29/01/12

Comunicado | Projecto da Barragem de Veiguinhas ameaça o Parque Natural de Montesinho‏

Projecto da Barragem de Veiguinhas ameaça o Parque Natural de Montesinho


Esteve, até final do passado mês de Dezembro, em consulta pública o Estudo de Impacte Ambiental do “Reforço do Abastecimento de Água a Bragança”, o qual prevê a construção de uma nova barragem de Veiguinhas no rio Sabor, em pleno Parque Natural de Montesinho, sem o devido estudo de alternativas de localização existentes.



O projecto da barragem de Veiguinhas é promovido pela empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro e localiza-se na Zona de Protecção Especial para Aves Selvagens das “Serras de Montesinho e Nogueira” e também no Sítio de Importância Comunitária “Montesinho – Nogueira”, integrando a Rede Natura 2000.


Esta área contém valores naturais e paisagísticos cujo significado e importância são excepcionais ou elevados do ponto de vista da conservação da natureza, sendo igualmente elevada ou moderada a sua sensibilidade ecológica.

Não é pois aceitável que na caracterização da área de estudo não haja uma única referência ao Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho.

Deveria ter sido efectuada a análise da alternativa zero (ausência de intervenção), pelo que a sua falta configura uma falha grave da Comissão de Acompanhamento de Impacte Ambiental, que não deveria ter dado conformidade a este Estudo de Impacte Ambiental.

Alternativas Estudadas e Abandonadas



No que se refere às alternativas estudadas e abandonadas importa salientar o seguinte:

• a Barragem de Parada apresenta um escoamento anual de 3,0 hm3/ano, que é superior à actual captação da Serra Serrada;

• não foi estudada a alternativa do alteamento da barragem de Serra Serrada.


Habitats Prioritários e Espécies Protegidas Ameaçadas



Na área de estudo existem os habitats prioritários “Charnecas húmidas atlânticas temperadas de Erica ciliaris e Erica tetralix”, “Cervunais” e as “Florestas aluviais” de amieiros e freixo.

Ocorrem várias espécies ameaçadas como o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), com estatuto “Em Perigo” de extinção. “Com vista à protecção, conservação e fomento do Lobo-ibérico (Canis lupus signatus Cabrera, 1907), é proibido: d) A destruição ou deterioração do respectivo habitat”, de acordo com o D.L. n.º 139/90, de 27 de Abril.

Nas Aves destacam-se espécies ameaçadas como o Tartaranhão-azulado, com estatuto “Criticamente Em Perigo”, sendo um dos únicos locais onde nidifica em Portugal, e ainda diversas espécies classificadas como “Em Perigo” de extinção, nomeadamente a Águia-caçadeira, um casal de Águia-real, o Melro-das-rochas, sendo ainda a única zona no País onde nidifica a Petinha-ribeirinha.


Sobre as Soluções Propostas:

As soluções I e II são aquelas que violam a lei no que respeita à legislação portuguesa (Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei nº49/2005, de 24 de Fevereiro e Resolução do Conselho de Ministros nº179/2008, de 24 de Novembro) e violam o direito comunitário nas Directivas Aves e Habitats.

A solução III é a menos impactante das soluções estudadas, pelo que apesar de não ser muito problemática a sua aprovação, deveria ter sido efectuada no entanto uma análise séria da opção ausência de intervenção, conforme estipula o nº1 do Anexo III do Decreto-Lei n.º69/2000, de 3 de Maio, alterado pelo Decreto-Lei n.º197/2005, de 8 de Novembro. Podiam ter sido estudadas eventualmente as soluções Barragem de Parada, Barragem de Rebordãos, o alteamento da Barragem de Gostei, sem a construção de Veiguinhas, ou ainda o alteamento da barragem de Serra Serrada.

A Quercus espera que prevaleça o bom senso e não seja aprovado o projecto de construção da Barragem de Veiguinhas no Parque Natural de Montesinho sem que tenham sido avaliadas soluções fora desta área protegida.


Lisboa, 26 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza / Núcleo Regional de Bragança

18/01/12

II Concurso Fotográfico da Passagem Secreta


Aqui esta a primeira actividade de 2012 da nossa Associação!

O II Concurso de Fotografia, com o tema “A Floresta da Serra da Estrela”, é um concurso integrado no Plano Anual de Actividades da Associação e está aberto à participação de todos os interessados.
Tem como objectivos sensibilizar a comunidade, de forma a mobilizar os seus sentidos para a capacidade de observação e valorização das riquezas que a Serra da Estrela nos oferece, podendo assim apresenta-las através da fotografia.

Neste sentido estamos a lançar o II Concurso Fotográfico e com o objectivo de lhe dar cada vez mais notabilidade e interesse.
Para tal contamos nesta edição do concurso com prestigiadas entidades que se uniram a nós nesta iniciativa, possibilitando assim melhorar os prémios assim com o experiente fotógrafo, do nosso concelho, o Sr. Carlos Moura no nosso Júri.


As inscrições estão abertas até o dia 15 de Fevereiro e podem ser enviadas para o email:
passagem.secreta.acr@gmail.com

Os prémios são:
1ª Classificada – Pass Montanhas - Voucher p/ cinco actividades da Empresa Trilhos de Ideias - Manteigas
2ª Classificada – Cheque-oferta no valor de 20€ da empresa Husse - na Guarda
3ª Classificada – Vale de desconto p/ duas pessoas numa das actividades + T´shirt da Associação Transcudânia – Sabugal

Consultem aqui o Regulamento do Concurso. 

Comunicado | Fim das tarifas bi e tri-horárias prejudica fortemente renováveis e eficiência energética, aumentando custos‏


A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, perante o anúncio da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre o fim da tarifa regulada na electricidade (e que acontece também no gás natural) a 31 de Dezembro de 2012, decorrente do acordo com a troika, alerta os consumidores, o regulador (ERSE) e também a Secretaria de Estado da Energia para a forma como a liberalização está a prejudicar fortemente o funcionamento do sistema eléctrico português, agravando as suas maiores debilidades estruturais e proporcionando maiores lucros para as empresas comercializadoras mas custos grandes para o país e para a população.

Tarifa bi-horária tem de ser defendida pela ERSE

As tarifas bi-horária e tri-horária pretendem suavizar os picos de consumo e aumentar o consumo no período nocturno, oferecendo tarifas mais baixas para os consumos nos períodos da noite e fim-de-semana. Por outras palavras, estas tarifas apresentam valores diferentes de acordo com a procura de electricidade. Nos períodos de maior procura (dias úteis, durante o dia, os chamados períodos de “cheio”), a tarifa é um pouco mais elevada em relação à tarifa simples (que é constante em qualquer hora e dia). Nos restantes períodos (chamados habitualmente de “vazio”, por serem de menor consumo) é mais reduzida em relação à tarifa simples, ficando praticamente pela metade.

Um dos principais problemas da infra-estrutura de produção e transporte de energia eléctrica em Portugal é o sobredimensionamento exigido pelos picos de potência que num dia útil se verificam entre as 18h e as 21h (6.000 a 8.000 MW) e a fraca procura durante o final da madrugada (4h e as 6h da manhã), que corresponde a menos de metade dos valores de potência mencionados anteriormente. É durante a noite que se verifica, de longe, uma maior fracção de produção renovável, nomeadamente de origem eólica, que seria importante aproveitar, em detrimento de deslocar os consumos para os períodos de ponta, exigindo uma gestão mais difícil e muito mais dispendiosa.

A Quercus considera fundamental a continuação da tarifa bi-horária, que, neste momento, só está disponível na EDP Serviço Universal para pequenos consumidores. A ERSE deve exigir que essa oferta seja assegurada pelos fornecedores de energia eléctrica no futuro mercado liberalizado.

Preço da electricidade sem bi-horário vai representar aumento de 8% para o consumidor

A Quercus utilizou os simuladores existentes para escolha de tarifário de electricidade e a vantagem da tarifa bi-horária para os consumidores é clara: o fim desta modalidade vai provocar uma subida do preço de electricidade de 8% na factura das famílias portuguesas em 2013, para além do aumento esperado de 1,5% sobre a tarifa.

Potência contratada

A potência contratada define o número de equipamentos máximo que uma família pode ligar em simultâneo. Quanto mais equipamentos, mais potência contratada é necessária. Há muito que a Quercus reclama uma maior e melhor disponibilização de informação às famílias sobre a potência contratada, especialmente porque em muitos casos o valor contratado está muito acima das suas reais necessidades. Se for escolhida a potência correcta e não a habitualmente sugerida por quem comercializa a venda de electricidade, podem ser evitados custos desnecessários.

A maioria das famílias portuguesas têm potências contratadas de 3,45 kVA (54%) e 6,9 kVA (24%). Pela informação disponível, apenas duas empresas distribuidoras de electricidade permitem contratar potência abaixo de 6,9 kVA. Este facto é preocupante, pois se as famílias tiverem de alterar a sua potência de 3,45 kVA para 6,9 kVA, tal implica um gasto acrescido de 70€/ano. Para além disso, um eventual aumento de potência implica um ajustamento do sistema eléctrico nacional a esse aumento de potência, com investimento no reforço das linhas eléctricas e de produção de electricidade (eventualmente desnecessária). 

Quercus alerta consumidores e critica ERSE e Governo

A Quercus considera que a maioria das famílias portuguesas, cujo tarifário da energia eléctrica se encontra no serviço regulado, ainda não se apercebeu que essas regras de fornecimento e tarifário estão prestes a terminar e considera que o Governo não tem fornecido informação suficiente para uma decisão consciente, falhando a ERSE naquilo que a própria reconhece ser um objectivo estratégico de planeamento que é a reorientação de consumos via tarifa bi e tri-horária.

A Quercus vai exigir, numa carta enviada hoje à ERSE e ao Secretário de Estado da Energia, que as tarifas bi-horária e tri-horária não sejam abandonadas pelos evidentes benefícios ambientais e económicos que trazem ao país e a muitos consumidores.

Lisboa, 18 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


12/01/12

Comunicado | Quercus denuncia abate ilegal de centenas de sobreiros em Salvaterra de Magos


 Abate ilegal

Centenas de sobreiros cortados sem autorização em Salvaterra de Magos



A Quercus vem alertar para mais um abate ilegal de centenas de sobreiros, desta vez numa área florestal junto a Foros de Salvaterra, no concelho de Salvaterra de Magos.

Após termos recebido uma denúncia sobre um abate ilegal de mais de 500 sobreiros, deslocámo-nos ao local para confirmar a situação e constatámos que, lamentavelmente, foram cortadas centenas de árvores adultas protegidas, as quais ainda se encontram no terreno, na zona da Buinheira, em Foros de Salvaterra.

A Quercus verificou no terreno que os sobreiros abatidos estavam verdes e não se encontravam cintados como refere a regulamentação legal, situação que revela a ausência de autorização de abate da Autoridade Florestal Nacional.

A denúncia foi prontamente remetida pela Quercus, para o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR (denúncia n. º 4933/2012 SOS Ambiente e Território), entidade que tem de fiscalizar estas situações, e para a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos para esclarecimentos sobre pretensões de conversão da floresta para uso agrícola ou urbanístico.

O cidadão que alertou para a situação refere que a pretensão é instalar um pivot de rega e considera um “verdadeiro atentado contra a natureza e a preservação de uma árvore que referenciamos como símbolo Nacional”.

Com efeito, o Sobreiro foi classificado como 'Árvore Nacional de Portugal', com a aprovação de um projecto de Resolução da Assembleia da República, no passado dia 22 de Dezembro, situação que visa promover a defesa desta importante espécie da nossa floresta autóctone, agora referenciada como novo símbolo Nacional.

Quercus exige interdição de alteração do uso do solo

A Quercus exige um inventário geográfico rigoroso deste corte ilegal de sobreiros com o levantamento do respectivo auto de notícia por contra-ordenação pelo SEPNA da GNR com o apoio da Autoridade Florestal Nacional. Dado o risco de continuar o corte ilegal dos sobreiros, a Quercus apela ao reforço da fiscalização das autoridades e exige a interdição da alteração do uso do solo no povoamento de sobreiros pelo período de 25 anos, em conformidade com a legislação aplicável.

Lisboa, 12 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
A Direcção do Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus

11/01/12

Comunicado | Serra de Montejunto: Associações realizam acção de protesto a 15 de Janeiro contra a instalação de Parque Eólico no Cercal‏

Serra de Montejunto

Associações realizam acção de protesto a 15 de Janeiro contra a instalação de Parque Eólico no Cercal

Comissão Directiva da Paisagem Protegida também tem posição desfavorável





Terminou a fase de discussão pública do processo de Avaliação de Impacte Ambiental do Parque Eólico do Cercal (concelho do Cadaval), que prevê a implantação de 17 aerogeradores e respectivos acessos, bem como a construção de uma linha eléctrica a 60 kV, em plena Paisagem Protegida da Serra de Montejunto e Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.

As associações signatárias, através de parecer entregue na Agência Portuguesa do Ambiente, consideram que a instalação deste Parque Eólico constituirá um grave atentado à conservação dos valores naturais e à salvaguarda da paisagem e do património cultural.

Acção de protesto: 15 de Janeiro na Serra de Montejunto

De forma a manifestarem o seu protesto contra a instalação do Parque Eólico, as associações organizarão, no próximo dia 15 de Janeiro, pelas 11 horas, junto ao Centro Interpretativo da Paisagem Protegida, uma acção de sensibilização dos visitantes, prevendo-se a colocação de faixas de protesto, a distribuição de autocolantes e a recolha de novas assinaturas para a petição pública em curso.

Comissão Directiva da Paisagem Protegida dá parecer negativo ao Parque Eólico

Entretanto, tivemos conhecimento que a Comissão Directiva da Paisagem Protegida decidiu, por unanimidade, emitir parecer desfavorável à instalação do Parque Eólico do Cercal. As associações signatárias congratulam-se com esta importante decisão em prol da conservação dos valores naturais e da paisagem e esperam agora que os membros da Comissão Directiva – a Câmara Municipal de Alenquer, a Câmara Municipal de Cadaval e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade – possam agora emitir o seu parecer em coerência com a posição inequívoca que assumiram no órgão executivo da Paisagem Protegida.

Petição contra este Parque Eólico continua online

Por último, referir que continua a decorrer a campanha pública de recolha de assinaturas contra a instalação do Parque Eólico, a qual está no seguinte endereço electrónico: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=MTJ2011.

São signatárias desta posição pública as seguintes Associações:

ALAMBI - Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer, ALT-SHN Associação Leonel Trindade - Sociedade de História Natural, ADDPCTV - Associação de Defesa do Património de Torres Vedras, AEP 129 – Associação dos Escoteiros de Portugal – Núcleo Torres Vedras, ECTV - Espeleo Clube Torres Vedras, FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Montejunto, 11 de Janeiro de 2012

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Para mais esclarecimentos contactar:

Espeleo Clube Torres Vedras: Valdemar Neves (919 972 750) ou Daniel Abreu (919 513 953) | Quercus – ANCN: Paulo Lucas - (933 060 123) ou Nuno Sequeira (937 788 474)

06/01/12

XXI Jornadas de Ambiente Quercus

27 Janeiro - Hotel Dom Gonçalo, Fátima
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/images/1x1.gif
Estão abertas as inscrições, gratuitas mas obrigatórias, para as XXI Jornadas de Ambiente da Quercus, que este ano serão dedicadas ao tema da "Gestão Responsável da Floresta" e decorrerão no dia 27 de Janeiro, no Hotel Dom Gonçalo, em Fátima. Estão todos convidados a participar, devendo as inscrições ser dirigidas a florestas@quercus.pt, indicando nome, contacto telefónico e entidade, se aplicável. Consulte aqui o programa!




I Jornadas de Emergências em Fauna Selvagem - Castelo Branco

10 | MARÇO DE 2012
Castelo Branco
Na Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) a Quercus, tem sido visível uma crescente preocupação e interesse pela recuperação de animais selvagens em Portugal, motivado por uma maior consciencialização ambiental da população. Como tal, esta estrutura vai realizar, no dia 10 de Março, as Jornadas de Emergências em Fauna Selvagem, de modo a incentivar a formação de técnicos que poderão vir a exercer funções nesta área, assegurando um eficaz tratamento da fauna entregue nos Centros de Recuperação.




04/01/12

Workshop de cozinha saudável



Alimentação Saudável não é sinónimo de monotonia! O segredo está em usar a imaginação e criatividade, misturar e experimentar novos ingredientes, atrever-se a preparar refeições com muita cor e cheiros agradáveis, recheadas de sabor e sempre saudáveis.

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Para além da preocupação em elaborar refeições saudáveis, mais do que nunca deve estar presente também o cuidado em preparar refeições rápidas e económicas.
Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Destinatários: Público em geral
Duração: 7 Horas
Custo: 5 €


Informações e inscrição aqui:
Quercus—Núcleo Regional da Guarda
Email: guarda@quercus.pt

03/01/12

Comunicado | Electricidade 2011: menor consumo, menos renováveis e mais emissões‏

 Quercus analisa dados da energia eléctrica de Portugal em 2011

Positivo: menor consumo
Negativo: menos renováveis, mais emissões

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza recorreu aos dados disponibilizados pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) relativos à totalidade do ano de 2011 para analisar a evolução dos mesmos ao nível da produção e do consumo de electricidade.

Portugal está sujeito a uma enorme variabilidade climática com incidência quer no recurso à produção de electricidade a partir de fontes renováveis (em particular à hídrica), quer nas necessidades de aquecimento e arrefecimento, nos sectores doméstico e de serviços, que condicionam o consumo. Estes factos foram determinantes no ano de 2011, onde o peso das energias renováveis desceu 6,4% por contraste com 2010, atingindo 46,8%.

Portugal mais eficiente – consumo de electricidade diminui 3,2%

A relação entre o consumo de electricidade e o PIB denomina-se por intensidade energética (neste caso limitada à electricidade) e é um indicador de eficiência.

Entre 2008 e 2010, o PIB cresceu sempre de forma inferior ao consumo de electricidade. Ou seja, continuou-se a precisar de mais electricidade para produzir uma unidade de riqueza. Em 2010, o PIB cresceu 1,5%, enquanto o consumo de electricidade cresceu mais do dobro (3,3%). 2011 foi um ano diferente pois a intensidade energética diminuiu. Estima-se uma contracção do PIB de 1,6%, para uma quebra do consumo de electricidade mais acentuada de 3,2%. Esta redução é, no entanto, conseguida principalmente à custa do aumento do IVA da electricidade e também da tarifa, não sendo resultado de uma política de gestão da procura mais eficiente.

A Quercus considera que o Governo deverá dar muito maior ênfase às medidas na área da redução do consumo e de incentivo à eficiência energética (gestão da procura), medidas aliás com maior custo-eficácia e onde o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE) poderá ser um elemento fundamental se os objectivos nele estipulados tiverem maior expressão prática.

Neste momento, Portugal precisa de rever as suas políticas energéticas, quer do lado da oferta, quer do lado da procura. Com a contracção económica esperada nos próximos anos, é necessário perceber em que energias renováveis faz sentido investir nos próximos anos e que potência instalada o país precisa.


Redução na energia eléctrica de origem renovável para 46,8% e forte aumento nas emissões de gases com efeito de estufa (2,5 milhões de toneladas), principalmente devido à queima de carvão

O valor real da percentagem de electricidade produzida a partir de fontes renováveis em 2011 foi de 46,8% (por comparação com 53,2% em 2010 – ano record deste século - 36,5% em 2009 e 27,8% em 2008).

A grande quebra de produção de energia por fonte renovável verificou-se na produção das grandes barragens, com uma quebra de 27,3%, entre 2010 e 2011. Em 2011, a grande hídrica produziu cerca de 10.807 GWh (gigawatt-hora), cerca de 21,4% do consumo de electricidade em Portugal nesse ano. A produção em regime especial de energia renovável (PRE Renovável) que conta, para além da eólica, com o uso de biomassa, com as pequenas hídricas e a energia fotovoltaica somou 12.835 GWh, que corresponde a 25,4% do consumo de electricidade em 2011. A energia eólica manteve a mesma produção em 2010 e 2011, contribuindo com 9.005 GWh na produção nacional de electricidade, cerca de 17,8% do consumo total de 2011.

Quanto a emissões de dióxido de carbono, responsáveis pelas alterações climáticas, e em pleno período de cumprimento do Protocolo de Quioto por Portugal, que se estende até 2012, a Quercus estima um aumento em perto de 2,5 milhões de toneladas de emissões. Tal significa cerca de 3,3% do nosso valor base de 1990 para efeitos do cumprimento de Quioto. Uma das constatações mais significativas é o aumento das emissões das centrais térmicas a carvão de Sines e Pego, responsáveis por um aumento de 2,3 milhões de toneladas de emissões (mais 39% em 2011 por comparação com 2010), devido à sua maior produção de electricidade, face ao peso menor que a grande hídrica teve em 2011.


Um Dezembro muito especial – quebra no consumo atingiu record de 10,3%, com descida também grande da produção de origem renovável

O aumento do preço da electricidade e, certamente, a adopção de comportamentos mais eficientes por parte dos portugueses conduziram à maior resposta em termos de contracção do consumo em Dezembro, mês em que o mesmo caiu 10,3% por comparação com Dezembro de 2010. Se ponderarmos as temperaturas verificadas e o número de dias úteis, o valor da descida foi de 7,7%, o que mesmo assim é muito elevado. Também em Dezembro de 2011 o índice de produtibilidade hídrica foi de apenas 0,56 por comparação com 1,45 com o período homólogo de 2010 (um valor de 1 corresponde a um mês médio), estando as albufeiras a 49% da sua capacidade, menos 14% que no ano passado. A falta de vento levou também a um abaixamento do índice de produtibilidade eólica de 1,13 para 0,78.


Lisboa, 3 de Janeiro de 2012

A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

02/01/12

Balanço Ambiental 201


(-) Desinvestimento nos Transportes Públicos e Falta de controlo no Nemátodo da Madeira do Pinheiro
(+) Abandono de obras públicas com fortes impactes e Transposição da directiva sobre resíduos


O ano de 2011 foi marcado pela crise financeira mundial que atingiu de forma particular a Europa e Portugal em particular. Apesar das oportunidades que uma situação deste tipo representa para a preservação do Ambiente, num contexto de alteração necessária de comportamentos, infelizmente, e tirando algumas excepções, essa mensagem parece ainda não ter passado para os cidadãos e para os decisores.

Assim, esta crise financeira, para além de ter como consequência a diminuição do bem-estar da população, tem acabado por desviar a atenção da opinião pública dos graves problemas ambientais que continuamos a viver, levando inclusivamente a comportamentos com objectivos limitados a curto prazo, ao invés de privilegiar acções com implicações positivas a médio e longo prazo.

Como tem acontecido em anos anteriores, a Quercus faz um balanço ambiental relativo ao ano de 2011, seleccionando os melhores e os piores factos, apresentando algumas perspectivas para o ano de 2012:


Os piores factos ambientais de 2011

Desinvestimento nos Transportes Públicos
Em sequência do Plano Estratégico dos Transportes apresentado pelo Governo, o corte de várias linhas ferroviárias, nomeadamente no interior do país, ameaça de forma irreversível a coesão territorial e também social, afectando as populações mais frágeis e aumentando o seu isolamento. O corte de várias carreiras urbanas, bem como o aumento do preço dos transportes, incluindo o fim da bonificação para alguns segmentos da população (nomeadamente estudantes), irá igualmente ter um forte impacto ao nível da mobilidade nas áreas metropolitanas. As medidas propostas irão diminuir ainda mais a competitividade dos transportes colectivos face ao transporte individual, potenciando o uso do automóvel nas deslocações urbanas com o consequente aumento dos problemas de qualidade do ar e de mobilidade, por exemplo nas cidades de Lisboa e Porto e suas envolventes.


Continuação do Plano Nacional de Barragens
Não é compreensível a teimosia do actual executivo em prosseguir com o Plano Nacional de Barragens, mesmo depois de ter noção dos custos sociais, ambientais e económicos que o mesmo trará no médio/ longo prazo a Portugal. E a atitude de prosseguir com a construção da Barragem do Tua, mesmo após todos os avisos, poderá colocar o Património da Humanidade do Douro Vinhateiro em risco, mesmo que se procure compensar o impacte irreversível da Barragem do Tua na paisagem do Douro Vinhateiro com a “pintura” o paredão da barragem.

Planos de Região Hidrográfica
Atrasados mais de dois anos em relação ao prazo estipulado pela União Europeia, encontram-se presentemente todos, sem excepção, em consulta pública, esperando-se que sejam aprovados e entrem em vigor no segundo semestre de 2012. Lamentável é os mesmos não terem incluindo nas suas análises e previsões, os aproveitamentos hidroeléctricos, quer o próprio Plano Nacional de Barragens (que terá um impacte de elevado magnitude e irreversível na bacia do Douro), quer as várias mini-hídricas (cujos concursos foram lançados previamente à consulta pública dos Planos de Região Hidrográfica), considerando que estas são infraestruturas com um elevado impacte nas bacias hidrográficas, nomeadamente na conectividade dos cursos e das massas de água e com efeitos nos vários usos.

Falta de controlo no Nemátodo da Madeira do Pinheiro
A falta de controlo efectivo na propagação de doenças florestais como o Nemátodo da Madeira do Pinheiro está a provocar a murchidão e um declínio acentuado nas áreas de pinhal-bravo em Portugal, devido à falta de apoio aos proprietários florestais e meios de erradicação no terreno para controlar a doença, com a consequência nefasta da expansão de plantações ilegal de monoculturas de eucalipto, sem que exista capacidade das autoridades em controlar a situação.

Falta de fiscalização e ilegalidades na área dos Resíduos
O colapso da fiscalização dos resíduos, em particular nos casos dos resíduos de construção e demolição, dos industriais e das lamas de ETAR e a continuação das ilegalidades na gestão dos veículos em fim de vida, com 42% (cerca de 60 mil viaturas) que são enviados para destinos ilegais, por incapacidade do Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres, são aspectos que revelaram o ainda muito que existe por fazer nesta área.

Energia no Orçamento de Estado para 2012
Fruto do Orçamento de Estado para 2012, o ano de 2011 será o último ano com incentivos fiscais às energias renováveis e à eficiência energética em sede de IRS como benefícios fiscais, sendo que o IVA de aquisição de equipamentos para energias renováveis aumentará 10%, a partir de 1 de Janeiro, de 13 para 23%.

Falta de recursos põe em causa a saúde pública
A falta de recursos afectos ao controlo da qualidade do ar e da água ameaça a saúde pública, na medida em que a monitorização da água ou da qualidade do ar está a deixar de ser realizada de forma regular por este motivo, com todos os riscos inerentes à saúde das populações.

Transvases no rio Tejo
Transvases realizados em Espanha retiraram água em excesso ao rio Tejo e fizeram diminuir o caudal para níveis preocupantes. Em Julho de 2011 verificou-se um caudal muito reduzido no rio Tejo, junto ao castelo de Almourol, sendo já esta uma situação recorrente e tendo-se em 2010 já alertado para este problema. A redução drástica do caudal do rio cria problemas ao nível da conservação dos ecossistemas aquáticos, destrói a paisagem natural e põe em causa as infra-estruturas de apoio às actividades fluviais, nomeadamente aquelas que estão disponíveis para a época balnear.

Acidente nuclear no Japão – Fukoshima
Em Março 2011 ocorreu um grave acidente nuclear na central nuclear de Fukoshima no Japão. Não se conhecendo ainda neste momento a total dimensão deste acidente, já é certo que terá sido um dos mais graves da história. Com os três maiores acidentes nucleares da história mundial a terem ocorrido em três dos países mais avançados nas tecnologias da indústria nuclear e é importante pois, reflectir sobre os problemas de segurança inerentes a este tipo de centrais e adoptar um plano progressivo de desmantelamento das mesmas.


Os melhores factos ambientais de 2011

Abandono de obras públicas com fortes impactes
O abandono de várias obras públicas que não se encontravam suficientemente justificadas e não eram realmente necessárias, nomeadamente o Novo Aeroporto de Lisboa e algumas das vias rodoviárias previstas, como a Estrada Regional 377-2 que iria atravessar a Mata dos Medos e as Terras da Costa, foram medidas positivas anunciadas pelo Governo, sendo no entanto ainda necessária uma revisão em baixa do Plano Rodoviário Nacional.
Sobreiro é “Árvore Nacional”
O sobreiro foi decretado “Árvore Nacional”, por unanimidade, pela Assembleia da República. Espera-se que esta medida contribua para a resolução dos problemas que afectam os sobreiros e os montados (doenças, envelhecimento, redução do número de árvores) e que permita a sua valorização e expansão nas áreas onde já esteve presente no território nacional.

Transposição da directiva sobre resíduos
Foi transposta para a legislação nacional a directiva comunitária sobre resíduos, dando prioridade à prevenção e à reciclagem e estabelecendo metas ambiciosas de reciclagem para resíduos urbanos, resíduos de construção e demolição e óleos lubrificantes usados.

Açores declara-se Zona Livre de Transgénicos
Depois da Região Autónoma da Madeira, seguiu-se agora a dos Açores a declarar-se Zona Livre de Transgénicos, através da aprovação de um decreto regional, declarando o arquipélago como zona livre do cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM). Fica assim proibida a cultura, sementeira, plantio ou criação, por qualquer método ou técnica, de organismos geneticamente modificados, à excepção da produção ou introdução para fins de investigação científica ou desenvolvimento tecnológico de manifesto interesse público.

Hortas urbanas de regresso
A expansão do fenómeno das hortas urbanas promovidas, quer do ponto de vista institucional, quer do ponto de vista particular ou associativo, e que alastram de Norte a Sul do País, promovem a eco-sustentabilidade e complementam a subsistência e/ou o rendimento das populações, para além de terem um papel relevante ao nível do lazer e coesão social.

Ano Internacional das Florestas em 2011
A Assembleia-Geral das Nações Unidas designou o ano de 2011 como o Ano Internacional das Florestas, com o tema “Florestas para Todos”. Um dos objectivos principais foi a promoção da conservação das florestas em todo o mundo, com diversas iniciativas de sensibilização da população para a importância que as florestas desempenham no desenvolvimento sustentável global.


Perspectivas ambientais para 2012:

Futuro da floresta em Portugal
Numa fase em que assiste a um declínio das florestas de outras espécies, tais como o pinheiro-bravo nas áreas do centro e norte do País, alguns sectores de interesse pretendem a expansão das áreas de eucalipto em Portugal e a promoção de novas plantações intensivas, que aumentam a monocultura desta espécie. Esta situação é preocupante, demasiado prematura e pouco adaptada à nossa realidade e qualquer intenção que pretenda uma eventual expansão da área de eucalipto em Portugal carece de estudos especializados e independentes que demonstrem a sua viabilidade, para além de implicar um alargado debate sobre o que o País pretende efectivamente para a sua Floresta de futuro.

Desempenho ambiental da EDP
A compra da participação estatal da EDP (21,35%) pela empresa China Three Gorges, e a estratégia que esta quererá implementar em Portugal, é motivo para apreensão e expectativa. Esta empresa chinesa foi responsável pelo polémico projecto de barragens no rio Yangtzé, denunciado pela Amnistia internacional devido à falta de respeito pelos direitos humanos e ambientais, mas sendo as condições sociais e o enquadramento legal em Portugal, substancialmente diferentes dos da China, será de acompanhar com vigilância e sentido crítico, o rumo que a EDP no seu todo irá tomar.

Limitação à exportação de materiais recicláveis
Durante o ano de 2012 deverão existir medidas de concretização da intenção do Ministério do Ambiente em limitar a exportação de materiais recicláveis e assim defender a indústria portuguesa de reciclagem.



Reforço da produção agrícola nacional mas de forma sustentável
De acordo com as intenções anunciadas pelo Governo, 2012 deverá ser um ano em que a produção agrícola nacional deverá ter um incremento, como forma do país ultrapassar muitas das carências que revela ao nível da produção de alimentos e aumentar as nossas exportações. Sendo esta sem dúvida umas das áreas onde poderemos e devemos investir, é contudo fundamental acautelar impactes no Ambiente, tanto a curto como a médio/longo prazo e como tal adoptar critérios exigentes ao nível daquilo que deverá ser a produção a desenvolver, com produtos de qualidade, respeitadores do Ambiente e de preferência em modo do produção biológico.

Modos Suaves de Mobilidade
Tendo em conta o aumento dos preços dos combustíveis e a diminuição dos rendimentos das famílias em perspectiva, 2012 será definitivamente um ano para que se opte com mais frequência, e sempre que possível, pelo transporte a pé, de bicicleta e de transportes públicos, evitando o uso do automóvel e contribuindo assim para ganhos na saúde individual e na luta contra a emissão de gases com efeito de estufa e as consequentes alterações climáticas.

Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos em 2012
A ONU declarou o ano de 2012 como o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. Este anúncio faz parte de uma iniciativa maior que até ao ano de 2030 pretende assegurar que todos tenham acesso a serviços modernos de energia, reduzir em 40% a intensidade energética global e aumentar em 30% o uso de energias renováveis em todo o Mundo. Espera-se por isso, que a iniciativa tenha o apoio dos vários governos, empresas e sociedade civil, de modo a que as questões da energia sustentável se assumam definitivamente como uma prioridade mundial.

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio + 20
O Rio de Janeiro acolherá, de 20 a 22 de Junho de 2012, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, vinte anos depois da histórica Conferência do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. O Rio+20 é uma Conferência sobre desenvolvimento sustentável e não apenas sobre o Ambiente, sendo que o desafio da sustentabilidade constitui uma oportunidade para a alteração do modelo de desenvolvimento económico actual, que ainda tem dificuldades de incluir plenamente preocupações com o desenvolvimento social e a proteção ambiental.


Lisboa, 30 de Dezembro de 2011

A Direcção Nacional da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza