22/02/12

Comunicado | Areias betuminosas ameaçam política europeia de alterações climáticas e transportes‏

Amanhã, 23 de Fevereiro, vai decorrer em Bruxelas uma reunião onde será discutida e votada pelos Estados-Membros uma proposta da Comissão Europeia para alterar a Diretiva da Qualidade dos Combustíveis e reforçar a sua implementação a nível da União Europeia.

A queima de combustíveis utilizados nos transportes rodoviários é responsável por cerca de 20 % das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na União Europeia. A Diretiva da Qualidade dos Combustíveis é um marco importante na estratégia europeia de combate às alterações climáticas, uma vez que obriga, pela primeira vez desde 2009, os fornecedores de combustíveis a reduzir a intensidade de carbono do seu ciclo de vida para os transportes em 6% até 2020, em comparação com 2010. Esta redução pode ser atingida pela utilização de biocombustíveis, de eletricidade renovável ou por uma maior eficiência na extração de combustíveis fósseis.

A proposta da Comissão Europeia é extremamente importante para assegurar a implementação efetiva de uma Diretiva fundamental para reduzir as emissões de GEE no sector dos transportes, pois vem clarificar as regras de cálculo das emissões associadas aos combustíveis ao longo do seu ciclo de vida, e atribuir diferentes valores de referência às emissões de cada tipo de fonte primária de combustível, permitindo distinguir as fontes convencionais de petróleo de outros combustíveis com elevados teores em carbono – como por exemplo o carvão, o gás natural ou as areias betuminosas(2).

Vários estudos científicos têm vindo a mostrar que existem diferenças importantes na forma como os combustíveis são produzidos, com impacte significativo nas emissões de GEE ao longo do seu ciclo de vida. Por exemplo, o processo de produção de gasolina a partir de areias betuminosas emite mais 18 a 49 % de emissões de GEE do que a produção de gasolina convencional na União Europeia(3)A Comissão vai de encontro a estes estudos, propondo como valor de referência das emissões de gasolina a partir de petróleo convencional 87,5g CO2/MJ, enquanto para gasolina produzida a partir das areias betuminosas o valor de emissões é de 107g CO2/MJ. A não adoção desta proposta, conduziria a assumir-se o mesmo valor para ambos os casos, distorcendo o mercado em prejuízo do ambiente.

Primeiro-Ministro Passos Coelho recebe carta de Prémios Nobel. Ministérios do Ambiente e Economia não clarificam posição de Portugal

A Quercus considera importante que Portugal tenha nesta matéria uma posição de claro apoio à proposta da Comissão Europeia, afastando-se de alguns países europeus que põem em causa os benefícios ambientais da Diretiva e contrariam os dados científicos que demonstram a poluição gerada pela produção de combustíveis a partir de fontes não convencionais, ameaçando o cumprimento da meta de redução de emissões de GEE imposta pela Diretiva da Qualidade dos Combustíveis e a liderança da União Europeia na política climática global.

No passado dia 15 de Fevereiro, um grupo de oito Prémios Nobel da Paz à escala mundial, entre eles Desmond Tutu (África do Sul) e Ramos Horta (Timor-Leste), enviaram ao primeiro-ministro Passos Coelho, uma carta onde apelam ao apoio Portugal para manterem a Europa livre de areias betuminosas provenientes do Canadá e Estados Unidos e apostarem em combustíveis limpos.

A informação recebida pela Quercus através da Secretaria de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território de apoio às linhas gerais contidas na proposta da Comissão Europeia merece a nossa congratulação. No entanto, a Quercus sabe que ainda ontem as Secretarias de Estado do Ambiente e da Energia discutiam o sentido final de Portugal na votação a ocorrer amanhã, decisão que a Quercus continua a desconhecer. A posição do nosso país será determinante para perceber a coerência das nossas políticas climática e energética e clarificar diferenças que começam a surgir cada vez mais entre os anúncios e as decisões políticas finais deste governo.

Numa altura em que se debate como o sector dos transportes vai cumprir o objetivo de redução das suas emissões de GEE em 60% até 2050(4), a proposta de alteração desta Diretiva torna-se extremamente importante e necessária para reduzir essa poluição deste sector de forma custo-eficaz, atuando ao longo de todo o ciclo de vida dos combustíveis e reforçando a liderança da União Europeia para combater as alterações climáticas a nível internacional.

 
Nota para os editores:


(1) Diretiva 2009/30/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 Abril (em inglês, a Diretiva FQD)

http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2009:140:0088:0113:PT:PDF


(2) As areias betuminosas (da designação em inglês “tar sands”) são um tipo de combustível fóssil, de elevado teor em carbono, constituído por misturas naturais de areia ou argila, água e betume. São abundantes em diversas partes do mundo, mas podem ser encontradas em quantidades elevadas no Canadá e na Venezuela, estando em curso avultados investimentos para explorar este tipo de petróleo, em especial no Canadá.

(3) NRDC (2010): “GHG Emission Factors for High Carbon Intensity Crude Oils”

http://docs.nrdc.org/energy/ene_10070101.asp

(4) A Comissão Europeia adotou, em Março de 2011, o Livro Branco dos Transportes com 40 iniciativas concretas para reduzir em 60 por cento as emissões de carbono associadas ao sector dos transportes em 2050.

http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2011:0144:FIN:PT:PDF

19/02/12

Caminhada pelo Castanheiro do Guilhafonso 24 de Março



As acções de sensibilização são uma ferramenta importante para se fomentar uma mudança de atitudes, com vista a comportamentos mais sustentáveis. Apesar da sensibilização por si só não levar a mudanças permanentes, é um passo importante para a consciencialização dos cidadãos relativamente aos problemas ambientais contemporâneos.






Neste sentido o Núcleo da Quercus – Guarda vai levar a cabo um conjunto de acções de sensibilizações de formar a sensibilizar os cidadãos da Guarda. Um exemplo deste tipo de acções é a “ caminhada do dia da árvore” uma iniciativa que pretende alertar para a importãncia das àrvores inserida num meio ambiente que é de todos e para todos. Neste contexto escolhemos um trilho que nos leva ao Castanheiro do Guilefonso, um do belo exemplar. Todos nós assistimos a uma tentavida de alertar para os problemas que esta àrvore está a passar, e neste sentido num ato puramente simbólico iremos plantar um castanheiro no mesmo local. Inserido nesta caminhada, pretendemos ainda assinalar o dia do “limpar Portugal."

14/02/12

Educadores Ambientais



As recomendações da Conferência de Tbilisi, delinearam algumas diretrizes em que a educação ambiental, deveria romper com os modelos tradicionais de educação ao aceitar a interdisciplinaridade para a solução de problemas sócioambientais e estabelecer cooperações locais, nacionais e internacionais. Assim o Núcleo da Guarda da Quercus levou a cabo uma acção de formaçãode“educadores ambientais” com uma duração de 16horas. Esta acção decorreu na Quinta da Maúça nos dias 11 e 12 de Fevereiro.  

Fotos da acção aqui



Desta forma, pretendia-se criar um espaço de diálogo, no sentido de incorpor a dimensão ambiental, de forma a contribuir na sensibilização de questões políticas e educativas.
Várias questões foram tradas mas destacamos sem dúvida o termo “sustentabilidade” ou “sociedades sustentáveis”. Isto implicou um debate em torno da sustentabilidade e/ou desenvolvimento sustentável. Sem dúvida uma das orientações e diretrizes do curso.


Neste processo de formação, exerceu-se momentos de reflexão crítica para analisar, discutir, contestar eidentificar o campo de disputas que permeia a apropriação do significado de sustentabilidade.


O núcleo da Quercus espera que a formação de educadores ambientais, possa vira a contribuir, através de uma forma reflexiva e crítica, nos processos sócioambientais e educativos, bem como na compreensão da gestão ambiental para possível aplicação da política ambiental na região

Comunicado | Governo não cumpre a legislação: prazo de um ano para analisar presença de amianto em edifícios públicos termina hoje‏


Termina hoje, dia 14 de Fevereiro, o prazo de «um ano» para o Governo fazer o levantamento dos edifícios públicos que contenham fibras de amianto.

A publicação da Lei n.º 2/2011, a 9 de Fevereiro do ano passado, definia como objectivo a realização de um Levantamento a todos os edifícios públicos, identificando o estado de degradação dos materiais com amianto e medidas as concentrações de fibras respiráveis, de forma a estabelecer um plano de monitorização ou remoção, dependendo da gravidade de cada situação.

ausência deste Levantamento mantém desconhecida a presença de fibras de amianto nos nossos edifícios públicos, mantendo a incerteza dos seus efeitos na saúde de quem neles trabalha ou em quem neles circula. O amianto é um material constituído por fibras finas e facilmente inaláveis, que poderão causar problemas graves de saúde, como cancro do pulmão ou outras doenças respiratórias. É possível encontrar amianto em diversas utilizações como no revestimento de paredes, alcatifas ou no isolamento de condutas e tectos.

Este diploma exigia ainda que as entidades que gerem os edifícios fossem obrigadas a informar os utilizadores das instalações sobre a existência ou não de amianto, bem como da previsão da sua remoção. O Levantamento deveria ter sido comunicado à Assembleia da República e à ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), entidade que actuaria como reguladora na monitorização do estado de cada edifício, definindo uma estratégia de actuação regular e efectiva, hierarquizando a remoção das fibras para cada situação.

Esta situação em nada contribuirá para o cumprimento da Directiva Comunitária, referente à protecção dos trabalhadores contra os riscos de exposição ao amianto, a qual Portugal e os restantes Estados-membros estão obrigados a transpor até 31 de Dezembro de 2012.

Lisboa, 14 de Fevereiro de 2012

O Centro de Informação de Resíduos da
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

11/02/12

Recortes de Imprensa Acção de Formação Educador ambiental

O Interior - Diário da Guarda - 09-02-2012 - Sociedade - Quercus ...
O Núcleo da Guarda da Quercus organiza, este fim-de-semana, o curso de formação para Educador Ambiental. A ação vai abordar conteúdos como a ...
www.ointerior.pt/noticia.asp?idEdicao=640&id...
Quercus promove formação em Educação Ambiental | Conteúdos ...
A ação vai abordar conteúdos como a fundamentação histórica e atuação da Educação Ambiental, as técnicas e estratégias a desenvolver no seu âmbito, bem ...
www.multimedia.guarda.pt/.../12220-quercus-promove-forma...

06/02/12

Nota de Imprensa | Quercus e Águas do Ribatejo iniciam Projecto "Escolas Amigas da Água" em cinco escolas da região‏

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Projecto “Escolas Amigas da Água”
Quercus e Águas do Ribatejo promovem uso eficiente da água em cinco escolas


A Quercus e a Empresa Águas do Ribatejo, E.I.M., apresentam, no próximo dia 8 de Fevereiro, 4ª feira, o arranque do projecto “Escolas Amigas da Água” em cinco escolas da região, numa cerimónia que decorrerá na sede das Águas de Coimbra, pelas 14h30.
Este projecto, que a Quercus já desenvolve também nas regiões do Algarve e concelho de Coimbra, tem como objectivo sensibilizar a comunidade escolar para o uso eficiente da água nos espaços de ensino. Pretende-se trabalhar mais de perto com as escolas de ensino básico e secundário e tornar claro o seu papel fundamental quer na mudança de comportamentos a médio e longo prazo, quer na sensibilização de toda a comunidade para estas preocupações ambientais que aproximam as duas entidades envolvidas.
Instituições de ensino participantes no Ribatejo:
EB 2,3 Professor João Fernando Pratas (Benavente)
ES Maria Lamas (Torres Novas)
EB 2,3 Fazendas de Almeirim (Almeirim)
EB 2,3 de José Relvas (Alpiarça)
EB/JI do Couço (Coruche)


Morada da sede das Águas do Ribatejo: Rua Gaspar da Costa Ramalho, nº 38 2120-098 Salvaterra de Magos

Lisboa, 6 de Fevereiro de 2012

29/01/12

Comunicado | Projecto da Barragem de Veiguinhas ameaça o Parque Natural de Montesinho‏

Projecto da Barragem de Veiguinhas ameaça o Parque Natural de Montesinho


Esteve, até final do passado mês de Dezembro, em consulta pública o Estudo de Impacte Ambiental do “Reforço do Abastecimento de Água a Bragança”, o qual prevê a construção de uma nova barragem de Veiguinhas no rio Sabor, em pleno Parque Natural de Montesinho, sem o devido estudo de alternativas de localização existentes.



O projecto da barragem de Veiguinhas é promovido pela empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro e localiza-se na Zona de Protecção Especial para Aves Selvagens das “Serras de Montesinho e Nogueira” e também no Sítio de Importância Comunitária “Montesinho – Nogueira”, integrando a Rede Natura 2000.


Esta área contém valores naturais e paisagísticos cujo significado e importância são excepcionais ou elevados do ponto de vista da conservação da natureza, sendo igualmente elevada ou moderada a sua sensibilidade ecológica.

Não é pois aceitável que na caracterização da área de estudo não haja uma única referência ao Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho.

Deveria ter sido efectuada a análise da alternativa zero (ausência de intervenção), pelo que a sua falta configura uma falha grave da Comissão de Acompanhamento de Impacte Ambiental, que não deveria ter dado conformidade a este Estudo de Impacte Ambiental.

Alternativas Estudadas e Abandonadas



No que se refere às alternativas estudadas e abandonadas importa salientar o seguinte:

• a Barragem de Parada apresenta um escoamento anual de 3,0 hm3/ano, que é superior à actual captação da Serra Serrada;

• não foi estudada a alternativa do alteamento da barragem de Serra Serrada.


Habitats Prioritários e Espécies Protegidas Ameaçadas



Na área de estudo existem os habitats prioritários “Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix”, “Cervunais” e as “Florestas aluviais” de amieiros e freixo.

Ocorrem várias espécies ameaçadas como o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), com estatuto “Em Perigo” de extinção. “Com vista à protecção, conservação e fomento do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus Cabrera, 1907), é proibido: d) A destruição ou deterioração do respectivo habitat”, de acordo com o D.L. n.º 139/90, de 27 de Abril.

Nas Aves destacam-se espécies ameaçadas como o Tartaranhão-azulado, com estatuto “Criticamente Em Perigo”, sendo um dos únicos locais onde nidifica em Portugal, e ainda diversas espécies classificadas como “Em Perigo” de extinção, nomeadamente a Águia-caçadeira, um casal de Águia-real, o Melro-das-rochas, sendo ainda a única zona no País onde nidifica a Petinha-ribeirinha.


Sobre as Soluções Propostas:

As soluções I e II são aquelas que violam a lei no que respeita à legislação portuguesa (Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei nº49/2005, de 24 de Fevereiro e Resolução do Conselho de Ministros nº179/2008, de 24 de Novembro) e violam o direito comunitário nas Directivas Aves e Habitats.

A solução III é a menos impactante das soluções estudadas, pelo que apesar de não ser muito problemática a sua aprovação, deveria ter sido efectuada no entanto uma análise séria da opção ausência de intervenção, conforme estipula o nº1 do Anexo III do Decreto-Lei n.º69/2000, de 3 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei n.º197/2005, de 8 de Novembro. Podiam ter sido estudadas eventualmente as soluções Barragem de Parada, Barragem de Rebordãos, o alteamento da Barragem de Gostei, sem a construção de Veiguinhas, ou ainda o alteamento da barragem de Serra Serrada.

A Quercus espera que prevaleça o bom senso e não seja aprovado o projecto de construção da Barragem de Veiguinhas no Parque Natural de Montesinho sem que tenham sido avaliadas soluções fora desta área protegida.


Lisboa, 26 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza / Núcleo Regional de Bragança

18/01/12

II Concurso Fotográfico da Passagem Secreta


Aqui esta a primeira actividade de 2012 da nossa Associação!

O II Concurso de Fotografia, com o tema “A Floresta da Serra da Estrela”, é um concurso integrado no Plano Anual de Actividades da Associação e está aberto à participação de todos os interessados.
Tem como objectivos sensibilizar a comunidade, de forma a mobilizar os seus sentidos para a capacidade de observação e valorização das riquezas que a Serra da Estrela nos oferece, podendo assim apresenta-las através da fotografia.

Neste sentido estamos a lançar o II Concurso Fotográfico e com o objectivo de lhe dar cada vez mais notabilidade e interesse.
Para tal contamos nesta edição do concurso com prestigiadas entidades que se uniram a nós nesta iniciativa, possibilitando assim melhorar os prémios assim com o experiente fotógrafo, do nosso concelho, o Sr. Carlos Moura no nosso Júri.


As inscrições estão abertas até o dia 15 de Fevereiro e podem ser enviadas para o email:
passagem.secreta.acr@gmail.com

Os prémios são:
1ª Classificada – Pass Montanhas - Voucher p/ cinco actividades da Empresa Trilhos de Ideias - Manteigas
2ª Classificada – Cheque-oferta no valor de 20€ da empresa Husse - na Guarda
3ª Classificada – Vale de desconto p/ duas pessoas numa das actividades + T´shirt da Associação Transcudânia – Sabugal

Consultem aqui o Regulamento do Concurso. 

Comunicado | Fim das tarifas bi e tri-horárias prejudica fortemente renováveis e eficiência energética, aumentando custos‏


A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, perante o anúncio da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre o fim da tarifa regulada na electricidade (e que acontece também no gás natural) a 31 de Dezembro de 2012, decorrente do acordo com a troika, alerta os consumidores, o regulador (ERSE) e também a Secretaria de Estado da Energia para a forma como a liberalização está a prejudicar fortemente o funcionamento do sistema eléctrico português, agravando as suas maiores debilidades estruturais e proporcionando maiores lucros para as empresas comercializadoras mas custos grandes para o país e para a população.

Tarifa bi-horária tem de ser defendida pela ERSE

As tarifas bi-horária e tri-horária pretendem suavizar os picos de consumo e aumentar o consumo no período nocturno, oferecendo tarifas mais baixas para os consumos nos períodos da noite e fim-de-semana. Por outras palavras, estas tarifas apresentam valores diferentes de acordo com a procura de electricidade. Nos períodos de maior procura (dias úteis, durante o dia, os chamados períodos de “cheio”), a tarifa é um pouco mais elevada em relação à tarifa simples (que é constante em qualquer hora e dia). Nos restantes períodos (chamados habitualmente de “vazio”, por serem de menor consumo) é mais reduzida em relação à tarifa simples, ficando praticamente pela metade.

Um dos principais problemas da infra-estrutura de produção e transporte de energia eléctrica em Portugal é o sobredimensionamento exigido pelos picos de potência que num dia útil se verificam entre as 18h e as 21h (6.000 a 8.000 MW) e a fraca procura durante o final da madrugada (4h e as 6h da manhã), que corresponde a menos de metade dos valores de potência mencionados anteriormente. É durante a noite que se verifica, de longe, uma maior fracção de produção renovável, nomeadamente de origem eólica, que seria importante aproveitar, em detrimento de deslocar os consumos para os períodos de ponta, exigindo uma gestão mais difícil e muito mais dispendiosa.

A Quercus considera fundamental a continuação da tarifa bi-horária, que, neste momento, só está disponível na EDP Serviço Universal para pequenos consumidores. A ERSE deve exigir que essa oferta seja assegurada pelos fornecedores de energia eléctrica no futuro mercado liberalizado.

Preço da electricidade sem bi-horário vai representar aumento de 8% para o consumidor

A Quercus utilizou os simuladores existentes para escolha de tarifário de electricidade e a vantagem da tarifa bi-horária para os consumidores é clara: o fim desta modalidade vai provocar uma subida do preço de electricidade de 8% na factura das famílias portuguesas em 2013, para além do aumento esperado de 1,5% sobre a tarifa.

Potência contratada

A potência contratada define o número de equipamentos máximo que uma família pode ligar em simultâneo. Quanto mais equipamentos, mais potência contratada é necessária. Há muito que a Quercus reclama uma maior e melhor disponibilização de informação às famílias sobre a potência contratada, especialmente porque em muitos casos o valor contratado está muito acima das suas reais necessidades. Se for escolhida a potência correcta e não a habitualmente sugerida por quem comercializa a venda de electricidade, podem ser evitados custos desnecessários.

A maioria das famílias portuguesas têm potências contratadas de 3,45 kVA (54%) e 6,9 kVA (24%). Pela informação disponível, apenas duas empresas distribuidoras de electricidade permitem contratar potência abaixo de 6,9 kVA. Este facto é preocupante, pois se as famílias tiverem de alterar a sua potência de 3,45 kVA para 6,9 kVA, tal implica um gasto acrescido de 70€/ano. Para além disso, um eventual aumento de potência implica um ajustamento do sistema eléctrico nacional a esse aumento de potência, com investimento no reforço das linhas eléctricas e de produção de electricidade (eventualmente desnecessária). 

Quercus alerta consumidores e critica ERSE e Governo

A Quercus considera que a maioria das famílias portuguesas, cujo tarifário da energia eléctrica se encontra no serviço regulado, ainda não se apercebeu que essas regras de fornecimento e tarifário estão prestes a terminar e considera que o Governo não tem fornecido informação suficiente para uma decisão consciente, falhando a ERSE naquilo que a própria reconhece ser um objectivo estratégico de planeamento que é a reorientação de consumos via tarifa bi e tri-horária.

A Quercus vai exigir, numa carta enviada hoje à ERSE e ao Secretário de Estado da Energia, que as tarifas bi-horária e tri-horária não sejam abandonadas pelos evidentes benefícios ambientais e económicos que trazem ao país e a muitos consumidores.

Lisboa, 18 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


12/01/12

Comunicado | Quercus denuncia abate ilegal de centenas de sobreiros em Salvaterra de Magos


 Abate ilegal

Centenas de sobreiros cortados sem autorização em Salvaterra de Magos



A Quercus vem alertar para mais um abate ilegal de centenas de sobreiros, desta vez numa área florestal junto a Foros de Salvaterra, no concelho de Salvaterra de Magos.

Após termos recebido uma denúncia sobre um abate ilegal de mais de 500 sobreiros, deslocámo-nos ao local para confirmar a situação e constatámos que, lamentavelmente, foram cortadas centenas de árvores adultas protegidas, as quais ainda se encontram no terreno, na zona da Buinheira, em Foros de Salvaterra.

A Quercus verificou no terreno que os sobreiros abatidos estavam verdes e não se encontravam cintados como refere a regulamentação legal, situação que revela a ausência de autorização de abate da Autoridade Florestal Nacional.

A denúncia foi prontamente remetida pela Quercus, para o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR (denúncia n. º 4933/2012 SOS Ambiente e Território), entidade que tem de fiscalizar estas situações, e para a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos para esclarecimentos sobre pretensões de conversão da floresta para uso agrícola ou urbanístico.

O cidadão que alertou para a situação refere que a pretensão é instalar um pivot de rega e considera um “verdadeiro atentado contra a natureza e a preservação de uma árvore que referenciamos como símbolo Nacional”.

Com efeito, o Sobreiro foi classificado como 'Árvore Nacional de Portugal', com a aprovação de um projecto de Resolução da Assembleia da República, no passado dia 22 de Dezembro, situação que visa promover a defesa desta importante espécie da nossa floresta autóctone, agora referenciada como novo símbolo Nacional.

Quercus exige interdição de alteração do uso do solo

A Quercus exige um inventário geográfico rigoroso deste corte ilegal de sobreiros com o levantamento do respectivo auto de notícia por contra-ordenação pelo SEPNA da GNR com o apoio da Autoridade Florestal Nacional. Dado o risco de continuar o corte ilegal dos sobreiros, a Quercus apela ao reforço da fiscalização das autoridades e exige a interdição da alteração do uso do solo no povoamento de sobreiros pelo período de 25 anos, em conformidade com a legislação aplicável.

Lisboa, 12 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
A Direcção do Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus

11/01/12

Comunicado | Serra de Montejunto: Associações realizam acção de protesto a 15 de Janeiro contra a instalação de Parque Eólico no Cercal‏

Serra de Montejunto

Associações realizam acção de protesto a 15 de Janeiro contra a instalação de Parque Eólico no Cercal

Comissão Directiva da Paisagem Protegida também tem posição desfavorável





Terminou a fase de discussão pública do processo de Avaliação de Impacte Ambiental do Parque Eólico do Cercal (concelho do Cadaval), que prevê a implantação de 17 aerogeradores e respectivos acessos, bem como a construção de uma linha eléctrica a 60 kV, em plena Paisagem Protegida da Serra de Montejunto e Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.

As associações signatárias, através de parecer entregue na Agência Portuguesa do Ambiente, consideram que a instalação deste Parque Eólico constituirá um grave atentado à conservação dos valores naturais e à salvaguarda da paisagem e do património cultural.

Acção de protesto: 15 de Janeiro na Serra de Montejunto

De forma a manifestarem o seu protesto contra a instalação do Parque Eólico, as associações organizarão, no próximo dia 15 de Janeiro, pelas 11 horas, junto ao Centro Interpretativo da Paisagem Protegida, uma acção de sensibilização dos visitantes, prevendo-se a colocação de faixas de protesto, a distribuição de autocolantes e a recolha de novas assinaturas para a petição pública em curso.

Comissão Directiva da Paisagem Protegida dá parecer negativo ao Parque Eólico

Entretanto, tivemos conhecimento que a Comissão Directiva da Paisagem Protegida decidiu, por unanimidade, emitir parecer desfavorável à instalação do Parque Eólico do Cercal. As associações signatárias congratulam-se com esta importante decisão em prol da conservação dos valores naturais e da paisagem e esperam agora que os membros da Comissão Directiva – a Câmara Municipal de Alenquer, a Câmara Municipal de Cadaval e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade – possam agora emitir o seu parecer em coerência com a posição inequívoca que assumiram no órgão executivo da Paisagem Protegida.

Petição contra este Parque Eólico continua online

Por último, referir que continua a decorrer a campanha pública de recolha de assinaturas contra a instalação do Parque Eólico, a qual está no seguinte endereço electrónico: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=MTJ2011.

São signatárias desta posição pública as seguintes Associações:

ALAMBI - Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer, ALT-SHN Associação Leonel Trindade - Sociedade de História Natural, ADDPCTV - Associação de Defesa do Património de Torres Vedras, AEP 129 – Associação dos Escoteiros de Portugal – Núcleo Torres Vedras, ECTV - Espeleo Clube Torres Vedras, FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Montejunto, 11 de Janeiro de 2012

___________________________________________________________________________

Para mais esclarecimentos contactar:

Espeleo Clube Torres Vedras: Valdemar Neves (919 972 750) ou Daniel Abreu (919 513 953) | Quercus – ANCN: Paulo Lucas - (933 060 123) ou Nuno Sequeira (937 788 474)

06/01/12

XXI Jornadas de Ambiente Quercus

27 Janeiro - Hotel Dom Gonçalo, Fátima
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/images/1x1.gif
Estão abertas as inscrições, gratuitas mas obrigatórias, para as XXI Jornadas de Ambiente da Quercus, que este ano serão dedicadas ao tema da "Gestão Responsável da Floresta" e decorrerão no dia 27 de Janeiro, no Hotel Dom Gonçalo, em Fátima. Estão todos convidados a participar, devendo as inscrições ser dirigidas a florestas@quercus.pt, indicando nome, contacto telefónico e entidade, se aplicável. Consulte aqui o programa!




I Jornadas de Emergências em Fauna Selvagem - Castelo Branco

10 | MARÇO DE 2012
Castelo Branco
Na Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) a Quercus, tem sido visível uma crescente preocupação e interesse pela recuperação de animais selvagens em Portugal, motivado por uma maior consciencialização ambiental da população. Como tal, esta estrutura vai realizar, no dia 10 de Março, as Jornadas de Emergências em Fauna Selvagem, de modo a incentivar a formação de técnicos que poderão vir a exercer funções nesta área, assegurando um eficaz tratamento da fauna entregue nos Centros de Recuperação.




04/01/12

Workshop de cozinha saudável



Alimentação Saudável não é sinónimo de monotonia! O segredo está em usar a imaginação e criatividade, misturar e experimentar novos ingredientes, atrever-se a preparar refeições com muita cor e cheiros agradáveis, recheadas de sabor e sempre saudáveis.

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Para além da preocupação em elaborar refeições saudáveis, mais do que nunca deve estar presente também o cuidado em preparar refeições rápidas e económicas.
Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Destinatários: Público em geral
Duração: 7 Horas
Custo: 5 €


Informações e inscrição aqui:
Quercus—Núcleo Regional da Guarda
Email: guarda@quercus.pt

03/01/12

Comunicado | Electricidade 2011: menor consumo, menos renováveis e mais emissões‏

 Quercus analisa dados da energia eléctrica de Portugal em 2011

Positivo: menor consumo
Negativo: menos renováveis, mais emissões

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza recorreu aos dados disponibilizados pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) relativos à totalidade do ano de 2011 para analisar a evolução dos mesmos ao nível da produção e do consumo de electricidade.

Portugal está sujeito a uma enorme variabilidade climática com incidência quer no recurso à produção de electricidade a partir de fontes renováveis (em particular à hídrica), quer nas necessidades de aquecimento e arrefecimento, nos sectores doméstico e de serviços, que condicionam o consumo. Estes factos foram determinantes no ano de 2011, onde o peso das energias renováveis desceu 6,4% por contraste com 2010, atingindo 46,8%.

Portugal mais eficiente – consumo de electricidade diminui 3,2%

A relação entre o consumo de electricidade e o PIB denomina-se por intensidade energética (neste caso limitada à electricidade) e é um indicador de eficiência.

Entre 2008 e 2010, o PIB cresceu sempre de forma inferior ao consumo de electricidade. Ou seja, continuou-se a precisar de mais electricidade para produzir uma unidade de riqueza. Em 2010, o PIB cresceu 1,5%, enquanto o consumo de electricidade cresceu mais do dobro (3,3%). 2011 foi um ano diferente pois a intensidade energética diminuiu. Estima-se uma contracção do PIB de 1,6%, para uma quebra do consumo de electricidade mais acentuada de 3,2%. Esta redução é, no entanto, conseguida principalmente à custa do aumento do IVA da electricidade e também da tarifa, não sendo resultado de uma política de gestão da procura mais eficiente.

A Quercus considera que o Governo deverá dar muito maior ênfase às medidas na área da redução do consumo e de incentivo à eficiência energética (gestão da procura), medidas aliás com maior custo-eficácia e onde o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE) poderá ser um elemento fundamental se os objectivos nele estipulados tiverem maior expressão prática.

Neste momento, Portugal precisa de rever as suas políticas energéticas, quer do lado da oferta, quer do lado da procura. Com a contracção económica esperada nos próximos anos, é necessário perceber em que energias renováveis faz sentido investir nos próximos anos e que potência instalada o país precisa.


Redução na energia eléctrica de origem renovável para 46,8% e forte aumento nas emissões de gases com efeito de estufa (2,5 milhões de toneladas), principalmente devido à queima de carvão

O valor real da percentagem de electricidade produzida a partir de fontes renováveis em 2011 foi de 46,8% (por comparação com 53,2% em 2010 – ano record deste século - 36,5% em 2009 e 27,8% em 2008).

A grande quebra de produção de energia por fonte renovável verificou-se na produção das grandes barragens, com uma quebra de 27,3%, entre 2010 e 2011. Em 2011, a grande hídrica produziu cerca de 10.807 GWh (gigawatt-hora), cerca de 21,4% do consumo de electricidade em Portugal nesse ano. A produção em regime especial de energia renovável (PRE Renovável) que conta, para além da eólica, com o uso de biomassa, com as pequenas hídricas e a energia fotovoltaica somou 12.835 GWh, que corresponde a 25,4% do consumo de electricidade em 2011. A energia eólica manteve a mesma produção em 2010 e 2011, contribuindo com 9.005 GWh na produção nacional de electricidade, cerca de 17,8% do consumo total de 2011.

Quanto a emissões de dióxido de carbono, responsáveis pelas alterações climáticas, e em pleno período de cumprimento do Protocolo de Quioto por Portugal, que se estende até 2012, a Quercus estima um aumento em perto de 2,5 milhões de toneladas de emissões. Tal significa cerca de 3,3% do nosso valor base de 1990 para efeitos do cumprimento de Quioto. Uma das constatações mais significativas é o aumento das emissões das centrais térmicas a carvão de Sines e Pego, responsáveis por um aumento de 2,3 milhões de toneladas de emissões (mais 39% em 2011 por comparação com 2010), devido à sua maior produção de electricidade, face ao peso menor que a grande hídrica teve em 2011.


Um Dezembro muito especial – quebra no consumo atingiu record de 10,3%, com descida também grande da produção de origem renovável

O aumento do preço da electricidade e, certamente, a adopção de comportamentos mais eficientes por parte dos portugueses conduziram à maior resposta em termos de contracção do consumo em Dezembro, mês em que o mesmo caiu 10,3% por comparação com Dezembro de 2010. Se ponderarmos as temperaturas verificadas e o número de dias úteis, o valor da descida foi de 7,7%, o que mesmo assim é muito elevado. Também em Dezembro de 2011 o índice de produtibilidade hídrica foi de apenas 0,56 por comparação com 1,45 com o período homólogo de 2010 (um valor de 1 corresponde a um mês médio), estando as albufeiras a 49% da sua capacidade, menos 14% que no ano passado. A falta de vento levou também a um abaixamento do índice de produtibilidade eólica de 1,13 para 0,78.


Lisboa, 3 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza