outras formas de mobilidade com impacte ambiental reduzido ou nulo, como as deslocações a pé.

Em 2013, 23 municípios participantes e 5 apoiantes vão aderir, amanhã, ao Dia Europeu Sem Carros. A Quercus considera que existe uma fraca adesão a esta iniciativa, não só em relação ao total de autarquias envolvidas, mas acima de tudo em comparação com o total nacional (308 concelhos).

A falta de ação das autarquias locais para implementar soluções concretas e permanentes (como o alargamento das redes de ciclovias e ecopistas, a criação de incentivos para maior utilização dos transportes públicos e o encerramento de ruas ao trânsito automóvel) para combater problemas urbanos como a poluição atmosférica e o ruído, poderá estar relacionada com diversos factores. À inevitável crise financeira, junta-se o facto de se tratar de uma campanha não financiada, bem como a falta de prioridade dada a esta temática, a que não será certamente alheio o atual período de pré-eleições autárquicas.

Uso do automóvel supera os transportes públicos e outros modos 

O último Recenseamento Geral da População (2011) mostra que existe em Portugal uma repartição modal claramente desfavorável ao transporte público (TP) face ao automóvel, tendência que se tem agravado durante a última década. Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), por exemplo, a percentagem de uso do TP situa-se em menos de 45%, um indicador tanto mais preocupante quando comparado com a realidade de outras cidades e regiões europeias, onde o transporte público é dominante, registando em muitos casos percentagens superiores a 60%.

Outra tendência preocupante é a quebra de utilizadores do TP registadas em 2012 e 2013: só no primeiro semestre de 2013, no conjunto das seis empresas públicas de transporte – Transtejo, CP, Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto e STCP – perderam-se mais de 34,4 milhões de utentes. Na primeira metade do ano, foram transportados 295,2 milhões de passageiros nas seis empresas, um valor inferior aos 329,5 milhões em 2012. Esta situação explica-se, uma vez mais, com a crise económica que o país atravessa e que conduziu à diminuição da procura do TP e à redução da mobilidade em geral. A agravar este contexto, acresce o encarecimento relativo dos TP, a supressão e diminuição da qualidade de muitos serviços e infra-estruturas.

Qualidade do ar: incumprimento da legislação persiste desde 2005

Portugal continua a infringir a legislação europeia e nacional (2) sobre qualidade do ar desde 2005, por ultrapassagem dos valores-limite diários e/ou anuais relativos às partículas inaláveis (PM10) e, desde 2008, por ultrapassagem dos valores-limite diários e/ou anuais relativos aos óxidos de azoto (NOx), relacionada sobretudo com o transporte rodoviário nas cidades. Não estão a ser implementadas as medidas necessárias (quer por falta de ambição política, quer falta de aceitação pública) no sentido de evitar um novo processo da Comissão Europeia contra Portugal por incumprimento da legislação. De sublinhar que um eventual processo poderá custar ao Estado Português uma multa de 1,9 milhões de euros (à qual acrescem 630 euros por dia até os valores de qualidade do ar começarem a ser cumpridos).

Medidas para reduzir a poluição não são suficientes ou estão atrasadas 

Algumas das medidas para reduzir o tráfego rodoviário e melhorar a qualidade do ar -  como a Zona de Emissões Reduzidas (ZER) adotada em Lisboa (3) - começam a apresentar resultados positivos e uma melhoria da qualidade do ar, sobretudo PM10 e NO2.

No entanto, é necessário melhorar a fiscalização, acabar com a isenção dos táxis e intervir nos transportes públicos de passageiros, que não cumprirão a Fase III da ZER (a qual alarga a restrição à circulação de veículos mais poluentes a toda a cidade de Lisboa, a partir de 1 janeiro de 2014).

No âmbito dos Planos e Programas de Melhoria da Qualidade do Ar da Região de Lisboa e Vale do Tejo, algumas medidas foram implementadas com bastante sucesso, como a maior fiscalização do estacionamento ilegal e a alteração introduzida há um ano na rotunda do Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, no sentido de reduzir o trânsito rodoviário e o espaço dedicado ao automóvel. Por outro lado, existem outras medidas por implementar ou em atraso, como a criação de faixas próprias VAO+BUS+E nos acessos a Lisboa, para veículos com dois ou mais ocupantes, transportes públicos e veículos elétricos (atrasadas, desde junho 2010); a introdução de ‘Zonas 30’ em várias áreas sensíveis de Lisboa (a decorrer); a renovação das frotas de transportes públicos e a otimização dos serviços de táxis. Algumas destas medidas foram igualmente propostas para a região do Porto.


Lisboa, 21 de setembro de 2013

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

15/09/13

2 eventos com Dra. Isabel Costa

 HO`OPONOPONO :ao encontro do ponto zero e da liberdade interior.Uma nova consciência alimentar vão ser tema de dois Workshops a realizar na Quinta da Maúnça  no próximo dia 5 de Outubro .

Marcações e informações para guarda@quercus.pt ou para Tlm. 931 104 568



10/09/13

Portugal no 2º lugar na Europa com menores emissões de CO2dos veículos novos vendidos em 2012

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Melhor desempenho ambiental dos automóveis europeus

Portugal no 2º lugar na Europa com menores emissões de CO2dos veículos novos vendidos em 2012


No quadro dos 27 Estados-Membros da União Europeia (UE)Portugal perdeu a liderança do ranking no que diz respeito à frota de novos veículos ligeiros mais eficientes e mais limpos em relação a 2011. Os novos veículos ligeiros de passageiros em Portugal, emitiram em 2012, em média, 117,7 gCO2/km, apenas ultrapassado pela Dinamarca (117,3 gCO2/km) e seguido pela Holanda (118,7 gCO2/km). Estas são as conclusões de um estudo hoje publicado(1), em Bruxelas, pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus faz parte.
Existem vários fatores que justificam este desempenho positivo de Portugal, uma tendência que continua a verificar-se desde há vários anos: a frota média de automóveis ligeiros é dominada por veículos de dimensões mais reduzidas (e menos poluentes) do que a média dos países da UE e a carga fiscal beneficia os veículos menos poluentes, com a componente de emissões de COa ser ponderada em 60% no Imposto sobre os Veículos (IA) e no Imposto Único de Circulação (IUC). A crise económica que o país atravessa terá também resultado no decréscimo das vendas de novos veículos ligeiros, destacando as vendas dos mais eficientes.
O estudo ‘How Clean are Europe’s Cars’, publicado desde 2006, mostra o progresso anual feito pelos fabricantes de automóveis para reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO2 dos novos veículos ligeiros de passageiros colocados no mercado europeu, por comparação com as metas de emissões para 2015 (130 gCO2/km) e 2020 (95 gCO2/km).

Em 2012, os principais fabricantes de automóveis conseguiram reduzir as emissões médias de CO2 da sua frota em 2,5% ligeiramente abaixo dos 3,3% em 2011, mantendo a tendência de diminuição desde a adoção do regulamento europeu que limita as emissões de CO2 dos novos veículos em 2009(2), o que mostra a sua clara eficácia.
As principais marcas automóveis, no seu todo, estão apenas a 4% de atingir a meta de emissões para 2015, uma distância que estava em 7% em 2011. A Fiat, Toyota, Peugeot-Citroën (PSA), Renault e a Ford já cumprem em 2012 a meta para 2015, três anos antes do previsto. A Honda e a Mazda são as marcas automóveis mais distantes de atingir a meta para 2015. A manter-se a tendência de redução de emissões dos últimos cinco anos, será possível à indústria automóvel, no seu todo, também atingir a meta para 2020 antes desta data. Na corrida para a atingir, os fabricantes europeus (exceto a Daimler) estão entre os primeiros nove lugares com melhor desempenho, enquanto os últimos seis fabricantes com pior desempenho são asiáticos, num total de 15 fabricantes.
Os resultados apresentados mostram ainda que os fabricantes de automóveis não precisam de mecanismos artificiais para atingir as metas de emissões de CO2, como os supercréditos(3) ou a manipulação dos testes de laboratório sobre a poupança de combustível e de emissões de CO2 dos veículos, face às condições reais de condução(4). Para todos os fabricantes de automóveis, mais de metade do progresso de redução das emissões em testes de laboratório não foi replicado na estrada.
O peso dos veículos é um fator determinante para reduzir o consumo de combustível e emissões, e obter grandes poupanças em faturas de combustível. É possível, com base na tecnologia disponível, a custo reduzido e sem contrapartidas para a funcionalidade e segurança na estrada, reduzir um terço do peso dos veículos e o consumo de combustível em 23%. A redução do peso dos veículos em 100 kg pode ajudar os fabricantes automóveis a reduzir as emissões da sua frota média em 4,57 gCO2/km. As marcas automóveis não estão a tirar partido desta possibilidade, porque o regulamento de 2009 tem como critério o tamanho do veículo e não no seu peso na definição das metas de emissão.
O progresso na redução das emissões de CO2 nos novos veículos ligeiros poderá estar comprometido a partir de 2015. A Alemanha tem minado os esforços da UE em tornar mais ambiciosa a revisão do regulamento de 2009, atualmente em negociação entre o Parlamento e o Conselho Europeu(5). A divergência prende-se com a intenção da Alemanha em continuar a usar supercréditos com o objetivo de aumentar as vendas de carros elétricos no seu mercado interno. O estudo da T&E constatou que os supercréditos concedidos à Nissan para vender apenas 2800carros elétricos em 2012 efetivamente reduziu a sua meta de emissões em 2 gCO2/km. Se a tendência atual deaumento das vendas de veículos elétricos continuar em alguns Estados-Membros, os supercréditos comprometeriamtotalmente a meta dos 95 gCO2/km a atingir em 2020.

Francisco Ferreira, da Quercus, reforça que “é importante a indústria automóvel continuar empenhada em reduzir as emissões de CO2 dos novos veículos e dê prioridade a tecnologias menos poluentes. As instituições europeias não podem ceder aos interesses da indústria, pelo recurso a mecanismos artificiais para reduzir as suas emissões e assim manipular os consumidores, com prejuízo para a economia e o ambiente.”  



Lisboa, 10 de setembro de 2013

A Direção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

28/08/13

II Etapa de recuperação de um ninho de cegonhas

Depois da primeira etapa concluída, é já esta sexta-feira às 7h30 (cedinho!), que decorrerá a segunda etapa de colocação de um ninho de cegonhas no Rochoso.

Esta etapa consistirá no transporte dos 2 postes para o Rochoso. E contaremos com a colaboração da Câmara Municipal da Guarda no transporte.
No entanto toda a ajuda é bem vinda para carregar e descarregar os postes.

Data: 30/08/2013
Horas: 7h30 – 9h00
Local de encontro: junto às bombas de gasolina na estrada que vai do Outeiro de São Miguel até à Brigada de Trânsito

Mais informações/inscrições através do e-mail guarda@quercus.pt ou do tlm. 931 104 568.

20/08/13

Ação de voluntariado - recuperação de um ninho de cegonhas do Rochoso

É já este sábado, a partir das 9h30 até sensivelmente as 12h30, que o Núcleo Regional da Guarda da Quercus A.N.C.N. vai promover a primeira de três etapas de colocação de um ninho de cegonhas no Rochoso.

Esta primeira etapa consistirá no arranque de 2 postes de comunicações, atualmente sem utilidade, que se encontram ainda de pé dentro do perímetro da Portugal Telecom na Guarda (próximo do Seminário). Esta foi a opção encontrada para substituir a estrutura que atualmente sustem o ninho.

É bom referir que as cegonhas partiram em julho provavelmente para zonas mais quentes e o seu regresso, à semelhança dos anos anteriores, está previsto para fevereiro.

Se gostava de colaborar nesta ação de voluntariado não perca esta oportunidade.

Material de apoio: pá, enxada, cordas, luvas. Se tiver algum deste material e puder trazer agradecíamos.

Em breve mais informações sobre as restantes etapas.

Inscrições/Informações através do e-mail guarda@quercus.pt ou do tlm. 931 104 568.
Inscrição obrigatória por uma questão de fazermos um seguro.