23/09/12

Estudo científico publicado hoje demonstra que milho transgénico causa tumores e morte


Plataforma Transgénicos Fora
2012/09/19
Comunicado

Todos os transgénicos estão em causa - Governo tem de tomar medidas
ESTUDO CIENTÍFICO PUBLICADO HOJE DEMONSTRA QUE MILHO TRANSGÉNICO CAUSA TUMORES E MORTE

Foi hoje publicado na prestigiada revista internacional Food and Chemical Toxicology(1) um estudo(2) sobre milho geneticamente modificado que aponta para efeitos tóxicos "alarmantes"(3) até agora desconhecidos. Trata-se da primeira vez a nível mundial que são investigados os efeitos de longo prazo dos transgénicos na saúde.

O milho geneticamente modificado utilizado na alimentação dos animais de laboratório foi o NK603 da multinacional Monsanto, tolerante ao herbicida Roundup produzido pela mesma empresa. Foi considerado seguro e autorizado para a alimentação humana pela Comissão Europeia já em 3 de Março de 2005 e tem circulado na Europa desde então.

Os investigadores, liderados pelo Prof Séralini da universidade francesa de Caen, verificaram que os animais alimentados pelo milho transgénico (num regime alimentar oficialmente considerado seguro) sofreram de morte prematura, para além de tumores e danos em múltiplos órgãos vitais.(4)

A Plataforma Transgénicos Fora considera que, à luz destes resultados e ao contrário do que a própria Monsanto afirma(5), os alimentos transgénicos em circulação não podem mais ser considerados seguros. O governo deve pois tomar imediatamente medidas de emergência e precaução (previstas aliás na diretiva quadro dos transgénicos 2001/18):
- Suspensão imediata de todos os transgénicos em uso na alimentação e nas rações animais; e
- Proibição imediata do cultivo de milho transgénico em Portugal.

Enquanto não forem publicados mais dados científicos com estudos de longo prazo sobre todos os transgénicos já autorizados que demonstrem a sua segurança efetiva, a eliminação da sua produção e consumo é a única forma de garantir a proteção dos consumidores portugueses.


---------------------
NOTAS
(1) Pertence ao 1º quartil mundial das revistas científicas da sua área temática.
(2) Séralini, G.-E., et al. Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize. Food Chem. Toxicol. (2012) http://dx.doi.org/10.1016/j.fct.2012.08.005
O artigo (que contém fotos dos tumores) pode ser descarregado em http://tinyurl.com/seralini
(3) De acordo com declarações do autor principal deste estudo: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=592540
(4) Os resultados do estudo, que avaliou dez grupos de animais (cada um com dez machos e dez fêmeas) ao longo de um ciclo de vida completo (dois anos) foram os seguintes:
- Nos ratos fêmea houve 2 a 3 vezes mais mortes (e mortes mais rápidas) do que seria normal. Nos ratos macho isso também sucedeu, embora apenas em três dos dez grupos.
- As fêmeas desenvolveram quase sempre grandes tumores mamários mais frequentemente e antes do que seria normal. A pituitária foi o segundo órgão mais afetado. O equilíbrio das hormonas sexuais também foi alterado.
- Nos machos a congestão e necrose hepáticas sucederam 2,5 a 5,5 vezes acima do normal. Também apresentavam quatro vezes mais grandes tumores palpáveis do que esperado, para além de que eles apareciam até 600 dias mais cedo do que normal.
- Em ambos os sexos foram detetadas deficiências renais crónicas muito significativas. De todos os parâmetros alterados, 76% estavam relacionados com os rins.
- Em termos de mortalidade, 30% dos machos de controle e 20% das fêmeas de controle morreram prematuramente. Em alguns dos grupos de teste a mortalidade prematura atingiu os 50% dos machos e 70% das fêmeas.
(5) Ver por exemplo em http://www.monsanto.com/newsviews/Pages/food-safety.aspx#q1

___

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (AGROBIO, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Ação e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; Associação IN LOCO; LPN, Liga para a Proteção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente e QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza) e apoiada por dezenas de outras. Para mais informações contactar info@stopogm.net ouwww.stopogm.net

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.

Comunicado | Empresa destrói habitat de águia-imperial-ibérica no Tejo Internacional através de corte ilegal‏



Empresa efetua corte ilegal e desrespeita área de nidificação
Habitat de águia-imperial-ibérica destruído no Tejo Internacional

A Empresa Floponor, uma empresa de exploração florestal, foi contratada para executar um corte de eucaliptal e pinhal numa propriedade privada onde nidifica um casal de águia-imperial-ibérica, destruindo toda a área circundante aos ninhos que têm sido até agora ocupados.


De salientar que quer o proprietário, quer a empresa, haviam sido notificados pelo ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade - em janeiro deste ano, acerca das condicionantes e cuidados a ter durante o processo de corte e de retirada de madeira do local. 

Foram definidas e marcadas cartograficamente e no terreno, zonas de salvaguarda onde os trabalhos não poderiam decorrer durante o período de nidificação da espécie, e uma outra zona de proteção à nidificação, onde estava interdito o corte de árvores, situação que não foi cumprida, tendo mesmo esta última área sido destruída quase na sua totalidade.

Ilegalidades começaram na primavera

Já em março deste ano a Quercus foi obrigada a intervir no local e a sensibilizar a Floponor para respeitar o período de nidificação da espécie, de acordo com as exigências do ICNB, pois o disposto no Decreto-Lei 140/1999, de 24 de abril, alterado pelo Decreto-Lei 49/2005, de 24 de fevereiro, proíbe a perturbação das aves neste período.


Após a sensibilização da Quercus, os trabalhos pararam e dois dias depois o casal regressou ao ninho para iniciar o período de nidificação, tendo neste ano criado com sucesso 3 crias.

Novas ilegalidades destroem habitat

Hoje, dia 21 de setembro, a Quercus constatou no local que a empresa violou o acordado, cortando ilegalmente as árvores na mancha de proteção à nidificação definida pelo ICNB. Ao que a Quercus apurou, este Instituto já se encontra a acompanhar a situação e estará iminente o levantamento de um auto de notícia à FLOPONOR. Como esta destruição do habitat de nidificação poderá pôr em causa a continuidade deste casal no local, a Quercus irá acompanhar a situação em conjunto com as autoridades.

habitat1  habitat2
Local onde foram abatidas as árvores em zona de proteção à nidificação

Águia-imperial-ibérica – Uma espécie em perigo

A águia-imperial é uma espécie endémica do Oeste do Mediterrâneo, estando atualmente restrita à Península Ibérica, onde nidificam cerca de 250 casais. Devido à pequena dimensão desta população, e constituindo uma espécie de rapina rara no mundo, encontra-se hoje classificada como Vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (IUCN, 2008) e como Criticamente em Perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005). 


Em Portugal tem procriado com regularidade na proximidade do Parque Natural do Tejo Internacional, também classificado como Zona de Protecção Especial (ZPE), e nas ZPE de Moura, Mourão, Barrancos e de Castro Verde.


Atualmente a população portuguesa é de apenas 9 casais. Em 2012 criaram com sucesso apenas 4 casais. As principais ameaças a esta espécie são a destruição de habitat, os envenenamentos, a electrocussão e colisão com linhas eléctricas, o abate ilegal e o declínio das populações de coelho.

Lisboa, 21 de setembro de 2012

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


Para mais informações contactar: Samuel Infante -             96 294 64 25      

22 de setembro | Dia Europeu Sem Carros




Em tempo de crise, mobilidade sustentável merecia mais protagonismo: só 42 cidades aderem à iniciativa

Decorre, entre 16 a 22 de setembro, em quase duas mil cidades espalhadas pelo mundo, mais uma edição da Semana Europeia da Mobilidade (SEM), este ano subordinada ao tema “Avançando na Direção Certa”. Perante o cenário de crise económica que o país atravessa, a Quercus alerta que governo e autarquias estão a avançar em contracorrente do tema de 2012, dado que os transportes e a mobilidade urbana sustentável deixaram de ser uma prioridade na agenda política. Este facto é evidenciado pelo reduzido número de cidades portuguesas que este ano são consideradas participantes na Semana Europeia da Mobilidade e que é de apenas 24. Em relação ao Dia Sem Carros, há também só 42 cidades participantes.
 
Desde 2002 que a SEM tem procurado sensibilizar as pessoas que vivem nas cidades para os problemas associados com os transportes e a mobilidade em geral. Para isso, é necessário explorar soluções concretas para enfrentar os desafios com que as zonas urbanas hoje se deparam, como a poluição do ar, o ruído e o congestionamento, e estimular a mudança de comportamentos para soluções de mobilidade mais sustentáveis.
 
Na SEM, as autoridades locais são convidadas a lançar e promover medidas de carácter permanente, para promover soluções de mobilidade mais amigas do ambiente e que proporcionem uma vivência da cidade mais saudável e sustentável, em detrimento do automóvel.
 
Apesar dos esforços das autarquias locais em promover anualmente a SEM, pouco tem sido feito para promover de facto uma mobilidade mais sustentável. A Quercus salienta que o Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (PNAEE), na sua versão de 2008, contemplava como uma das suas medidas, a elaboração de planos de mobilidade urbana para todas as capitais de distrito para promover a eficiência energética no setor dos transportes, mas praticamente nenhum destes planos foi ainda elaborado. Estes planos deveriam conter um conjunto de medidas para minimizar a utilização do automóvel, melhorando a acessibilidade, e reduzindo a fatura dos transportes no orçamento das famílias.
 
Em Portugal, a política de transportes não tem evoluído no sentido de incentivar o transporte público em detrimento do automóvel, e de melhorar os serviços já existentes, o que traria benefícios ambientais (com menos congestionamento, poluição, emissões de CO2 e ruído) e energéticos (redução de importação e consumo de energia, maior eficiência energética) para o país.
A Quercus considera ainda que tem sido esquecida a promoção da bicicleta e dos modos suaves de mobilidade, bem como os seus benefícios ambientais na redução da poluição, do ruído e do consumo de energia no setor dos transportes, a melhoria da qualidade de vida nas cidades e a promoção da segurança rodoviária.
 
Ao longo dos últimos anos, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto têm revelado ultrapassagens dos limites legais relativos à qualidade do ar, sobretudo partículas inaláveis (PM10) e dióxido de azoto (NO2).
 
Assim, a Semana Europeia da Mobilidade e o Dia Europeu sem Carros, assumem cada vez mais apenas um espírito comemorativo e pontual, sem que daí resultem medidas permanentes e com efeitos substanciais na melhoria da qualidade do ar e do ruído, e que afetam muitas centenas de milhares de pessoas nos maiores centros urbanos do país.
 
Em tempo de crise, quando seria fundamental apoiar a mobilidade de quem tem menos recursos, persistem elevados preços de bilhetes para utilizadores esporádicos, aumentou-se o houve uma redução muito significativa da comparticipação em alguns tipos de passes sociais, há falta de articulação entre os diferentes modos de transporte público nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, ou verificam-se ainda grandes deficiências de oferta em muitos concelhos com menor população, nomeadamente no interior do país.
 
Lisboa, 21 de setembro de 2012
 
A Direção Nacional da
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Para mais informações contactar:Francisco Ferreira, Quercus
Telemóvel: 937 788 470 | E-mail: franciscoferreira@quercus.pt
 
Mafalda Sousa, Quercus
Telefone: 213 462 210 | E-mail: mafaldasousa@quercusancn.pt

Jornadas Voluntárias de Outono



Depois de uma última jornada de Verão que não se chegou a realizar, anunciam-se agora as Jornadas Voluntárias de Outono no Cabeço Santo.
A primeira terá lugar já no dia 6 de Outubro e será integrada na Semana Europeia da Custódia do Território (http://www.landlifeweek.eu). Será uma jornada dedicada à sementeira de bolotas e à recolha de frutos de outras plantas nativas, em particular o lentisco. A sementeira, contudo, só se poderá realizar se as condições do solo forem favoráveis, isto é, se já estiver húmido. Este dia terminará com o enfrascamento dos primeiros frascos de mel Cabeço Santo e a oferta aos voluntários dos primeiros frascos de 150g da colheita de 2012!
Nas restantes jornadas continuarão os trabalhos de acompanhamento das áreas sob intervenção do projecto, que consistem sobretudo na remoção de plantas de espécies invasoras e a protecção das árvores já introduzidas. Também se fará uma avaliação da acção de plantação de estacas de salgueiro realizada no ano passado, que será complementada, se necessário.
Eis os dias planeados para as Jornadas de Outono de 2012:
Outubro: 6 [integrado na Semana Europeia da Custódia do Território], 27
Novembro: 17
Dezembro: 1
Este documento detalha alguns aspectos destas Jornadas de Outono.
Eis finalmente a foto “oficial” da participação na Semana Europeia da Custódia do Território, que, não tendo sido rigorosamente obtida no Cabeço Santo, foi-o 3 km a jusante no Ribeiro de Belazaima e pretende ilustrar como poderá ficar o mesmo Ribeiro no Cabeço Santo dentre de 10 ou 15 anos!

Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores



Liga para a Protecção da Natureza e Quercus lançam hoje petição contra nova proposta de regime de arborizações

Dia 21 de setembro, comemora-se o “Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores”, que tem como objetivo principal alertar a opinião pública para os impactes asociados à alteração do uso do solo, como a afetação da flora e fauna locais, erosão dos solos e assoreamento de linhas de água.

Em Portugal, a principal espécie de árvore utilizada para plantações em monocultura é o eucalipto, cultivado para produção de pasta de papel, o qual apresenta, segundo o Inventário Florestal Nacional em 2005-06, uma área de cerca de 740 mil hectares e com tendência a aumentar.
Liga para a Protecção da Natureza e Quercus lançam petição
No seguimento da proposta de novo regime de arborizações e rearborizações, que esteve em consulta pública recentemente, e dada a gravidade da desregulação que esta proposta apresenta, a LPN e a Quercus apresentaram e lançaram hoje uma petição “Contra a eucaliptização - proposta de revisão da legislação das arborizações”, onde fundamentam os seus motivos para a oposição a esta proposta.
A petição estará disponível para assinatura nos sítios electrónicos das duas Associações, bem como no sítio http://www.peticaopublica.com/?pi=PCE2012
Espera-se com esta iniciativa mobilizar a sociedade portuguesa no seu todo para tomar posição em relação à referida proposta e incentivar o Governo a efectuar na mesma as necessárias alterações.

Lisboa, 21 de setembro de 2012

A Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


Para mais informações contactar:

LPN
Eugénio Sequeira: 965336320
João Camargo: 963367363

Quercus
Nuno Sequeira: 93 778 84 74
Domingos Patacho: 937 515 218

Comunicado | Alterações climáticas: estudo do Governo confirma viabilização de metas ambiciosas para 2020 e 2050‏


Alterações climáticas

Estudo do Governo confirma viabilização de metas ambiciosas para 2020 e 2050

A Quercus considera que o Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050 (RNBC) cuja consulta pública terminou no passado dia 15 de Setembro e em que a Associação participou, constitui um exercício exploratório relevante, permitindo equacionar de forma mais clara os futuros trabalhos essenciais da política climática portuguesa na área da mitigação, bem como o posicionamento político do país no contexto Europeu.
Neste sentido, e como se refere, o RNBC deve ser considerado como uma fase preliminar e de suporte, desde já, ao Plano Nacional de Alterações Climáticas para 2020 e, também, aos Planos Setoriais de Baixo Carbono. Estes últimos instrumentos, cujo tempo de elaboração se restringe a pouco mais de três meses e que deverão ter em conta uma visão futura (pós-2020), terão de integrar muitas das suposições que têm vindo a ser assumidas, nomeadamente associadas à área da energia, no Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (PNAEE) e no Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis (PNAER), cujas versões finais, após a consulta pública de um documento preliminar, ainda se desconhecem.

Os benefícios adicionais de uma trajetória de baixo carbono para Portugal, nomeadamente em matéria de emissões atmosféricas, e variáveis macroeconómicas como PIB e empregos, mesmo que avaliados e explicitados com precaução, são suficientemente positivos para assegurar um apoio a uma economia com um paradigma diferente do atual. É preciso que uma próxima abordagem, ainda para 2020 ou até mesmo 2030, considere visões concretas e plausíveis de virem a ocorrer no futuro do País.

Roteiro mostra que é possível Portugal apenas aumentar 20% as suas emissões até 2020 e reduzir em pelo menos 70% até 2050 (em relação a 1990)

Através da análise detalhada que a Quercus efetuou do Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050, há três conclusões fundamentais que o Governo deve assumir e integrar nos próximos documentos em matéria de alterações climáticas e particularmente no sector da energia: 

- Existe viabilidade económica e tecnológica para a implementação em Portugal de uma trajetória de baixo carbono, em linha com o objetivo da União Europeia de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 80-95% em 2050, face aos níveis de 1990 que permitem ao país fixar desde já uma meta global ambiciosa de redução de pelo menos 70% em relação ao ano-base de 1990.

- Portugal deve fixar uma meta global de aumento das emissões de 20% ou inferior para 2020 em relação a 1990, no sentido de antecipar o caminho para uma economia de baixo carbono (cerca de 10% abaixo do que está por agora fixado pela União Europeia); não apenas o modelo do RNBC menciona que sem incentivos se poderá atingir um aumento de apenas 12% em 2020 em relação a 1990, como os níveis atingidos no período 2008-2012 estão abaixo dos compromissos de Quioto e com tendência decrescente persistente.

- Em ambos os cenários estudados em que foram consideradas restrições de carbono consegue atingir-se, em 2050, 88% de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Neste contexto, a Quercus considera que através de um planeamento antecipado e incentivos que não foram considerados no modelo, é viável Portugal atingir o objetivo proclamado pela nossa Associação de fornecimento de 100% de eletricidade renovável nessa altura, com metas intermédias a definir para 2030 e 2040.
  
Lisboa, 23 de Setembro de 2012

A Direção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Para mais informações contactar Francisco Ferreira, telemóvel             96-9078564       ou             93-7788470       ou Ana Rita Antunes,            93-4794359      .

17/09/12

Comunicado | Portucel avança com expansão de novos eucaliptais, aumentando as monoculturas existentes‏




Quercus recebeu várias denúncias


Portucel avança com expansão de novos eucaliptais, aumentando as monoculturas existentes


A Quercus tem vindo a receber diversas denúncias alertando para a expansão descontrolada de novas plantações de eucalipto, nomeadamente através da conversão de áreas de pinhal, terrenos agrícolas de cereal, inclusive em áreas sensíveis, aumentando a falta de compartimentação das monoculturas de eucalipto e o consequente risco de incêndio.

Na sequência destas denúncias, e depois de ter realizado visitas aos locais que comprovaram a veracidade dos factos relatados, a Quercus alertou atempadamente a Portucel Soporcel Florestal para os problemas detetados.

Estado permite expansão na envolvente da Albufeira do Castelo do Bode

Um caso paradigmático ocorreu recentemente no Perímetro Florestal do Castro em Ferreira do Zêzere, uma área de 252 hectares afetos ao Regime Florestal, em Reserva Ecológica Nacional, que teve a sua gestão transferida da Administração Central (ex - Autoridade Florestal Nacional, hoje ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) para o Município de Ferreira do Zêzere em julho de 2009. Uma parcela deste perímetro com 52 hectares foi depois arrendada à Portucel Soporcel Florestal, tendo os serviços da AFN, inexplicavelmente, autorizado a conversão do pinhal existente num novo eucaliptal em fevereiro de 2011, numa área de 44,2 ha. Consideramos esta situação de destruição da regeneração natural de pinheiro-bravo existente, um exemplo de gestão danosa do Regime Florestal quer por parte dos serviços da ex-Autoridade Florestal Nacional quer da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere que alienaram parte do património público em favorecimento de uma indústria, num concelho em que a monocultura de eucalipto é já dominante. No pressuposto que o Regime Florestal também visa promover o “revestimento florestal dos terrenos cuja arborização seja de utilidade pública, e conveniente ou necessária para o bom regime das águas”, teria toda a lógica que se investisse numa floresta com gestão de baixa intensidade, pois a mesma é essencial para a proteção das encostas e para garantir o abastecimento da Albufeira de Castelo do Bode.

Existem também outros projetos de rearborização em propriedades da Portucel Soporcel Florestal junto à Albufeira do Castelo do Bode, nomeadamente em Casal da Luísa, onde o terreno foi recentemente mobilizado e plantado com eucaliptal, em área condicionada pelo POACB – Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode. Esta operação converteu uma área de floresta natural de proteção e intervencionou linhas de água sem licença, o que originou a elaboração de um Auto de Notícia por Contraordenação por parte do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR, tendo o mesmo sido remetido para a Administração da Região Hidrográfica do Tejo, entidade instrutora do processo. Estranhamente a empresa prevaricadora nunca foi notificada!

Eucaliptal de regadio na Beira Interior gera controvérsia

A Quercus foi também alertada para a instalação de eucaliptal de regadio na Beira Interior na Quinta da Caneca, concelho do Fundão numa área de ensaio com cerca de 38 hectares. Apesar da água aí usada, de acordo com fontes da empresa, ser proveniente do Circuito Hidráulico do Sabugal-Meimoa e ser disponibilizada pela respetiva Associação de Regantes, o uso de água para rega de eucaliptal em pleno verão tem gerado contestação social, devido à escassez de água disponível na região. A expansão do eucaliptal de regadio no País com elevado consumo de água é algo que nos gera preocupação, pois pode colocar em causa o desenvolvimento sustentável da agricultura para abastecimento alimentar às populações.

Expansão dos eucaliptais para áreas agrícolas no Litoral Alentejano

Existem também novos projetos para expansão das monoculturas de eucalipto em terrenos de produção agrícola de cereal no Litoral Alentejano, situação que está a gerar alguma controvérsia junto das populações afetadas.

No Monte dos Pereiros, uma área agrícola junto da Aldeia do Cano, na freguesia de Cercal do Alentejo, concelho de Santiago do Cacém, o terreno está a ser preparado com maquinaria pesada para a plantação de um novo eucaliptal, tendo o projeto de arborização sido aprovado pelos serviços florestais, sem que a Câmara Municipal de Santiago do Cacém se tenha pronunciado sobre o mesmo.

Na Herdade da Corte do Meio, junto da localidade de S. Luís, no concelho de Odemira, numa área agrícola em produção, o ICNF - Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas já aprovou o projeto de arborização no Sítio de Importância Comunitária da Costa Sudoeste, incluído na Rede Natura 2000, numa área em que deveria existir um processo de Avaliação de Impacte Ambiental prévio.

A expansão de novas plantações de eucalipto sobre as áreas agrícolas vai criar monoculturas mais extensas, ocupando faixas de contenção aos incêndios próximo das localidades, o que contraria as medidas da Defesa da Floresta Contra Incêndios, colocando em risco pessoas e bens.

Mais, esta expansão em determinadas situações coloca em causa o cumprimento das normas de certificação de gestão florestal sustentável, pelo que a Quercus espera que a Portucel e as outras celuloses invistam na melhoria da produtividade nas áreas já existentes, evitando a expansão dos eucaliptais para áreas agrícolas e para zonas sensíveis, como as áreas classificadas, como o preconizado pelo Manifesto das ONG’s ibéricas sobre a problemática dos eucaliptais.


Lisboa, 17 de setembro de 2012

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Para mais informações contactar:

Domingos Patacho: 937 515 218 begin_of_the_skype_highlighting            937 515 218      end_of_the_skype_highlighting - Coordenador para a Área das Florestas da Quercus
Nuno Sequeira: 93 778 84 74 begin_of_the_skype_highlighting            93 778 84 74      end_of_the_skype_highlighting – Presidente da Direção Nacional da Quercus

Fotografias relacionadas com este assunto podem consultadas no site da Quercus.